sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

AMIGOS



Pergunto-me, em momentos de súbito emudecer de tudo em volta, no ar, na rua, no horizonte, se tenho amigos e se eles me amam. Amar, isto é, aceitar-me como sou e quantos sou.
Penso nisso porque eu não sou apenas um. Tentei insinuar, em meu frágil romance Silêncio, que sou trezentos e oitenta. Minha dúvida, lógica e metódica, é a de que meus amigos, se houver, não percebam a maior parte de meus eus e me tomem apenas por aquele que é visível.
A indagação gerada por essa dúvida metódica situa-se em saber qual ou quais dos trezentos e oitenta eus foram escolhidos para serem amados. Percebo que nem sempre o eu que gostaria de oferecer aos amigos é o que eles levam consigo. Sobram eus pelo caminho.
E, nesses pensamentos, mesclados de alegrias e tristezas, detenho-me a escutar os gritos que se levantam de todos os lados e pergunto ao eco o que Mario de Andrade sondava:
“Eco, responda bem certo,
Meus amigos me amarão?
E o eco me responde: sim.”

Um amigo a quem amamos é um múltiplo comum. Dividimos e somos divididos.

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