quarta-feira, 15 de abril de 2026

REFAZIMENTO DO CERRADO

 

REFAZIMENTO DO CERRADO – 21 DE ABRIL DE 1960

66 ANOS DEPOIS 2026

Eugênio Giovenardi, Filósofo, Sociólogo, Escritor.

 

LAGO PARANOÁ E OUTROS LAGOS

Alerta sobre as águas do Lago Paranoá.

Das águas cristalinas da Missão Cruls

ao depósito de águas usadas e contaminadas.

 

Cientistas e ecologistas experientes anunciam alertas, há mais de 50 anos (Conferência de Estocolmo, 1972), sobre as manifestações dos fenômenos físicos de alto poder destruidor que afetam todos os seres vivos.  Espera-se pela tragédia? Ou é possível e urgente um diálogo inteligente com a natureza das coisas? Alguns aspectos desses alertas podem ser enfatizados, para melhor compreensão dos consumidores humanos em suas múltiplas e diferentes atividades necessárias à manutenção da vida. O tempo da natureza não é o tempo de uma espécie viva. É o tempo incomensurável da manutenção da teia do milagre inexplicável da vida.

Minhas observações, ao longo de 52 anos, atinentes à regeneração de uma área degradada de 70 hectares de Cerrado, no Distrito Federal, somam-se aos alertas de especialistas e a explicações dadas por órgãos oficiais. Reter sabiamente, no solo, as águas da chuva é um dos segredos da regeneração dos ecossistemas. Água é o elemento essencial para manutenção da vida. É a prioridade das prioridades. Não há pão sem água. O Lago Paranoá e outras represas que oferecem água potável sofrem a influência de quatro elementos essenciais à vida, à saúde e à reprodução da biodiversidade. Esses elementos não são devidamente relacionados ao se examinar o grau de contaminação das águas. Grandes estruturas, como as represas, construídas pelo engenho humano, para acumular águas em benefício de todos os seres vivos, podem ser enganosas porque mostram volumes aparentemente inesgotáveis.

A natureza, compreendida pela ecologia, se expressa pela linguagem dos ecossistemas que se apresentam com elementos interligados, interativos e interdependentes: solo, subsolo, água, ar, temperatura. Qualquer atividade humana que altere o estado natural do solo repercute sobre todos os elementos do ecossistema e afeta a teia da vida de todos os seres vivos que nele vivem.

A generosidade do bioma Cerrado, como caixa d´água do Brasil, palco da interiorização da capital do país, foi surpreendida pelo ímpeto da migração e crescimento da população. O bioma e os ecossistemas locais que abrigavam, na década de 1950, 12 mil habitantes, no curso de 66 anos, sofrem o impacto abrupto e continuado de três milhões de pessoas. O aumento da população, a intensa urbanização, o manejo descontrolado do território e o desnudamento de terras para exploração agrícola, agravado por queimadas sazonais, alteraram a fisionomia geológica e geográfica regional. Em consequência, romperam-se gravemente as relações interativas e interdependentes do solo, da água, do ar e da temperatura.

Primeiro ponto. Ocupação e uso do solo.

Os especialistas, ouvidos pela BBC News Brasil, foram unânimes em afirmar que, além das medidas para frear o aquecimento do planeta, será necessário pensar em planos de resiliência climática — ou seja, como adaptar moradias, bairros, cidades inteiras e campos de produção de alimentos a eventos como secas, tufões, tornados, inundações, ondas de calor, entre outros.

“No caso do Rio Grande do Sul, precisaremos pensar nos padrões de ocupação e nos tipos de estruturas que permitirão a gente conviver com essas cheias”, antevê engenheiro ambiental Pedro Frediani Jardim. “É o que já se está repensando. Nossos sistemas de proteção contra enchentes ou construção de pontes sobre rios, terão que ser reestudados com garantias de manutenção”, conclui ele.  

