sábado, 21 de outubro de 2017

O CAMINHO DA ÁGUA


( Foto: Nascente Água Azul, Sítio das Neves, DF. Por que esta nascente tem água.)

Antes de sair pela torneira, a água percorreu um longo caminho. Do ventre da Terra ao olho d’água e dali ao chuveiro são muitos quilômetros. Na manutenção da vida humana, vegetal ou animal, há três requisitos essenciais: ter água, preservar a água e usá-la com moderação. Esta ordem determinada pela natureza das coisas e pelas coisas da natureza está sendo invertida, há alguns séculos, pela espécie humana. Usamos mal a água, não temos compromissos com a preservação da água e acabamos por não ter água. Culpa-se o Estado como se um país não tivesse gente. O racionamento imposto aos cidadãos é uma punição ao mal-uso da água, à falta de compromisso dos cidadãos em preservar as nascentes para ter água. A água não nasce nos reservatórios que o Estado constrói com nosso dinheiro. O reservatório, águas abaixo, contava com o olho d’água que destruímos com o mal-uso. O caminho da água, em tempos de mudanças climáticas no planeta, é preservar os mananciais, águas acima, captar as águas da chuva e usá-la com moderação. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DISPONIBILIDADE E USO DE ÁGUA NO DF



Informações da Caesb indicam que a vazão disponível de água para o uso dos brasilienses é de 9,5 m3 por segundo ou ao redor de 782.080.000 litros por dia. Ao se aplicar a simples aritmética da água e relacionar com o aumento da população no DF chega-se aos resultados que seguem. Vamos calcular a reposição de água no organismo humano de 3 litros por dia.
No ano 1970, a população do DF era de 537.000 e consumia por dia 1,601 milhão de litros, 0,20% da vazão diária.
No ano 2000, a população do DF era de 1.927.800 e já consumia, por dia, 0,24% da vazão.
No ano 2010, a população era de 2.086.700 e consumia 0,26%.
Em 2017, a população de 3.000.000 consome 0,34% da água diária disponível no DF, apenas com a reposição de 3 litros no organismo.
Se aplicarmos a aritmética da água ao volume mínimo de consumo recomendado pela OMS de 110 litros diários, no ano 2000 a população consumia 2,7% da disponibilidade diária; em 2010, 2,9% e, em 2017, estamos dobrando o consumo estritamente pessoal, por dia, 4,2% da vazão estimada. A população cresce, a urbanização se expande e com elas a diversidade do uso da água para o lazer, a produção de alimentos, a indústria e comércio, a limpeza urbana causando a impermeabilização de grandes áreas. O fato concreto da diminuição das águas é fisicamente revelado pelo nível das represas.
Construíram-se reservatórios ignorando a preservação dos mananciais. Contou-se passivamente com as chuvas abundantes que o DF recebia em décadas passadas. Agora, temos chuvas irregulares e menos abundantes. E, o que é vergonhoso, não podemos contar com nossos antigos mananciais descritos pela Missão Cruls nem com nossos humildes e velhos córregos. Hoje, humildemente, dependemos das chuvas e das mudanças climáticas que as regulam.
A transição hídrica se faz necessária: da escassez à sobrevivência. Da produção agrícola fartamente irrigada a culturas poupadoras de água. Da urbanização arrasadora de nascentes à contenção da avidez dos lucros imobiliários. Da economia capitalista e do crescimento a qualquer custo à economia humana e ecológica. Governar é administrar populações, prestar-lhes serviços essenciais, preservar a biodiversidade e respeitar os limites dos ecossistemas.
De onde vem essa estranheza de escassez de água no DF?

Por que essa indignação contra o racionamento? O controle do uso da água é tarefa pessoal monitorada pela consciência do cidadão. Nem Caesb nem Adasa controlam o uso da água. Somos todos responsáveis, os eleitos e os eleitores.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

RESERVATÓRIO DO DESCOBERTO: 14%

TRANSIÇÃO HÍDRICA

Nossa república é atraída por extremos: ou tem inundações ou vai ao racionamento de água. Nem por isso deixa-se de produzir soja irrigada ou um kg de carne com 15 mil litros de água.
Transição hídrica foi o alerta que a reunião sobre clima na Suécia, reforçada pelo grito do Clube de Roma, em 1972, lançou à espécie humana. Transição hídrica quer dizer novas atitudes, novos comportamentos no uso da água diante de dois fenômenos incontestáveis: mudanças climáticas no planeta e aumento linear da população mundial, regional e local.
Medidas ainda possíveis: preparar-se para captar águas da chuva, proteger mananciais que abastecem reservatórios, restringir o uso de água às necessidades essenciais, investir em obras águas acima na preservação de nascentes.
Brasília partiu mal desde o começo soterrando nascentes, urbanizando e impermeabilizando áreas de domínio das águas.
Temos água. Água suja que custa caro limpá-la.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

