domingo, 18 de outubro de 2026

O LAMENTO DA ÁRVORE

 

O LAMENTO DA ÁRVORE

No dia em que o Homem-serra esqueceu que,

numa tarde abrasadora, dormiu à sombra de um Jatobá,

ouvi, entristecido, o Lamento da Árvore, que transplantei

há 20 anos.

 

Nasci sem ser plantada, num lugar quieto do Cerrado.

Ainda novinha, mão amiga me levou para crescer na cidade.

Adaptei-me ao barulho de automóveis,

Levantei seis braços, tomei sol e chuva.

Fiz sombra a uma Crista-de-galo com flores vermelhas.

Alguns anos passaram, meus galhos cresceram.

Dei abrigo ao Saruê. O bentevi e o sabiá se aninharam.

De madrugada eles cantavam, antes do Sol nascer.

Da janela, uma voz me dava bom-dia

E sua mão tocava minhas folhas.

Noites longas, de olhos abertos

Olho a Lua e as estrelas que passam de vagar.

Durante o dia, minhas folhas recolhiam a poeira do ar.

Um dia, de súbito, o homem-serra, de rosto vermelho,

Montado numa escada de ferro,

decepa meu braço que olhava o nascer do Sol,

depois amputa, sem rubor, o braço que olhava o pôr do Sol.

Sem pena, cortou o terceiro braço que admirava o Norte.

Indiferente, foi ao braço que mirava o Sul e o derrubou.

Insatisfeito, estraçalhou o galho central que contava estrelas.

Mutilada viva, chorei! Minhas lágrimas rolaram pelo tronco

E caíram sobre as flores da Iris-roxa que floresce em outubro.

 Murmurei, trêmula, ao Homem-serra de rosto vermelho:

- Uma árvore é só uma árvore, faz bem a humanos e não humanos.

- A árvore, Homem-serra, também tem alma.

17 de outubro de 2026

UMA PERGUNTA FATAL!

 HILKKA, O TEMPO PASSA!

Muitos anos de vida

VOCÊ ESTÁ PARA NOSSA FELICIDADE!  

UMA PERGUNTA FATAL!

Aos 34 anos, recebi uma pergunta fatal:

Vous n´est-pas d´accord?

Essa pergunta mudou minha história.

Era dia 25 do mês de maio de 1968, em Paris.

Atravessei o Jardim de Luxemburgo e ganhei a Rue Vaugirard, no Quartier Latin. Vi uma jovem encostada ao muro da calçada e, diante do rumor da Rue Saint Michel e sirenes policiais, fiz a ela um gesto negativo com a cabeça.

Olhou-me ela, e me fez a pergunta fatal: ─ Vous n´est-pas d´accord?

Você não está de acordo?

Não eram os estudantes do Movimento de Maio de 1968 que me contrariavam. Aos 34 anos, eu acabava de sair da selva obscura de dogmas, de verdades impositivas e do medo da liberdade.

Havia vislumbrado um tentador caminho da liberdade de pensar, de ser e de viver o milagre da vida. A jornalista percebeu ou intuiu meu subliminar desacordo existencial.

Obrigado, Hilkka Mäki! Bodas de Lapis-lazuli. Nossos 57 anos de caminhada, com nossa filha Aino Alexandra, nossas netas Luiza e Laura, salvamos da destruição impiedosa, em pleno Cerrado do Distrito Federal, um pedacinho do planeta, para desfrutar da paz humana, das vidas não humanas, da serena alegria das árvores, do sorriso das flores e do tagarelar de aves.

