terça-feira, 21 de abril de 2020

CARTAS DA PRISÃO - MÁSCARAS

CARTAS DA PRISÃO
MÁSCARAS
No Egito dos Faraós e na antiquíssima China, mais de cinco séculos a.C., cobria-se o rosto do defunto para espantar os maus espíritos invisíveis no momento misterioso da passagem para o outro lado. A palavra, conhecida hoje, pode ter origem árabe – maskharan – que significa palhaço. No século 21, com cara de palhaço, diante da dúvida e da incerteza, estamos espantando o mau espírito invisível: o V19. Somos atores de um teatro. Escondemos a identidade. Cobrimo-nos com máscaras diante de ameaça silenciosa e traiçoeira. A máscara nos faz heróis ou palhaços. Estamos travestidos como os atores das comédias, das tragédias e dos dramas gregos. Os atores usavam máscaras femininas e perucas coloridas para representar a mulher, então não permitida de atuar no palco. Nos famosos carnavais de Veneza, em plena Renascença, os cardeais, príncipes da Igreja Católica, acompanhados de suas concubinas, dançavam mascarados pelas ruas da Sereníssima antes de entrarem para as penitências da Quaresma.
Lembro o belo deus grego do vinho, Dionísios, cujas festas, em sua honra, se prolongavam por seis dias, fantasiados de máscaras de madeira, de argila, de couro ou folhas, com o propósito de esconder angústias e desesperanças. Devidamente mascarados, podemos driblar o novo coronavírus com um velho CORONAVINO Cabernet-Sauvignon, antes ou depois da sauna.
21.4.2020 ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA, MORO NELA HÁ 48 ANOS
O TRAÇADO QUE DEU CIDADE.

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