BRASÍLIA, NÍVEL DOS RESERVATÓRIOS


Resultado de imagem para lago Descoberto DF



BRASÍLIA, NÍVEL DOS RESERVATÓRIOS


A gestão das águas não basta ser prioridade. Ela tem que parecer prioridade em atitudes, comportamentos, inteligência e investimentos águas acima na direção das nascentes. Os investimentos águas abaixo não resolvem o estado de escassez.
O reservatório do DESCOBERTO, DF, inaugurado em 1974, foi projetado para armazenar 103 trilhões de metros cúbicos de água. Hoje está com 14,9%. Perde 81,10% de sua capacidade de armazenar. O SANTA MARIA foi projetado com capacidade de armazenamento de 58 milhões de m3 está hoje com 27,9%. Perde 72,1% de sua capacidade. O LAGO PARANOÁ, do qual se retiram 2,520 milhões de litros/dia, se alimenta, em parte, das águas do Santa Maria e de outros tributários agonizantes. Consequentemente deve ter perdido volume.
O que está acontecendo? Chuvas escassas, quase zero captação de águas pluviais, população aumenta mais de 40 mil habitantes/ano, a urbanização galopante arrasa APPs, impermeabiliza o solo e as águas se afundam.  

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ÁGUAS DO PARANOÁ


(Nascente Água Azul, Sítio das Neves, DF, Foto: Eugênio Giovenardi)


O Lago Paranoá recolhe as águas da extensa bacia que lhe dá o nome. É formado por dezenas de córregos que vinham dar, antes da construção de Brasília, ao rio Paranoá que descia pela cratera formada há milênios. O Ribeirão Santa Maria, os córregos Vargem Grande, Milho Cozido e Três Barras formam o lago Santa Maria, inserido no Parque Nacional de Brasília, área de 101 km2 com capacidade de armazenamento de 58 milhões de m3 , 45,7 milhões de m3 de volume útil e vazão de 1,26 m3/s. Esse conjunto de águas se une aos córregos Bananal, Torto, Riacho Fundo, Gama, Urubu-Sagui, Palha, Jerivá, Taquari, Vicente Pires, Guará, Águas Claras, Cabeça de Veado, tributários do Rio Paranoá e constituem o Lago Paranoá, com 510 milhões de m3 de água acumulada, 38 milhões de m2 de extensão (3.800 ha), 38 m de profundidade, com média de 13m, e perímetro de 80 km. (Geração máxima de 30 MW/hora de energia, um MW = 1.000 KW x 5.760 litros por KW gerado. Hoje, reduzida para 13 MW/hora ou 13.000 KW/h = 74.880.000/l/hora). Um dos principais tributários do Lago, com chuva ou sem chuva, são as torneiras de nossas casas que, de todos os quadrantes, despejam nele mais de 1 bilhão de litros/dia de água suja. Tirar água do Lago Paranoá para alimentar nossas torneiras não significa aumentar o volume de água da Bacia do Paranoá. O que pode aumentar o volume de água, ao lado da captação de águas das chuvas periódicas, é proteger as nascentes e aumentar as margens ciliares dos cursos de água, acima mencionados, que contribuem para a formação do Lago Paranoá. Quase todos esses córregos estão agonizando e despejam águas poluídas no Lago. A ocupação desrespeitosa das margens de recarga, a urbanização impiedosa, a impermeabilização desastrosa, as queimadas mortíferas, o lixo disseminado ao longo de rodovias, a poluição do ar provocada pelo tráfego de milhões de automóveis é a receita eficaz da escassez de água do Distrito Federal. Desprezam-se os princípios básicos da gestão das águas. Há que se conhecer e acompanhar os índices de vazão de cada nascente e de cada córrego para tomar as medidas oportunas que garantam a saúde do bioma e de seus habitantes. As nascentes do meu Sítio das Neves, DF, mantêm vazão de 30 m3/dia durante o período seco graças à preservação da extensa vegetação nativa e original com 60 milhões de anos de experiência e sabedoria. Antes de Brasília, todos esses cursos d’água eram saudáveis. A bacia do Paranoá foi a inspiradora da construção da nova capital do país.