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CURRICULO EUGÊNIO GIOVENARDI

 CURRICULO - EUGÊNIO GIOVENARDI

Eugênio Giovenardi, 92 (1934), natural de Casca, RS. É filósofo pela Faculdade Particular de Ijuí (RS); teólogo pela Faculdade de Teologia de Porto Alegre, RS; sociólogo pela UFIGS, Licenciado pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialização em Desenvolvimento Cooperativo – College Coopérative – Instituto de Altos Estudos da Universidade de Paris – 1967/1969 – Pós graduado em Economia do Desenvolvimento pela Universidade Tecnológica de Loughborough, Inglaterra, 1971/1972. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, 2003, Em nome do sangue (romance).. Reside em Brasília, DF, desde 1972. Consultor aposentado da Organização Internacional do Trabalho (OIT/PNUD). Desde 1974, dedica-se à ecossociologia e regeneração do Cerrado. Agraciado pela Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano e do ECOMUSEU PEDRA FUNDAMENTAL por trabalhos prestados à Arte e Cultura do Planalto Central do Brasil, 2024. Agraciado, na categoria escritor e filósofo, com a medalha da Ordem ROSA BRANCA pelo Governo da Finlândia, em 2025. É acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico/Distrito Federal e da Academia de Letras do Brasil.

Casado com a jornalista e tradutora finlandesa Hilkka Mäki, também agraciada pela Ordem Rosa Branca. Tem uma filha, Aino Alexandra e duas netas, Luiza e Laura.

 

eugeniogiovenardi@gmail.com

Blog – O OBSERVADOR – eugeobservador.blogspot.om

+55 61 9 9981 2807

 

CHUVAS DE SETEMBRO▬ ANOS 2012 a 2026

 

CHUVAS DE SETEMBRO▬ ANOS 2012 a 2026

BIOCOMUNIDADE SÍTIO NEVES – BR 060 – KM 26 – DF –

RESERVA PERPÉTUA DO PATRIMÔNIO NACIONAL DESDE 2023

CHUVAS em milímetros ─ 1 mm = 1 litro/m2  

Mês

SETEMBRO-2026

Dia

7h

1

 0

2

0,9 

3

3,7

4

 1,0

5

 7,7

6

 1,0

7

 18,7

8

 0

9

 16,0

10

 0

11

 0

12

 0

13

 0

14

 0

15

 0

16

 31,0

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 0

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 0

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 0

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0

27

 0

28

 0

29

 0

30

 0

80,0

  O mês de setembro marca a passagem do equinócio da primavera, ocorrido no dia 22 às 21h05. Duração do dia e da noite: Os momentos de claro e escuro – dia e noite - têm durações quase iguais de 12hs. Neste ano, o mês de setembro de mostrou instável, entremeando calor e frio, com chuvas irregulares na primeira quinzena, mais abundantes na região sul do País

 

 

 

SETEMBRO  DE 2013  A 2026

 ANO                           MM/MÊS           TOTAL/ANO/

2012                                     ---                2.260,0

2013                                      40.5           2.255,6

2014                                      31,8            1.677,5

2015                                      3 1,8           1.642,7

2016                                       39,3          1.921,7

2017                                       10,5          1.478,7

2018                                       32.5          1.760.5

2019                                       20.3          1.069.3

2020                                       14.7          1.787,8

2021                                       16,2          1.710.8

2022                                        63,5          1.279,2 

2023                                       28,2          1.323.4 

2024                                        00,0          1.770,9

2025                                       13,4          1.044,0

2026                                        80,0             789.8 (neste ano - até 30.9.26)

 

Durante 156 meses (13 anos), registro e público os volumes de chuva, captados pelo pluviômetro autorizado pela Agência Nacional de Águas, na área da Bacia Hidrográfica do Ribeirão das Lajes. No mês de setembro de 2024, excepcionalmente, não choveu. Nesse ano, o berço das águas sentiu as mudanças climáticas e a recarga dos aquíferos foi prejudicada.  O aumento de perfurações de poços artesianos na bacia do Ribeirão das Lajes, entre os quilômetros 15 e  27, está provocando redução ão das nascentes e do volume dos córregos que nele desembocam.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

SOPHIA KRONOS, DE PÉS NA ÁGUA.

 SOPHIA KRONOS, DE PÉS NA ÁGUA. 

