terça-feira, 10 de março de 2015

SEMINÁRIO ÁGUAS ACIMA
COORDENADOR: EUGÊNIO GIOVENARDI
ECOSSOCIÓLOGO


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sábado, 7 de março de 2015

ARITMÉTICA DA ÁGUA






O IHG/DF promoverá, no dia 19 de março, a partir das 19 h, em sua sede à EQ 703/903 Sul, a realização do SEMINÁRIO ÁGUAS ACIMA – PRESENTE E FUTURO DAS NASCENTES – da série de debates sobre NATUREZA.
As dificuldades de abastecimento de água à população, em metrópoles do Sudeste e em dezenas de cidades no país, aliadas às enchentes e inundações, são apresentadas aos cidadãos como consequência de uma “crise hídrica” originada de mudanças climáticas bruscas.
O DF, como parte do Planalto Central, é o berço das águas que sustentam a vida ao Norte, ao Sul e ao Nordeste do país banhando o Centro-Oeste. O DF está, portanto, no início dos cursos de água. Ao descuidar e ao interromper o início das águas, em consequência, serão afetados os fluxos a jusante ou simplesmente secam. Não se mostraram suficientes os investimentos águas abaixo. São necessários investimentos inteligentes águas acima na direção das nascentes.
A ocupação das terras do DF e das regiões circundantes alterou profundamente o bioma do cerrado. Devastou mais da metade da vegetação nativa. Reduziu a biodiversidade. Expulsou vidas nativas. Soterrou centenas de nascentes provocando a mortalidade infantil das águas em seu berço.
A gravidade da crise hídrica é melhor compreendida com simples contas aritméticas que nem os cidadãos, nem os especialistas, nem os administradores públicos, nem as empresas privadas costumam fazer.
A população do DF passou de 140 mil (1960) com uma área disponível por habitante de 4 hectares para 2 milhões e oitocentos mil, em 2014. A área disponível por habitante reduziu-se para um quinto de hectare ou 2.000 metros2. Abriu-se o caminho da desertificação do cerrado, consequência do crescimento descontrolado da população e de uma gestão urbana equivocada.
A população atual do DF é acrescida diariamente com o nascimento de mais de 120 crianças, perfazendo um aumento anual de 44 mil novos habitantes, correspondente ao tamanho do Núcleo Bandeirante.
Ao nascer, cada criança precisa de água. Segundo a OMS, o volume mínimo ideal é de 110 litros por dia. Diariamente, o GDF deve providenciar para esse grupo de crianças 13 m3 a mais. Ao final do ano, os 44 mil novos habitantes terão consumido 1 milhão 766 mil m3. Este volume consumido de água se repete anualmente. É o aumento da população que exige mais e mais água não só para uso individual, como também para produção de alimentos e todos os demais serviços públicos de educação, saúde, infraestrutura, comércio e indústria.
Milhares de nascentes de água deixaram de existir e não abastecem mais as represas que custaram milhões de reais. Restam as águas da chuva e dos aquíferos subterrâneos. As águas da chuva encontram vastas áreas impermeabilizadas pela urbanização, estradas, estacionamentos, áreas desertas e não conseguem infiltrar-se para recarregar os aquíferos esgotados por poços artesianos. Centenas de poços artesianos e tubulares secaram nos condomínios por falta de recarga.
Mais grave para a crise hídrica é o consumo de energia cada vez mais intenso em razão de equipamentos eletrônicos. Para gerar um KW de energia são necessários, segundo cálculos hidrométricos, 6.660 litros de água armazenada nas represas hidrelétricas espalhadas pelo país. Um lar que consuma mensalmente 210 KW provoca o consumo de 1 milhão 390 mil litros de água, além da conta individual marcada pelo hidrômetro.
Nada a estranhar se as nascentes secam, se os poços artesianos se esgotam, se os rios morrem e se as represas se esvaziam.
O Seminário Águas Acima é uma conclamação do IHG do Distrito Federal com o apoio da ANA, da SEMA e a participação de especialistas da UnB para comprometer a sociedade e cada cidadão em ações inteligentes que restituam à natureza suas funções essenciais de sustentar a interdependência de vidas das quais a espécie humana é apenas uma delas.