Publicado no Facebook em 3.10.2017

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

UMA TRANSIÇÃO NECESSÁRIA

(Foto: Pimenta de macaco)

Estamos acostumados a discutir aspectos da superestrutura das relações humanas na economia, na política, na cultura. Nestas notas, penetra-se na infraestrutura da sobrevivência e reprodução da vida e da interdependência de todos os seres vivos.
A transição da economia capitalista para a economia ecológica requer um novo olhar sobre a organização da natureza. A satisfação das necessidades vitais de reprodução da vida está relacionada ao uso dos bens oferecidos pela natureza: água e alimentos.
Os bens que garantem a continuidade da vida são limitados no espaço do planeta e no tempo de sua disponibilidade. A economia ecológica obedecerá a um sistema de administração desses bens para satisfação de necessidades vitais. O ponto de equilíbrio entre o uso ou produção de bens e o tempo de regeneração e recomposição dos elementos orgânicos é uma garantia de durabilidade da oferta natural. A experiência humana registra um sério descompasso: a natureza leva anos ou milênios para recompor o que se subtraiu dela em poucos meses.
O reinvestimento da natureza para o oferecimento de novos bens, no mesmo espaço, requer tempo. É possível determinar o ponto de equilíbrio entre o uso ou produção de bens e o tempo de sua reprodução. Os ciclos naturais e as estações do ano são os elementos fundamentais da equação.
Mas o uso dos bens disponíveis para conservação e reprodução da vida depende do número de consumidores. O número de consumidores deve adequar-se à quantidade de bens naturais para que a regeneração se faça no espaço limitado e no tempo diferenciado para cada item da oferta.
Um espaço do qual se retirou uma tonelada de alimentos com o consumo de 1.000 litros de água só alcançara o ponto de equilíbrio se houver tempo para o retorno da água e dos elementos necessários à reprodução de nova safra. Hoje, os processos produtivos esgotam o solo e sua recomposição se faz artificialmente com elementos químicos e pivôs centrais de irrigação. Processos produtivos que ao longo dos anos destroem a biodiversidade e estendem as zonas de desertos.

O sistema capitalista de produção de bens é antinatural. Contraria os fundamentos matemáticos e se afasta irracionalmente do ponto de equilíbrio sugerido pela economia ecológica.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

CARTA DA ÁGUA

CARTA DA ÁGUA:
DA ESCASSEZ À TRANSIÇÃO HÍDRICA

Newton Castro, Engenheiro Civil
 Eugênio Giovenardi, ecossociólogo e escritor

O Oitavo Fórum Mundial da Água, que será sediado em Brasília, março de 2018, mobiliza o governo federal, os governos estaduais e municipais e um grande número de institutos acadêmicos e organizações não governamentais. As decisões que serão tomadas nesse evento terão efeito não só para o Brasil. Elas contemplarão os mais de 7,5 bilhões de habitantes humanos, além de muitos outros bilhões de seres vivos que constituem a biodiversidade do planeta.
As mudanças de comportamento climático, pelas quais atravessa o planeta, afetam o regime de chuvas e provocam situações extremas de longas estiagens ou inundações desastrosas. Esses eventos, com maior ou menor intensidade, se fazem sentir em todas as regiões do planeta.
Na organização da natureza, a água está disponível para todos os seres vivos. Alguns deles, como as árvores, são protetores dos cursos de água. Com exceção da espécie humana, todos os seres vivos convivem harmoniosamente com a água. Ao se tratar do uso da água pela espécie humana, deve-se considerar a demanda crescente e diversificada. Não existe no conjunto de riquezas naturais uma oferta específica de água para a espécie humana.
A intervenção humana no cenário natural, relacionada à reprodução e à sobrevivência, ocasiona distúrbios que podem ser danosos a todos os seres vivos que formam a biocomunidade de um bioma.
Na administração da captação e retenção das águas disponíveis para uso humano há que se considerar duas questões fundamentais: quanta água há e quantos são os que precisam de água, incluindo todos os seres vivos de um bioma. Um terceiro elemento, não menos importante, se acrescenta aos dois anteriores: quanto custa satisfazer equanimemente a gama diversificada de necessidades da população humana.

