GEÓGRAFOS, OLHAI OS RIOS DO BRASIL
Nascentes de rios, olhos d’água, mananciais, berço das águas. Os rios têm berço. Todos os rios começam infantes. Todo bebê é frágil e precisa de cuidados. Todo bebê amado e bem conduzido pode ser o líder de outras águas benfazejas ao longo de seu curso. Aprendi, na Biocomunidade do Sítio das Neves, neste Cerrado do Planalto Central do Brasil, a cuidar de bebês no berço de córregos para se unirem, dignos, a ribeirões e rios que irrigam solos, dando alimentos a humanos e não humanos. Percebi que nenhum rio, pequeno ou grande, chega sozinho ao mar. O Rio Amazonas conhece essas terras há 9 milhões de anos. Os povos charruas do RGS serviam-se, há mais de 12 mil anos, dos 86 rios que descem da serra ao oceano, formando o estuário do Guaíba. Cuidar dos rios, acompanhar seus cursos, respeitar suas identidades, conhecer sua força, suas medidas, seu peso, é preciso! O mesmo cuidado oferecido ao olho d’água, que brota do chão, deve acompanhar o trajeto do rio. Os rios desconhecem os interesses imediatos da espécie humana nem se responsabilizam pelas consequências das decisões que toma. Há milênios, os rios enfrentam galhardamente as turbulências dos fenômenos climáticos, garantindo sua chegada ao destino, acolhido pelos braços do oceano. Um novo olhar sobre os rios foi o que me ensinaram os espíritos do cosmos que vagueiam pelas florestas e montanhas de nosso inefável planeta Terra.
Um olho d’água também é o bebê, no berço dos rios Amazonas, Taquari ou do Jacuí.
Nenhum comentário:
Postar um comentário