quarta-feira, 10 de abril de 2019

INUNDAÇÕES 2019


INUNDAÇÕES 2019

FOTO:  SÍTIO DAS NEVES (DF) PODE SER UM EXEMPLO DE PRESERVAÇÃO DO ECOSSISTEMA CERRADO.(Eugênio Giovenardi - Córrego da Mata Azul)

As inundações que afetaram a população do Rio de Janeiro, São Paulo, Teresina, e outras centenas de cidades, têm sábias e científicas explicações e poucas soluções.
Não há notícias de que, nas RESERVAS INDÍGENAS e em áreas de proteção vegetal, as águas da chuva tenham agredido a biodiversidade do ambiente preservado.
O volume de águas que cai sobre as grandes e desorganizadas cidades do Brasil de hoje é o mesmo, gota mais gota menos, desde 1500. A diferença é que as florestas detinham grande parte dos milhões de metros cúbicos que as nuvens despejavam sobre elas. A marca visível da pegada ecológica tem 500 anos.
PRIMEIRO, o aumento das populações urbanas; SEGUNDO, a devastação ocasionada pela ocupação do espaço contra todas as regras e normas mais elementares de proteção dos ecossistemas; TERCEIRO, imensas áreas desmatadas, ao longo e largo do pais, para produção de alimentos vegetais e animais são as causas mais evidentes da alteração do rumo das águas em direção ao mar.
As perspectivas de solução para os próximos anos poderão ser positivas, se esses três pilares forem simultaneamente administrados em nome da preservação da vida, isto é, da biodiversidade da qual a população humana faz parte.

10.4.2019

quarta-feira, 13 de março de 2019

AOS JOVENS DA CANDANGOLÂNDIA


Audio enviado por celular aos
jovens estudantes da Candagolândia (Brasília/DF)

CAROS JOVENS

Vocês compõem o grupo privilegiado da população. É a idade da aventura, dos sonhos e da esperança.
Convido vocês a lançar um novo olhar sobre a natureza e a realidade urbana. Compreender a natureza e seguir os princípios de sua organização com o auxílio da ecossociologia, vocês podem participar melhor da convivência urbana.
Vocês encontraram muita coisa feita, bem-feita, malfeita.
Que realidade é essa que está na frente de vocês.
Vocês podem dar um novo significado  a essa realidade.
Nosso cérebro recebe as informações da realidade que está na cara da gente.  Essas informações chegam pelos olhos, pelos ouvidos, pelo nariz – o olfato -, pelo paladar e pelo tato, quando tocamos alguma coisa.
Um novo olhar sobre a realidade tem dois pilares: a informação objetiva: o que se vê, o que se ouve, o que se sente, etc. A função do cérebro é associar essas informações, aceitá-las ou rejeitá-las. Aí, entra a informação subjetiva, ideológica: alguém disse que isso é bonito, aquilo é bom, aquilo é perigoso  e a gente entra no jogo aprovando ou desaprovando. É o pacote cultural transmitido pela palavra falada ou escrita.
O que sugiro a vocês é dar ao cérebro informações objetivas.
Qual é a realidade que eu vejo, que vocês veem?
Muito do que é real, hoje, pode-se fotografar ou gravar.
O que é real? A escola, a sala de aula, a rua, o parque, o buraco da rua, as ruas entupidas de carros, o abraço do amigo, a enxurrada, o lixo, a falta de árvores. Isso tudo é a coisa real.
Vocês podem olhar tudo isso de maneira diferente. Vocês podem fotografar o real, filmar, analisar o real, discutir sobre essa realidade, dar novo significado a ela, propor novas soluções para uma sociedade diferente que toca a vocês. Essa realidade é o futuro de vocês. Vocês são o futuro dessa realidade.
Esse novo olhar sobre a realidade significa participar nas decisões políticas da administração da coisa pública. Nós estamos num território urbano, pertencemos à polis e podemos participar da política.
Esse conhecimento concreto que vocês adquirem com um novo olhar sobre a natureza e sobre a realidade, usando as ciências e a matemática é a base da sabedoria.

