sábado, 21 de julho de 2018

RACIONAMENTO OU RESTRIÇÃO




Biocomunidade SITIO DAS NEVES - DF

FOTO: Eugênio Giovenardi, 2018

A restrição para o uso de água, em Brasília, foi suspensa em 15 de junho de 2018 por decisão governamental. A última chuva caiu no dia 20 de maio de 2018. Apenas 9mm. Já vão 60 dias sem chuva. O nível do Reservatório do Descoberto, no dia 15.6.18, era de 92,4 % segundo medição da Adasa. No dia 20.7.18 a Adasa informa que o percentual baixou para 86,1. O presidente da Caesb afirmou que a instituição se baseia em números para administrar os registros de controle da água. Quem sabe qual é o volume de água do Descoberto? Até hoje, ninguém informou. Possivelmente, nenhum funcionário público sabe informar. Que é 86,1% de um volume de água que ninguém conhece? Todos esses números são dados por uma régua fincada no reservatório desde 1974. Uma coisa é a capacidade original da represa, outra, o volume real. Alguém mediu a altura do assoreamento dos últimos 40 anos? Busca-se a resposta.
Em matéria de preservação de nascentes, a Biocomunidade do Sítio das Neves, em vias de se transformar em RPPN, pode oferecer aos administradores públicos boas dicas para ouvir as lições da natureza.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

NÍVEL DO RESERVATÓRIO DO DESCOBERTO


Resultado de imagem para descoberto df


      O reservatório sobre o Rio Santo Antônio do Descoberto foi construído, em 1974, para conter um volume de 103 km3 de água. Um km3 é igual a 1 bilhão de metros3, ou um trilhão de litros. A disponibilidade de água desse reservatório, transbordando, seria de 103 trilhões de litros. A disponibilidade de água para a população de Brasília, 600 mil hab. em 1974, era de 171 milhões de litros por habitante. Em 2018, essa disponibilidade projetada seria de 34 milhões de litros por habitante.
      As informações da Adasa indicam, em 2/7/2018 um volume de 90% da capacidade do reservatório do Descoberto, ou 92,7 trilhões de litros disponíveis para uso da população, ou 30,9 milhões de litros por habitante, ou 85.800 litros/dia.
       Os números são animadores. Resta saber se são verdadeiros.
Quando o nível do reservatório chegou a 5% (nov. 2017), a disponibilidade baixou para 5,150 bilhões de litros, ou 171.700 litros por habitante, ao redor de 500 litros/dia.

103 km3 = 103 bi m3 = 103 tri litros

quinta-feira, 28 de junho de 2018

84 ANOS


SÍTIO DAS NEVES, ÁGUAS DE MINHA INSPIRAÇÃO PARA A VIDA.



Completo 84 anos, neste dia 28 de junho de 2018, quinta-feira.
Com Hilkka, a mulher de mim, tive uma filha que nos deu duas netas: Luiza e Laura. Escrevi duas dezenas de livros.
Amo as árvores. Cuido de nascentes. Ouço os pássaros. Encantam-me as borboletas. Olho estupefato para minhas origens longínquas. Não tenho ideia do que virá. Aldebarã e eu resumimos o universo.
Aos amigos e amigas meu infinito agradecimento pelo amor que me dedicam neste dia e nos dias que vêm. Retribuo a todas e a todos com a generosidade possível.

sábado, 16 de junho de 2018

TRANSIÇÃO ECOLÓGICA


TRANSIÇÃO ECOLÓGICA


Eugênio Giovenardi, escritor, ecossociólogo, 
acadêmico do IHG/DF

O Fórum Mundial da Água e o Fórum Alternativo Mundial da Água, realizados em março de 2018, em Brasília, indicaram a necessidade premente de se elaborar uma política da água para o Brasil e, especialmente, para o Distrito Federal. A suspensão do racionamento de água, em vigor desde 2017, precisa de ações sistêmicas que administrem o possível retorno dessa medida restritiva que não atingiu igualitariamente a população de Brasília.
A política da água deverá estar incluída em uma visão ampla e sistêmica de Transição Ecológica que leve a sociedade e cada um dos cidadãos a terem um novo olhar sobre a natureza. Transição Ecológica é a mudança gradativa de conhecimentos, de atitudes e comportamentos adotados até agora com a natureza, os biomas, os ecossistemas, as mudanças climáticas prejudicando a interdependência de todos os seres vivos.
A transição ecológica visa igualmente a mudança gradativa, mas radical, do modelo econômico atual baseado no circuito produção e consumo, escravo do crescimento ilimitado orientado pelo produto interno bruto. Há três elementos a considerar na transição ecológica, considerando-se a limitação da oferta de bens do planeta: 1) o crescimento linear da população humana que necessita água, alimentos e bens de consumo essenciais cada dia mais diversificados. Hoje a população mundial é de 7,8 bilhões e, para 2050, a projeção da ONU é de 10,0 bilhões. A repartição dos bens, no modelo econômico atual, é visivelmente desigual e, a manter-se, a desigualdade crescerá. 2) O uso diversificado da água, a produção de alimentos, de máquinas, automóveis, aviões, trens, moradias, requeridos pela população crescente espoliam florestas, arrasam montanhas, secam rios, enfraquecem ecossistemas, reduzem a biodiversidade, empobrecem o planeta, envenenam as águas. 3) A urbanização avassaladora, é fonte inesgotável de poluição do ar, de contaminação das águas, de produção incontrolável de lixo orgânico, de plásticos, e toda sorte de material tóxico, de desperdício de bens, de assassinatos, de acidentes de trânsito.
A transição ecológica será um processo de revisão de nossos comportamentos se quisermos ter a natureza de nosso lado. Hoje, nossos crimes ecológicos indicam que não estamos do lado da natureza e por isso sofremos as consequências. Daí a necessidade de uma política da água no bojo da transição ecológica elaborada a muitas mãos. A participação de universidades, do Ministério Público, de Ong’s, de especialistas e grupos ambientalistas será imperiosa para apresentar à sociedade uma política da água que atenda às necessidades da população crescente.

