FALÊNCIA
HÍDRICA
A IMPLOSÃO DOS ECOSSISTEMAS
No ano 2010, previ o racionamento de água,
em Brasília, comparando durante dez anos, os volumes anuais irregulares de água,
o crescimento da população e sua expansão em todo o Distrito Federal. Em 2019, foi
decretado o racionamento. A vasão dos aquíferos no Distrito Federal foi estimada
por hidrologistas, em 1957, em 9.000 litros por segundo, ou 777 milhões de
litros dia. Hoje, a população de Brasília consome, por dia, 803 milhões de
litros, despejados no Lago Paranoá. O déficit de 26 milhões de litros diários é
suprido pela barragem do Corumbá 4, do Lago e de mais de 40 mil poços
artesianos.
A tecnologia avançada das intervenções na
estrutura orgânica das espécies alimentícias ─ soja, milho, arroz, trigo ─ no
uso e domínio do solo, subsolo e água, com máquinas pantagruélicas,
fertilizantes químicos devastadores, agrotóxicos letais, por terra e por
fumigação aérea, implodiram os ecossistemas, provocaram a falência hídrica e a
desertificação de três quartas partes do planeta.
A urbanização crescente e a superpopulação
mundial assistem impotentes esse campeonato ambiental da destruição da
biodiversidade que é a maior riqueza do planeta Terra.
Trinta Conferências das Nações Unidas sobre
as Mudanças Climáticas (COP´s) constataram e ao mesmo tempo previam
dificuldades de acesso à disponibilidade de água para a dessedentação e demais
necessidades de seres vivos, humanos e não humanos, para sua sustentação
confortável e reprodução. A proteção e a preservação de florestas têm sido a
medida de precaução imprescindível para captar as águas das chuvas, abrir
caminhos subterrâneos e recarregar os aquíferos.
O
crescimento da população, a intensa ocupação dos espaços geográficos para
produção de alimentos, nos últimos 10 mil anos, e a urbanização crescente desertificaram
imensas áreas do planeta. Compactaram o solo e os aquíferos perderam sua força
de vasão ou simplesmente se esgotaram.
O
crescimento econômico avança sobre mais da metade do planeta para alimentar 8,5
bilhão de seres humanos e outros tantos consumidores não humanos. Essa
crescente investida resulta em que 70%, ou três quartas partes dos aquíferos do
mundo, estão em declínio pelo uso consuntivo, não renovável, de trilhões de
litros diários de água. Os dados
oficiais do Brasil são estarrecedores. A produção de soja e milho, de 2025, foi
de 346 milhões de toneladas ou bilhões de quilos. O consumo médio de água por
kg desses dois cereais é de 1.500 litros, elevando o volume retirado do solo e
do subsolo a 519 trilhões de litros no período de produção anual ou o
estratosférico trilhão e 420 bilhões de litros/dia.
Grandes
chuvas alagam cidades, matam e destroem, mas não recarregam aquíferos, porque o
desmatamento implacável e a impermeabilização drástica das cidades expulsam as
águas da chuva e as empurram para os
rios e oceanos.
Não
falta água no planeta Terra. Apenas não sabemos cuidar dela e abusamos de sua generosidade,
em nome do crescimento econômico, fundamentado na acumulação financeira. A
falência hídrica, a implosão dos ecossistemas, associados à disputa irracional por
áreas geográficas e à turbulência dos fenômenos físicos implacáveis estão
reduzindo e extinguindo espécies vegetais e animais sem poupar a espécie sapiens.
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