segunda-feira, 3 de agosto de 2026

GRIL.AGEM DE TERRAS NO DISTRITO FEDERAL

 

TECNOLOGIA – BUROCRACIA – (IN)EFICIÊNCIA

GRIL.AGEM DE TERRAS NO DISTRITO FEDERAL

É tema recorrente na imprensa falada, escrita e televisionada a denúncia impotente de ocupações irregulares de ecossistemas, muitas vezes com o apoio ou incapacidade dos órgãos públicos de fiscalização ou orientação de grupos imobiliários que oferecem facilidade para perfuração de poços artesianos. A grilagem é o comportamento brasiliense tradicional invasivo, à revelia da lei e afronta o sistema de controle e vigilância da administração pública do Governo do Distrito Federal. Um jogo conturbado de invasão, construção clandestina e consequente remoção de estruturas levantadas por invasores.

O DF Legal criou a Secretaria Executiva de Inteligência para ¨ampliar a capacidade de identificar os responsáveis por invasões denunciadas pela população e entidades ambientalistas¨.

Fotos de satélite poderiam cobrir toda a extensão dos 5.822 km2 do Distrito Federal para detecção e avaliação de áreas indevidamente ocupadas. Diante das imagens, os orientadores dos órgãos administrativos levariam sugestões, propostas e requisitos definidos no Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), sabiamente indicado para a ocupação de ecossistemas e proteção do Cerrado.

A ferramenta LIDAR (Light Detection and Ranging), utilizada na Amazônia, oferece tecnologia adequada com detalhes que mostram a forma como o solo e a água são usados, para manter a vegetação nativa cumprindo sua tarefa. Pode sugerir mudanças no uso de poços artesianos para não interferir nos aquíferos e limitar a vazão das nascentes e oferecer táticas de detecção das águas pluviais para recarga dos lagos interiores. Esta atuação inteligente evitaria conflitos administrativos e orientaria a proteção de áreas sensíveis como são os ecossistemas do Cerrado. O papel da Polícia Civil deve ter ação auxiliar e não ser o principal interventor para demolir barracos e multar invasores.

Estabelecer um sistema de harmonia, interdependência e interação com a natureza é essencial para a saúde e felicidade de quem ocupa e usa o solo e a água.  Enriquece o ecossistema com a enternecedora convivência da biodiversidade vegetal e animal.

A ciência atual possui ferramentas tecnológicas que permitem conhecer a história de ações humanas, em detalhes impressionantes e estimulantes, ocorridas há mais de 3.000 anos. Por certo, dará maior eficiência aos atos e decisões técnicas e burocráticas de nossa era antropocênica. Proteger a rede da vida no planeta Terra é função de humanos e não humanos para garantir a paz.  O planeta Terra tem leis físicas que o dirigem e o protegem, há bilhões de anos, e não se responsabiliza pela autodestruição da espécie humana.  

OS GEOGLIFOS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

Levantamento com a ferramenta LIDAR, (Light Detection and Ranging) é uma tecnologia de sensoriamento remoto ativo que mede distâncias e cria modelos tridimensionais de alta precisão por meio de pulsos de luz laser. já utilizada nas florestas milenares do México. O sistema de detecção LIDAR revelou geoglifos ocultos nas florestas do sudoeste da Amazônia brasileira.  Uma forma de escrita geométrica no solo cujo significado cultural remonta aos hieróglifos egípcios.

Geoglifos são grandes estruturas geométricas escavadas no solo, formadas por valetas e muretas que cobrem áreas de 1 a 3 hectares, com profundidades de fossos de até 5 metros. Datam de mais de mil anos. numa área de 4.597 km2, nos arredores da cidade de Rio Branco e Boca do Acre.

A revista Nature, do mês de julho, confirma que foram detectados por pesquisadores da Universidade de Helsinque, Finlândia, 432 locais terraplanados em área habitada pela extinta civilização Aquiry. Esses geoglifos amazônicos, presume-se, funcionavam como centros cerimoniais, políticos e de encontro público. O auge da civilização Aquiry, é estimado entre 100 e 300 anos (d.C.), com uma população de 3 milhões de pessoas, numa área de 183 mil km2 (duas vezes a área do Estado de Santa Catarina). O arqueólogo Martti Pärssinen, do Instituto Ibero-americano da Finlândia, sediado em Madri, colabora com a equipe brasileira da Universidade do Amazonas e é um dos autores do trabalho com as novas datações dos geoglifos acreanos.  (Revista Fapesp, Edição 186, agosto 2003).