 Um inventário minucioso e transparente, amplamente divulgado, da oferta de água superficial e subterrânea para uso de necessidades essenciais melhora a compreensão da escassez. O controle da exploração de aquíferos por meio de poços artesianos, com sobretaxa em piscinas particulares é medida democrática. A limitação das concessões e outorgas para fabricação de bebidas e outros usos é mais do que oportuna. A restrição da irrigação para produção de alimentos de consumo interno e de exportação, de acordo com estudos nacionais e internacionais de organismos de pesquisas no Brasil e no exterior é, junto comas anteriores, medida a ser proposta e executada na implementação da política da água.
A coleta seletiva do lixo, ainda incipiente no Brasil, e o saneamento básico nas pequenas e médias cidades e metrópoles devem ter caráter prioritário. A fiscalização e a construção de pontos de coleta de lixo ao longo das rodovias, o rígido controle no uso de agrotóxicos na agricultura e no combate a insetos, a ampliação do transporte público movido a eletricidade, entre outras medidas, reduzirão a contaminação do ar e a poluição dos aquíferos superficiais e subterrâneos. A política da água terá êxito se forem previstos e aplicados investimentos massivos águas acima, na direção das nascentes para preservação da vegetação nativa necessária à proteção dos mananciais.
Diante da imprevisibilidade do clima e da irregularidade das chuvas, uma medida inteligente será estabelecer, por alguns anos, o período de racionamento de água a toda a população nos meses de estiagem e suspendê-lo na época da chuva. O estrito controle do uso da água e um programa permanente de educação ambiental, associados a medidas estruturais, facilitarão o caminho para a transição ecológica no Distrito Federal.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

CACHOEIRINHA -


CACHOEIRINHA

SANTO ANTÔNIO DO DESCOBERTO

Caros Cícero, Prof. Jacy e amigos da Cachoeirinha.