Anos passados, em visita às ilhas gregas, fiz longas caminhadas ao longo do Canal de Corinto, nas cercanias de Atenas. Visitei um conhecido canto de floresta que o sanitarista Hipócrates (460 a.C.) usava como clínica, ao ar livre e à beira de um córrego de águas cristalinas, para curar enfermos. Sophia Kronos, pés descalços, envolta numa veste talar transparente, recebia os visitantes, respondia perguntas e relatava fatos históricos de curas milagrosas, por imersão do corpo doente nas águas, que desciam da floresta.Perguntei-lhe sobre as orientações do famoso médico e a prática da imersão na água para curar enfermidades de que se queixavam os pacientes. A enfermeira-guia, Sophia, esparramou um sedutor sorriso pelo rosto e resumiu a teoria de Hipócrates sobre a cura hídrica:

¨Todos nós vivemos mergulhados numa bolsa de água, durante nove meses, antes de ver a luz do Sol. Somos feitos de água. A água é geradora de vida, ensinava Hipócrates. E a água, que desce das florestas e se purifica ao bater-se nas pedras, é fonte de saúde, de tranquilidade corporal, de sossego mental e equilíbrio social. Para acalmar uma criança inquieta ou chorona, um dos remédios, sugeria nosso Hipócrates, é lhe oferecer uma bacia, um tanque de água ou levá-la a um riacho. Água da floresta é saúde¨, sorriu novamente a enfermeira Sophia.

Cuidar das águas cristalinas do Cerrado é garantia de saúde, de tranquilidade corporal, de sossego mental e equilíbrio social.

Imagem Imagem: Córrego da Mata Azul, Sitio Neves (Foto: Eugenio Giovenardi



quinta-feira, 20 de agosto de 2026

PROGRAMA COMPENSAÇÃO AMBIENTAL

 PROGRAMA COMPENSAÇÃO AMBIENTAL

 

A compensação ambiental, exigida no licenciamento do uso do solo, é consequente à supressão de vegetação nativa para plantio ou construção. É uma obrigação legal, portanto, de conhecimento do executor da obra. Ela obriga o responsável a recuperar áreas, plantar mudas ou apoiar unidades de conservação, para minorar o dano ecológico causado pelo corte ou queima de árvores ou matas, uso indevido da água, aplicação de produtos químicos poluentes.

Fui convidado por Márcio Schuster, coordenador do grupo Conexão Fauna & Flora - projeto de podcast gravado no Zoológico de Brasília - com o objetivo de debater a preservação do Cerrado, a biodiversidade e a educação ambiental. Analisamos a obrigação legal denominada compensação ambiental.

As perguntas que se apresentam: quantos usuários, quantos mil hectares de florestas abatidas e queimadas foram beneficiados, que tipo de árvores foram plantadas, qual é o resultado ambiental da vegetação nativa sobre os ecossistemas, quantos recursos do tesouro nacional foram empregados, qual o valor das multas pagas e não pagas, quem é responsável pela aplicação e avaliação da obrigação legal da compensação????

A Natureza é um sistema integrado em que os elementos: solo, subsolo, água, ar, temperatura funcionam interligados, interdependentes. A regeneração ambiental se produz, ao longo do tempo, quando todos esses fatores caminham juntos. A compensação ambiental, sem a formação de corredores vegetais inteligentes, que atuem sobre todos os elementos do sistema natural, é um remendo na roupa rasgada. Fecha o buraco, mas fica a cicatriz.

O Podcast, produzido no Zoológico de Brasília, tem aguda simbologia. O Zoo é o solo adequado, traz água do subsolo, alivia a temperatura, purifica o ar. Um ambiente de paz para humanos e não humanos, vegetais e animais.

Os comentários serão divulgados no Youtube, pela Conexão Fauna e Flora. (Participaram: Marcio Schuster - Coordenador, Rayanne França – Mediadora, Professor Silvio Rocco, Chrys, operador).