3.3.2019

terça-feira, 5 de março de 2019






THE STONES OF ROME
A novel
By Eugênio Giovenardi
Translated by Walter Stokes Colton

Goiânia-GO – Kelps, 2019

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

ÁRVORE CORTADA



ÁRVORE CORTADA


                   I
Família de longa história
Séculos e milênios sem memória
Viveram cercados de amigos
Enfrentaram juntos tantos perigos
Ventos glaciais, tempestades,
Raios, tornados em quantidades.

                   II

Ouço o ronco esganiçado
E um ruído surdo estrangulado.
Caiu, na rua, estraçalhado,
Um velho jatobá ramificado.
De dia abraçava o Sol
De noite namorava estrelas.
Era para os pássaros um farol.

                   III

Quando vi cair a árvore indefesa
E lenhadores, como abutres, sobre a presa
Arrancando pedaços do corpo em sangue.
Prostrado ficou o lenho quase exangue.
Travei a respiração no esófago
Senti uma punhalada no fígado,
O pâncreas revoltou o estômago.
A palavra emudeceu nos lábios
Os olhos se encheram de lágrimas.
Senti nos braços o fio da motosserra.
Meu cérebro  desvaneceu.
Envergonharam-me os gritos e as risadas
Dos podadores que esquartejavam
A  árvore ainda derramando
A seiva adocicada das raízes.
Mataram o jatobá. Sem pena.
As árvores, lenhadores e podadores,
Abominam a vida urbanizada
Barulhenta de dia, de noite iluminada.
Preferem o bosque original,
Reclamam o direito à noite escura,
Ao silêncio reparador e  à água pura.

 17.2.2019


domingo, 3 de fevereiro de 2019

CHUVAS DE JANEIROS - 2013-2019

Resultado de imagem para chuvas no df

foto: metropoles.com

AS CHUVAS DOS ÚLTIMOS SETE JANEIROS

 O volume de chuva é registrado pelo Pluviômetro da Agência Nacional de Águas – SÍTIO DAS NEVES (DF) - Código Giovenardi 01648020 - Bacia Rio Paraná
O volume em Milímetros é igual a litros por metro quadrado.

1.2013                458mm
1.2014                169mm
1.2015                  84mm
1.2016                482mm
1.2017                177mm
1.2018                308mm
1.2019                  48mm

A irregularidade das chuvas é um dos alertas à população humana, aos planejadores e gestores da água escassa. A vida no planeta depende do ciclo das chuvas. Há os que dizem que a tecnologia fará milagres para abastecer a população, os animais domésticos e das selvas, e para salvar as florestas. As vítimas de Bento Rodrigues e Brumadinho sabem o risco da tecnologia de ponta. A questão central é administrar a alta tecnologia que não depende apenas do conhecimento e do manejo dos números matemáticos e físicos.

POPULAÇÃO / ÁGUA
Quanto mais usuários de água, menos água estará disponível.
Em 1800, havia  5,2 BILHÕES /litros/hab/fauna/flora (1 bilhão de pessoas)
Em 2018, havia  700 MILHÕES litros /fauna/flora (7,5 bilhões de pessoas)
Redução de 4,5 bilhões de litros/hab/fauna/flora
Sabedoria está em como administrar a realidade.

3.2.2019

sábado, 2 de fevereiro de 2019

QUERIDA TATARANETA


A imagem pode conter: montanha, céu, atividades ao ar livre e natureza · 
QUERIDA TATARANETA

Quando completares dezesseis anos
Cinco décadas já decorreram
De um vomitório tenebroso
Do ventre estripado das montanhas.
As montanhas viraram lama
Os rios se pintaram de lodo,
As árvores sem pássaros,
Os bosques arrancados
Cobriram casas de lavradores,
De incautos trabalhadores.
Peço-te, pelo amor da natureza,
Que deu sentido aos meus anos,
Procura no mapa das Minas Gerais
O antigo povoado de Bento Rodrigues
O santuário de Inhotim
E a cidade de Brumadinho.
Verás ainda viva a cicatriz da terra cortada.
Verás ainda, no chão inóspito,
As vergastadas da ambição e da mentira.
Ouvirás o último grito
De um amigo desesperado.
Escutarás o silêncio e a mudez das pedras.
Pisa devagarinho para não acordar os sonhos
Que a lama espessa cobriu sem avisar.