1)   Situação atual

O Oitavo Fórum Mundial da Água, com a participação dos órgãos oficiais e não governamentais do DF, se debruçará particularmente sobre as circunstâncias físicas específicas do Planalto Central. Por ser o berço das águas, O DF requer uma sábia e gradual mudança de paradigma dos habitantes brasilienses sobre a natureza.
A atual situação hídrica de escassez resulta do aumento da população, da urbanização desgovernada e de sua demanda diversificada. Agrava-se com a irregularidade e diminuição das chuvas como efeito de mudanças climáticas. O conjunto desses fatores reduzem a capacidade de suporte geográfico do DF e conduzem ao empobrecimento da biodiversidade regional.
A inexistência ou o inadequado acompanhamento do balanço hídrico, o ineficiente gerenciamento de bacias hidrográficas, a consequente devastação de matas ciliares, a extinção de nascentes e pequenos cursos d’água obrigaram os gestores a decidirem, com atraso, pelo racionamento generalizado no fornecimento de água.
Outros aspectos importantes que provocaram a escassez hídrica se referem ao descontrole do uso de águas subterrâneas por meio de poços artesianos (mais de 40 mil), a ações técnicas e políticas pouco significativas de captação de águas pluviais e ao escasso reuso de águas servidas.
Essas dificuldades são acrescidas pela pouca integração com as comunidades vizinhas que formam a Área Metropolitana, pelas perdas significativas (mais de 30%) de água tratada e pela especulação imobiliária desenfreada. Esses fatores provocam demandas fora de controle.
Agregue-se que a paralização das obras de Corumbá IV (GO) afetou igualmente o fornecimento de água à população do DF. Está, no momento, em curso a construção de usina de tratamento para fornecimento de água para 180 mil brasilienses retirada do Lago Paranoá com vazão inicial de 700 litros por segundo ou 60,5 milhões de litros por dia.

2)   Situação desejável

O consumo responsável e racional da água, fruto da educação ambiental e da aplicação rigorosa da legislação pertinente, propiciará um volume diário democrático e igualitário à população atendendo à indicação de órgãos de saúde pública nacionais e internacionais.
A irregularidade e a escassez de chuvas, segundo informações divulgadas, podem continuar por longo tempo. Esse alerta deve ser intensamente comunicado à população para despertar atitude consciente diante da escassez e gerar novos comportamentos. É prudente assumir que as mudanças climáticas afetam fortemente o Planeta e, particularmente, o Cerrado brasileiro, o que implica em mudança de costumes no uso da água, tanto na cidade quanto nas lavouras produtoras de alimentos.
Propõe-se para isso um processo salutar de transição hídrica.
A transição hídrica significa alteração de atitude, substituição de hábitos, mudança de conceitos, passagem, em relação à água, do modo atual de comportar-se a outro mais adequado. Trata-se de mudança de paradigma que implica em olhar de maneira diferente a natureza.

Ainda que os reservatórios cheguem a 100% e novas captações sejam feitas, é necessário que a população mude seu comportamento em relação ao uso da água.

(Nascente recuperada no Sítio das Neves, DF. Foto: Eugênio Giovenardi)

É imprescindível realizar o balanço hídrico do DF e Área Metropolitana tanto no uso pessoal quanto na produção agrícola e industrial cujos resultados devem ser apresentados, com transparência, à população.
Entre ações importantes e urgentes propõe-se:
·       investir fortemente no gerenciamento das bacias;
·       criar programa específico de repovoamento das matas ciliares com espécies nativas;
·       estabelecer, com a participação dos comitês de bacias, um monitoramento eletrônico das nascentes e pequenos cursos d’água para informação permanente à população;
·       estimular e promover forte integração da população do DF com municípios vizinhos para avaliar a variação do potencial hídrico dos cursos d’água;
·       fomentar ações de reuso da água e utilização da água da chuva;
·       reduzir as perdas de água tratada a níveis não superiores a 10% e, ao mesmo tempo, intensificar sistemas de controle de perdas de rede.
·       A ocupação irregular e a especulação imobiliária devem ser combatidas com rigor e sem tréguas.
·       Orientar a população sobre a outorga e a finalidade do uso das águas subterrâneas e fiscalizar sistematicamente o volume utilizado através de relógios medidores.