Fiquei muito feliz de ter conhecido a área da Cachoeirinha e de ver a ação dedicada dos amigos que o Prof. Jacy Guimarães soube reunir ao redor de si, das águas, das plantas e dos habitantes nativos desse refúgio ecológico.
Minha percepção, como parte orgânica da natureza, ao caminhar pela área, observar e sentir as múltiplas vozes que vinham das grotas, dos altos, dos diferentes silêncios da mata, do murmúrio das cachoeiras, foi de que a alma daquele espaço expressava uma indisfarçável tristeza e um forte sentimento de decepção.
Não se assustem. É minha maneira de sentir e perceber os ecos profundos da natureza e compreender o que ela diz quando estou com ela.
Procurei interpretar esses ecos profundos e tentarei expressá-los, aqui, para futuras conversas com os participantes da caminhada de ontem (10.6.2018).
Primeiro, Cachoeirinha é uma área em atitude de defesa contra várias forças que atuam ao redor dela: cobiça de fazendeiros, avanço da urbanização, familiares desinteressados. Essas forças têm uma energia negativa e suscitam medo, preocupação e até indignação de quem as recebe. Estabelece-se, em contrapartida, o conflito. Busca-se um armamento em forma de soluções legais e burocráticas para defender-se contra essas forças externas.
Segundo, os sentimentos do conflito, do medo, da indignação, do tempo, infelizmente passam para a natureza que é solidária com seus defensores e reflete o medo, a tristeza, a decepção. A preocupação com a defesa reduz o espaço para a integração do afeto entre a biocomunidade natural e as pessoas que dela se aproximam. Grande parte da energia vai para executar ações de defesa e proteção para comprovar a solidariedade à Cachoeirinha e ao Prof. Jacy, no caso, um herói nessa guerra disfarçada. (É da natureza esse instinto de defesa. A mãe tigre, para defender os filhotes contra o chacal faminto, os esconde numa cova enquanto busca, durante dias, caçar uma presa. O tempo do amor é substituído pelo tempo da defesa. Os filhotes sofrem pela ausência da mãe e a mãe também.)
Terceiro, como superar a posição de defesa e alcançar um grau superior de parentesco com a biocomunidade? Como conciliar as ações de proteção às águas, às plantas e aos animais com a integração com os habitantes nativos por parte dos hóspedes eventuais de hoje e do futuro? Quero dizer, empreender ações que melhorem o fluxo de águas e fortaleçam as nascentes não substituem o abraço e a conversa com as plantas, as águas e bichos. Transformar o estado jurídico da área não propiciará, necessariamente, uma atitude de afeto aos gestores em perspectiva. Ao compreender os ecos profundos da natureza, escrevi um pequeno livro As árvores falam. Para ouvi-las é preciso conhecer seu idioma.
Estes comentários expressam tão somente a relação orgânica que existe entre todos os seres vivos de um espaço. As árvores nos transmitem sentimentos de paz, de serenidade, de paciência, de energia e força. Nós transmitimos à natureza nossos sentimentos de amor, de felicidade, de ódio, de desprezo, de cobiça, de indiferença. Ao penetrar num espaço natural é preciso pisar com cuidado e não interromper o diálogo permanente de seus habitantes.
O ponto central é, a meu ver, como passar da defesa da Cachoeirinha à integração das pessoas que hoje ou no futuro terão com ela. Como passar da defesa explicita ao afeto explícito da fraternidade natural? Eis a questão que me orienta no convívio com a área da qual sou hóspede: Biocomunidade do Sítio das Neves. Proponho-me pagar a felicidade que me dá o sorriso das árvores e o murmúrio das águas com afeto explícito. Entrar feliz na casa que me hospeda e dela sair feliz.
O diálogo convivial com a natureza, sem saibro de superioridade sapiens, é tarefa de aprendizagem permanente.
Meu desejo é que cheguemos a esse clímax de nobreza humana.
A todos, meu carinho e solidariedade.
Eugênio Giovenardi
Biocomunidade Sítio das Neves
11.6.2018


sexta-feira, 25 de maio de 2018

MAIO - 68


Fotos: 1968 a 2018

MAIO-68


Paris, durante 45 dias, generosamente propôs à espécie humana um novo olhar sobre a natureza das coisas. Um novo olhar sobre a convivência social, sobre a economia exploradora da riqueza natural e sua distribuição, sobre a condição humana. As ruas de Paris acolheram o diálogo, a fraternidade, o debate livre, sob a antinorma “interdit d’interdire” e “l’imagination au pouvoir”. Os donos da verdade tremeram em seus palácios e bunkers.
Agradecido, celebro os 50 anos dessa festa da liberdade e do ensaio de libertação das imposições generalizadas, como testemunha e partícipe. Há cinquenta anos, no dia 26 de maio de 1968, a conjunção de coincidências inexplicáveis arrumou meu encontro com Hilkka Mäki, uma jornalista que observava, na calçada da rua Vaugirard, o enfrentamento de estudantes com a polícia francesa.
A rua Vaugirard nos separava. Para começarmos uma jornada comum de 50 anos, foi preciso atravessar a rua. Era o que o Movimento de Maio-68 propunha: atravessar ruas, oceanos e fronteiras proibidas para ultrapassar as injustiças, os preconceitos, a discriminação, as escravidões explicitas e disfarçadas, as mentiras sociais e educacionais.
Atravessei a rua Vaugirard e a jornalista desconhecida, num tom de velha amizade, perguntou-me se eu estava de acordo com as mensagens que se discutiam nas ruas de Nanterre e de Paris, na Praça da Sorbonne e do Panteão, no Teatro Odéon e no Ópera, nas escolas e nos bistrôs. Essa pergunta deu sentido ao rumo de minha caminhada. Tive uma estranha sensação de que a jornalista e eu compartilharíamos as alegrias e as agruras da vida. Atravessei a rua, e há 50 anos, atravessamos o oceano.
A globalização da liberdade de pensar e de construir um mundo diferente assustou a humanidade. Maio-68 terminou e deixou para trás uma era. A solavancos, enfrentamos a era pós Maio-68. As grandes decepções desta era anunciam mudanças que as novas gerações terão que administrar.
Hilkka e eu pertencemos aos ideais de Maio-68. Atravessamos juntos todas as ruas congestionadas para desfrutar de um mundo livre e fraterno.
É decepcionante perceber, 50 anos depois, que as autodenominadas esquerdas brasileiras recusam atravessar a rua da história na busca de um destino mais generoso para os cidadãos do país. 

26.5.2018

quarta-feira, 23 de maio de 2018

POLITICAS AMBIENTAIS



Aos que me ouviram ontem e comentaram, obrigado.
Aos que não ouviram e tem tempo para acompanhar o que foi dito, aqui está o link. Clicar em Eugenio Giovenardi na lista de palestrantes