Eugênio Giovenardi
1.2.2019

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

MARIANA E BRUMADINHO

MARIANA


UMA FARSA CHAMADA MARIANA
A tragédia eco-humana, a maior das cinco já ocorridas há mais de dois meses, matou 19 pessoas, desalojou 160 famílias, destruiu a localidade de Bento Rodrigues, arrasou milhares de hectares de flora montanhosa e extinguiu centenas de espécies vivas ao longo de vales e rios. A tragédia está se transformando numa farsa chamada Mariana, encenada por atores mal-ensaiados da mineradora Vale do Rio Doce, BHP Biliton, Samarco e representantes de vários órgãos públicos federais, estaduais e municipais. O valor monetário estimado por esses atores para cobrir as irreparáveis mortes, o desalojamento de gente, a destruição do bairro e as irrecuperáveis perdas ambientais, até agora, está sendo avaliado em 20 bilhões de reais. Um desrespeito à dignidade de todas as vidas ali sacrificadas indistintamente de sua identidade. Uma farsa que se estenderá por 100 anos sem que esses atores sintam vergonha de estar atuando em praça pública. O que se deve questionar, diante deste e de outros fatos vindouros, é a mineração, seus processos e procedimentos. Nenhuma mineradora, no Chile, na China ou no Brasil é ecológica e democrática. Sabemos que parte do minério vai para a China a fim de salvar o PIB. O que não sabemos e que ninguém leu foram os estudos geológicos, guardados como sigilo de Estado no Ministério de Minas e Energia e Ministério do Meio Ambiente. Neles se autorizam e liberam furadeiras para fragmentação de rochas compactas, bombas de sucção, explosões e, em letras miúdas, alertam para os riscos, as consequências e as reações geológicas das montanhas devassadas, segundo advertiu timidamente o engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila. Como Pompeia, o que restou do bairro Bento Rodrigues deveria ser cercado, protegido e declarado MUSEU DA INSANIDADE para que os visitantes, ao longo de séculos, sentissem pavor e vergonha desta farsa oficial chamada Mariana.
20.1.2016

MARIANA, DE NOVO, TRAGÉDIA ECO-HUMANA

Os órgãos oficiais, em disputa com as mineradoras, insistem em responsabilizá-las por crime ambiental doloso com o objetivo de aumentar o valor das multas que passou de um para vinte bilhões de reais. Focaram as investigações nas causas do rompimento das barragens. Trata-se de um exemplo no qual a obra se tornou maior do que a capacidade do criador em administrá-la. O criador da obra não compreendeu a complexidade das leis da natureza e da natureza das coisas. Insisto em que as mineradoras e o governo, em nome da tranquilidade da população, devam suspender os trabalhos de mineração e empreender novas pesquisas e estudos geológicos para determinar a quantidade de minérios que podem ser extraídos e os riscos ecológicos e humanos decorrentes de sua extração. Dadas as falhas observadas em todas as minas do mundo e em especial no Brasil, o princípio da precaução deve prevalecer mesmo que se tenha de lacrar minas como o fizeram outros países.
A vida no planeta e, em particular, a da espécie humana, não dependem essencialmente da mineração para sobreviver. Tendo ferro e aço, haverá tanques de guerra, metralhadoras e bombas que “justificam” milhões de empregos indiretos e enterram milhões de mortos. É possível que a Polícia Federal chegue à conclusão que o principal criminoso dessa tragédia eco-humana seja quem autorizou a escavar montanhas sem estudos abalizados e advertências inquestionáveis do ponto de vista ecológico e humano.

BRUMADINHO

É imprescindível repetir aos ouvidos e aos cérebros dos fanáticos do crescimento econômico e dos adoradores do PIB que estão cometendo, irresponsavelmente, crimes eco-humanos. Esses crimes eco-humanos cometidos repetidamente, em muitas atividades econômicas, estão destruindo vidas e aumentado os sofrimentos universais dos seres vivos.
Quantos empresários, altos funcionários e grandes investidores da VALE estavam no refeitório de trabalhadores soterrados pela lama?
27.1.2019