terça-feira, 3 de março de 2015

SEMINÁRIO ÁGUAS ACIMA


Resultado de imagem para águas correntes



O Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, em seu auditório situado à EQ 703/903, no Plano Piloto, com a participação de especialistas da UnB, a cooperação ativa da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) de órgãos públicos, instituições ambientalistas, empresas privadas e Associações de Moradores de Brasília, promoverá, no dia 19 de março de 2015, a partir das 19h, o SEMINÁRIO ÁGUAS ACIMA.
O SEMINÁRIO ÁGUAS ACIMA, iniciativa preparatória ao 8º. Fórum Mundial da Água que se realizará em Brasília, em 2018, tem por objetivo iniciar um ciclo de debates sobre investimentos necessários águas acima para preservação dos mananciais que justifiquem investimentos águas abaixo com múltiplas tecnologias de captação e detenção de águas pluviais na área urbana e rural.
Desde sua criação, em 1964, O IHG/DF acompanha e registra os fatos históricos da população que se instalou no espaço geográfico do Planalto Central atraída pela construção de Brasília. Uma bucólica área do cerrado se transformou, em 55 anos, numa metrópole de mais de 4 milhões de habitantes.
Preocupado com as irregularidades climáticas que atingem o Centro-Oeste, e especificamente o Distrito Federal, o IHG vem discutindo e propondo medidas estratégicas para a preservação ambiental inclusive da cidade-parque idealizada pelo Dr. Lucio Costa.
A ocupação das novas terras, ao longo dos anos, não atentou ao rigor do planejamento da expansão urbana. O impacto do crescimento da população no DF se fez vigoroso sobre o bioma cerrado. Provocou mudanças ecológicas e ambientais irreversíveis. Reduziu a biodiversidade regional pelo crescente desmatamento e defaunação.
A área por habitante que, em 1960, era de 40 mil m2, reduziu-se, em 2015, para 2.000 m2. É nesta exígua área que se alimentam e vivem todas as formas de vida: plantas, animais selvagens e domésticos e a população humana. O rápido crescimento da população criou dificuldades quase insuperáveis ao controle da expansão urbana, do transporte público e demais serviços de educação e saúde.
A denominada “crise hídrica” que afeta milhões de pessoas das três maiores metrópoles do Sudeste e dezenas de outras cidades torna a estratégia de abastecimento de água uma prioridade a ser seriamente considerada.
O consumo atual de água da população do DF atinge cerca de 520 milhões de litros/dia com tendência a aumentar nos próximos anos em razão do crescimento anual da população da ordem de 44 mil habitantes, correspondendo ao tamanho de um Núcleo Bandeirante.
Grandes investimentos projetados e realizados águas abaixo se revelaram insuficientes para atender às necessidades de consumo da população. Raros e de pouca monta são os investimentos águas acima para proteger a vegetação nativa e as nascentes de água. A agonia temporária da principal nascente do Rio São Francisco foi um clamoroso alerta para a necessidade de se realizarem investimentos maciços e de longo prazo águas acima.
Diante das irregularidades climáticas, a real dificuldade, em futuro próximo, de acesso à água para os habitantes do DF, poderá ser minorada se um vigoroso plano de preservação ecológica for levado a efeito pelos órgãos responsáveis com o apoio e o interesse da sociedade brasiliense e dos meios de comunicação.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

CATÁSTROFE AMBIENTAL NO DF

Poços artesianos pululam no DF (Foto: Eugênio Giovenardi)