3)   Transição Hídrica

Entre as ações para o êxito da transição hídrica e a mudança de paradigma, sugere-se:
·       Mapear e divulgar amplamente todos os nascimentos de corpos d’água da região do Distrito Federal e adjacências;
·       Programar investimentos adequados a montante (águas acima) com a finalidade de proteção dos mananciais, mantendo uma linha intransponível de vegetação nativa;
·       Ampliar o sistema de captação de águas da chuva nos prédios urbanos e rurais que favoreçam, por um lado, a recarga dos aquíferos e, por outra parte, reduzam a pressão sobre os reservatórios;
·       Desenvolver tecnologias adequadas para reuso da água de acordo com a modalidade de seu uso;
·       Informar a população sobre o consumo de água embutido na geração de energia elétrica. O consumo de dois quilowatts/dia por habitante necessita de 13 mil litros de água (6.600 litros para gerar um quilowatt). Não é de estranhar que as represas hidrelétricas se esvaziam.  
·       Incentivar alternativas de geração de energia elétrica. Poupar energia hidrelétrica é poupar água;
·       Universalizar a educação ambiental para o correto uso da água;
·       Avaliar o Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE) no que tange ao uso da água nas diversas atividades humanas, urbanas e rurais;
·       Considerar os habitantes de municípios vizinhos afetados pela mesma situação da capital federal, pois pertencem ao mesmo ecossistema;
·       Buscar intensa Cooperação com os Estados de Goiás e Minas Gerais no que tange aos recursos hídricos;
·       Criar Comitês de Risco para as diversas atividades econômicas;
·       Elaborar planejamento de curto, médio e longo prazos para implementação de medidas de caráter permanente;
·       Cumprir a legislação que decreta a água como bem natural, de uso comum do povo, não sendo propriedade nem de órgãos públicos, nem de corporações ou pessoas físicas. Aos órgãos públicos compete o gerenciamento da água e não sua propriedade;
·       Criar o Fundo de Gerenciamento e Controle do Uso da Água, (Bolsa Água) com a responsabilidade de propor ações especiais e apoiar iniciativas educacionais, científicas ou outras pertinentes ao uso e conservação dos corpos d’água. O Fundo será gerido pela sociedade civil, com participação de especialistas, empresas públicas, privadas e universidades;
·       Assumir institucionalmente o estado de Transição Hídrica, estimulando ações continuadas e perenes;
·       Estabelecer, com urgência, metas consistentes para os próximos meses; para os anos 2018 a 2022;
·       Pôr em ação, com o apoio da mídia, um sistema de comunicação permanente sobre a escassez hídrica;
·       Criar PORTAL DE TRANSPARÊNCIA com a disponibilização de todos os dados, estatísticas, consumos, disponibilidade hídrica e demais informações necessárias à participação e fiscalização da população;
·       Incentivar a organização popular de grupos de observação e informação sobre ações de proteção de nascentes e da vegetação nativa realizadas no âmbito do DF.

A caracterização do estado de Transição Hídrica permitirá a todos, permanentemente, travar contato com a realidade da escassez de água e da necessidade de cada um fazer sua parte de forma consciente.
Tratando-se de uma situação muito grave, todos somos responsáveis: órgãos públicos e privados, pessoas físicas e jurídicas, centros de ensino e pesquisa, além de outros agentes que podem agir de forma positiva.
O objetivo é a discussão de medidas e soluções para a atual e as próximas gerações, que podem não encontrar água suficiente e adequada às suas necessidades.
A ênfase deve ser dada à mudança de comportamento dos diversos agentes sociais, desde o cidadão comum até os organismos de controle e execução.
A Transição Hídrica há que ultrapassar governos, pois a natureza do problema não comporta desvios em relação ao tema central. Requer reavaliações permanentes, sem mudanças de curso ou paralização de ações.
A transição necessariamente perpassa toda a sociedade. A comunicação adequada e transparente estimulará a participação da população sem empecilhos burocráticos às soluções propostas.

O estabelecimento de algumas metas de curto prazo, imediatamente propostas, poderá estancar problemas crônicos.

As metas de médio e longo prazo deverão se estender, pelo menos, aos próximos 25 anos, de tal forma que as futuras gerações, por nossa desídia, não sofram consequências maiores.
Os meios de comunicação e a organização popular em defesa dos mananciais têm papel fundamental neste esforço de conscientização, divulgação e êxito da Transição Hídrica.
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Esta Carta da Água resume os debates realizados no Terceiro Seminário Águas Acima, realizado em 30.3.2017, preparatório do Oitavo Fórum Mundial da Águas. Foi promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico/DF, com a participação do Conselho de Arquitetos Urbanistas/DF, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia/DF, da Ordem dos Advogados do Brasil/DF, da Embrapa e Emater/DF.