quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

FALÊNCIA HÍDRICA

 

FALÊNCIA HÍDRICA

A IMPLOSÃO DOS ECOSSISTEMAS 

No ano 2010, previ o racionamento de água, em Brasília, comparando durante dez anos, os volumes anuais irregulares de água, o crescimento da população e sua expansão em todo o Distrito Federal. Em 2019, foi decretado o racionamento. A vasão dos aquíferos no Distrito Federal foi estimada por hidrologistas, em 1957, em 9.000 litros por segundo, ou 777 milhões de litros dia. Hoje, a população de Brasília consome, por dia, 803 milhões de litros, despejados no Lago Paranoá. O déficit de 26 milhões de litros diários é suprido pela barragem do Corumbá 4, do Lago e de mais de 40 mil poços artesianos.

A tecnologia avançada das intervenções na estrutura orgânica das espécies alimentícias ─ soja, milho, arroz, trigo ─ no uso e domínio do solo, subsolo e água, com máquinas pantagruélicas, fertilizantes químicos devastadores, agrotóxicos letais, por terra e por fumigação aérea, implodiram os ecossistemas, provocaram a falência hídrica e a desertificação de três quartas partes do planeta.

A urbanização crescente e a superpopulação mundial assistem impotentes esse campeonato ambiental da destruição da biodiversidade que é a maior riqueza do planeta Terra.

Trinta Conferências das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP´s) constataram e ao mesmo tempo previam dificuldades de acesso à disponibilidade de água para a dessedentação e demais necessidades de seres vivos, humanos e não humanos, para sua sustentação confortável e reprodução. A proteção e a preservação de florestas têm sido a medida de precaução imprescindível para captar as águas das chuvas, abrir caminhos subterrâneos e recarregar os aquíferos.

O crescimento da população, a intensa ocupação dos espaços geográficos para produção de alimentos, nos últimos 10 mil anos, e a urbanização crescente desertificaram imensas áreas do planeta. Compactaram o solo e os aquíferos perderam sua força de vasão ou simplesmente se esgotaram.

O crescimento econômico avança sobre mais da metade do planeta para alimentar 8,5 bilhão de seres humanos e outros tantos consumidores não humanos. Essa crescente investida resulta em que 70%, ou três quartas partes dos aquíferos do mundo, estão em declínio pelo uso consuntivo, não renovável, de trilhões de litros diários de água.  Os dados oficiais do Brasil são estarrecedores. A produção de soja e milho, de 2025, foi de 346 milhões de toneladas ou bilhões de quilos. O consumo médio de água por kg desses dois cereais é de 1.500 litros, elevando o volume retirado do solo e do subsolo a 519 trilhões de litros no período de produção anual ou o estratosférico trilhão e 420 bilhões de litros/dia.

Grandes chuvas alagam cidades, matam e destroem, mas não recarregam aquíferos, porque o desmatamento implacável e a impermeabilização drástica das cidades expulsam as águas da chuva  e as empurram para os rios e oceanos.

Não falta água no planeta Terra. Apenas não sabemos cuidar dela e abusamos de sua generosidade, em nome do crescimento econômico, fundamentado na acumulação financeira. A falência hídrica, a implosão dos ecossistemas, associados à disputa irracional por áreas geográficas e à turbulência dos fenômenos físicos implacáveis estão reduzindo e extinguindo espécies vegetais e animais  sem poupar a espécie sapiens.

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