Publicado no Correio Braziliense em 24.2.2015


A catástrofe ambiental no Distrito Federal não é uma profecia para o ano 2018, quando se celebrará em Brasília o 8º. Fórum Mundial da Água. É um fato atual em processo.
A área do DF é de, aproximadamente, 578.000 hectares (5.780 km2). Segundo o plano de ocupação regional do DF, apresentado pelo Dr. Lucio Costa, 80% (462.000 ha) seriam reservados às atividades rurais, reflorestamento, preservação de nascentes e cursos de água, e 20% (116.000 ha), à urbanização (serviços, habitação, educação, comércio, lazer, rodovias). Essa relação, embora quantitativamente imprecisa, se altera dia a dia em detrimento das áreas verdes.
Atualmente, a urbanização intensiva e extensiva com a ampliação das cidades-satélites e criação de condomínios rurais, os corredores verdes encolhem. A biodiversidade se reduz. Aos 2,8 milhões de habitantes do Distrito Federal se agrega anualmente uma população correspondente a um bairro como o Núcleo Bandeirante com mais de 40 mil habitantes. A expansão da cidade se faz, em grande parte, sobre a área verde.
Essa inversão da ocupação de terras e do uso inadequado do solo desencadeou um processo irrefreado de desertificação do Cerrado, com eliminação de nascentes, desmatamento indiscriminado, defaunação e perturbação dos aquíferos subterrâneos por meio de poços tubulares e artesianos. A impermeabilização de grandes áreas impede a infiltração e recarga dos aquíferos.
A ocupação das áreas rurais tem se intensificado, nos últimos anos com grilagem, invasões e venda irregular de terras. Surgem inúmeras agrupações de vinte a trinta casas nas encostas dos morros. Um sobrevoo sobre as bordas do DF pode comprovar os fatos. A forma de ocupação e instalação das moradias obedece a comportamentos tradicionais: destruir para construir. Desmata-se a área. Limpa-se o terreno com fogo. Deixa-se desnudo o campo. As primeiras chuvas lavam o terreno. Arrastam para os córregos terra, pedras, madeira e lixo normalmente jogado no chão. As múltiplas gramíneas do cerrado, aptas a deter a água da chuva e abrigar a biodiversidade, desaparecem. É o começo do deserto.
O abastecimento de água se faz por poços tubulares ou artesianos por empresas de perfuração nem sempre autorizadas pela Adasa. Quase nenhuma preocupação transparece para a preservação da vegetação nativa e a detenção das águas da chuva para conservação das nascentes. Para ocupar uma área é preciso observar três aspectos essenciais: o uso do solo para múltiplas necessidades, a instabilidade climática e a densidade da população.
É possível conviver com o cerrado. Preservo, há quarenta anos, uma área de 70 hectares às margens do Ribeirão das Lajes, na bacia hidrográfica do Rio Santo Antônio do Descoberto, ao sul do Distrito Federal. Um denso tapete de gramíneas, a conservação da vegetação nativa, protegida por centenas de pequenas barragens de detenção das águas da chuva, propiciam a infiltração e a recarga dos aquíferos. Mesmo durante as chuvas, resultado da conservação da densa vegetação, as águas dos córregos dessa área preservada desembocam limpas no Ribeirão das Lajes que desce sujo e poluído pela ação descuidada dos moradores.
As dificuldades econômicas crescentes, o custo da habitação, os consequentes impostos a ela vinculados e o crescimento da população do DF propiciam a ocupação inadequada e desordenada de áreas de proteção ambiental.
A peculiaridade da conservação do solo no DF indica que um plano de ocupação ecológica deve ser posto em prática no sentido de orientar a ocupação impulsionada pelo crescimento populacional.
Os órgãos de decisão precisam decidir. As pessoas não conseguem ver o precipício até que esteja diante delas. As políticas econômicas podem ter resultados deseducadores. A cegueira ecológica dos administradores e dos cidadãos ocasiona consequências desastrosas.
A Secretaria de Meio Ambiente, a Adasa, a Caesb, o Ibram, a Secretaria de Agricultura têm estrutura e técnicos especializados. Podem oferecer orientação adequada aos moradores para a conservação da vegetação nativa, a detenção de águas pluviais e preservação de nascentes e cursos de água.
A catástrofe ambiental em curso afeta especialmente os mananciais, a vegetação nativa e ameaça os atuais e os futuros habitantes do DF com a falta de água. Ela poderá ser minorada se um vigoroso plano de preservação ecológica for levado a efeito pelos órgãos responsáveis com o apoio e o interesse da sociedade brasiliense e dos meios de comunicação.



domingo, 8 de fevereiro de 2015

VILÃO HÍDIRCO


(Foto: vocesabia)

Retoma-se a discussão para apontar quais são os setores que mais consomem água. O vilão, nas estatísticas, sempre foi a agricultura, com 72% da água diretamente consumida pela espécie humana. Poucos relacionam o consumo de energia ao consumo da água. Esquece-se até que a água produz energia elétrica fazendo rodar geradores.
Para gerar um KW de energia são necessários 6.660 litros de água, segundo os medidores de usinas hidrelétricas. Em nosso apartamento (duas pessoas), consomem-se, em média, 210 KW/mês. Convertidos em água, somam 1.400.000 litros. Além do consumo relativo à energia, há outras atividades da casa e dos moradores que requerem água, numa proporção de 150 litros per capita, ou mais 9.000 litros. É evidente que a redução do consumo de água deve se dirigir ao uso da energia elétrica.
Nas cidades, vivem 80% da população. Não será o cidadão urbano o vilão escondido que está esvaziando as represas?
As informações sobre uso e consumo de água, no Brasil, refletem apenas os dados coletados em algumas categorias de consumidores e suas atividades. Esses dados refletem o uso direto de água pelas pessoas e nas atividades econômicas. Poucas ou raríssimas vezes faz-se relação entre o uso da água e tamanho da população.
Todas as categorias mencionadas nos relatórios estatísticos são aspectos de um único usuário final da água: o cidadão. A água gasta para produzir automóveis, ou soja, ou leite, ou carne tem como objetivo final a sobrevivência, a reprodução e o bem-estar da população. Por exemplo: que volume de água é necessário para construir um automóvel que será usado pelo cidadão? Que volume de água é necessário para levar um bovino aos 400 quilos? Na agricultura, o mais nefasto talvez não seja o que se tira do subsolo, mas o que nele se introduz poluindo águas.
Uma importante relação entre água e energia é feita de maneira a encobrir a realidade dos dados apresentados. É verdade que todas as atividades humanas poderiam ser realizadas com menos consumo de água. Na agricultura, na fabricação de automóveis, na construção civil gasta-se mais água do que é mencionado nas estatísticas. Por quê? Porque não se faz a relação entre água e geração de energia elétrica.
Alguns exemplos podem ilustrar o verdadeiro volume de água gasta em algumas atividades. Vamos aceitar um dado referencial mencionado por cientistas da produção de energia elétrica: 6.660 litros de água para produzir um KW.
Um horticultor que irrigue um hectare de hortaliças com 10.000 litros de águas (1 l/m2) e use um motor elétrico que gaste 10 KW por dia. O consumo direto de água será acrescido de 66.660 litros que se referem indiretamente à produção de energia. Nesse dia, o horticultor gastará 76.660 litros ou 76 m3. Se só utilizar esse volume durante 52 semanas (um ano) seu consumo de água para oferecer hortaliças ao Ceasa será de 3,98 milhões de litros ou 3,98 mil m3.
O horticultor é um cidadão comum e usa água para outras finalidades do dia a dia. Como todo cidadão tem “direito” a 120 litros/dia. Terá consumido, no ano, 43.800 litros ou 43 m3. Somado o custo de 60 KW mês que gasta para diferentes fins, o consumo de água se acresce de 4,7 milhões de litros ou 4,7 mil m3. O consumo anual de água do cidadão, direta e indiretamente, estará próximo a 4,9 milhões de litros ou 4,9 mil m3.
Em conclusão: para produzir hortaliças, gasta 3,98 mil m3. Para satisfazer suas necessidades individuais, gasta 4,91 mil m3, num total de 8,89 mil m3.
Em ambos gastos, o consumo indireto de água é maior do que o consumo direto. Fato que induz a que a redução do consumo de água depende da redução do consumo de energia gerada pela água.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CAUSAS MÚLTIPLAS DA FALTA DE ÁGUA




As dificuldades de acesso à água na região Sudeste e outras regiões do país são consequências de muitas causas.
– Mudanças climáticas não previstas ou mal interpretadas que interferem no regime de chuvas, não necessariamente na quantidade.
– Localização dos lagos de reserva e armazenamento sem rede de conexão entre eles.
– Desmatamento progressivo das áreas de recarga, queimadas, redução da umidade do ar e desvio de ventos que conduzem os rios voadores (nuvens carregadas de água).
– Urbanização densa por crescimento da população e aumento gradativo do consumo diante da oferta fixa e limitada.
– Impermeabilização de extensas áreas, obstáculos diversos para escoamento e direcionamento das águas produzem inundações sem armazenamento aproveitável.
Em conclusão: há uma oferta anual fixa da chuva e de mananciais para abastecer uma demanda múltipla crescente pelo aumento da população urbana, dos serviços inerentes à sua sobrevivência e a de todos os demais seres vivos vegetais e animais. A biodiversidade e a interdependência dos seres vivos são afetadas causando dificuldades a todos as espécies da biocomunidade.
Não sendo possível reduzir em curto prazo a população ou removê-la para outras regiões, a medida imediata é o racionamento universal (individual e coletivo) da água.
A medida racional é a captação da água da chuva em pontos diversificados e com técnicas adequadas aplicáveis a casas, prédios e ruas, no campo e nas cidades.
Os custos serão variáveis, mas enormes, em consequência das práticas de produção de alimentos, do estilo e modelo de urbanização agravados pelo aumento da população.


28.1.2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

CHUVAS 2013 E 2014

Contrastes ou contradições do tempo.
Chuva e falta de água ao mesmo tempo. Conta da luz mais cara.
Vejam os números coletados no pluviômetro que a Agência Nacional de Águas instalou em meu Sítio das Neves (DF).
Volume de chuva de janeiro a dezembro de 2013: 2.391 mm
Volume de chuva de janeiro a dezembro de 2014: 1.677 mm
Diferença a menor em 2014: 714 mm
1 mm equivale a 1 litro por m2.
Quer dizer que em 2014 cada m2 deixou de receber 714 litros de água.
A água que falta aqui no Planalto Central e as trombas de água que caem sobre S Paulo fazem parte das mudanças climáticas.
É tempo de acordar, pátria amada.
O ministério mais ausente é o do meio ambiente.
Neste ano, na COP/PARIS, a delegação do Brasil será a maior.