O volume de água das represas, em metros cúbicos, medido apenas com réguas estáticas, sem uso de sensores de alta precisão, tanto no Lago Paranoá, quanto na do Rio Descoberto e outros reservatórios situados no Distrito Federal, pode não corresponder à realidade. A extensão física do contorno e do espelho d’água não reflete o real volume do líquido armazenado. O assoreamento dos lagos e rios está sem controle. O estuário Guaíba, no contorno de Porto Alegre e da Lagoa dos Patos (RS), mostrou o resultado do acúmulo de terra levada pelos rios que descem da Serra Gaúcha.

No Distrito Federal, durante seis meses, milhares de metros cúbicos de água das chuvas são levados diretamente ou por dutos subterrâneos aos córregos e lagos. Além de inundar locais sem esgotamento adequado, as águas encontram caminho livre nas áreas urbanizadas, densamente impermeabilizadas, para arrastar aos córregos que alimentam os lagos, milhares de metros cúbicos de terra, mesclados com detritos vegetais e dejetos sólidos.

Segundo ponto. Filtragem das Águas

O grau de pureza da água do Lago Paranoá, demonstrado por sistemas de filtragem, ainda que considerados eficientes, não reflete a realidade da contaminação por fatores externos que se agregam ao volume diário recebido de águas usadas pela população. As águas que descem ao Lago, com vazão indefinida, provêm de córregos desprotegidos e contaminados em sua origem. Os múltiplos bueiros de esgotamento, de difícil manutenção e limpeza, despejam águas usadas nos lagos e represas provenientes de milhares de imóveis de habitação e trabalho, de restaurantes, escolas, hospitais e postos de gasolina. Vive-se num ecossistema enfermo.

Os dados da Caesb ou da Adasa estimam volumes médios por unidade residencial ou per capita, mas não indicam o fabuloso volume de líquido diário que abastece o Lago Paranoá e outros reservatórios. A média de consumo de água por habitante brasiliense, estimada por órgãos de controle hídrico, incluídos todos os serviços urbanos necessários à população, é de 160 litros. Por diferentes dutos, provenientes de banheiros residenciais, cozinhas, lavanderias, hotéis, hospitais, restaurantes, postos de gasolina e outros serviços de limpeza urbana são despejados no Lago Paranoá, diariamente, não menos de 800.000.000 de litros de água infectada de lixo líquido e sólido. A vazão das nascentes do Distrito Federal foi calculada, no período da construção de Brasília, em 9.300 litros, por segundo, o equivalente a 820.800.000 litros/dia. O déficit de água, no DF, é evidente. Milhares de poços artesianos, além do reuso das águas do Lago e da importação dispendiosa de milhares de metros cúbicos da Represa Corumbá IV (GO), complementam a oferta hídrica para diferentes demandas de três milhões de pessoas na cidade e no campo.

Terceiro ponto: Mananciais.

Nascentes e poços artesianos se complementam, mas conflitam. As nascentes morrem quando a vegetação nativa, cuja função é reter as águas da chuva, é eliminada. Os poços artesianos esgotam os aquíferos próximos às nascentes, quando a perfuração não é acompanhada de estudos geológicos para localização dos lagos interiores. No período chuvoso, que se estende por seis meses, as águas contaminadas, que não descem pelos bueiros, desembocam diretamente nos córregos e represas. Bilhões de litros (ou quilos) de água da chuva lavam milhares de prédios e milhões de folhas de árvores cobertas de poeira tóxica. Quilômetros de ruas em declive e áreas de estacionamentos arrastam ao Lago Paranoá, em toda sua vasta extensão, sem controle de filtros, areia, paus e pedras, lixo líquido e sólido, resíduos pulverizados de pneus, óleos lubrificantes deixados nas pistas por milhares de carros. A morfologia da cidade está desenhada, imprudentemente, para expulsar as águas da chuva.

Quarto ponto. Ar/vento.

Desmatamento prévio para exploração agrícola ou projeção da arquitetura urbana, altura e disposição dos prédios, influem e alteram a direção dos ventos. Os ventos não só levantam poeira como espalham elementos tóxicos e os depositam sobre o espelho do Lago ou são respirados pela população, sem filtros de purificação. A contaminação do ar chega sobre toda a extensão do Lago. Doenças respiratórias se infiltram em humanos e não humanos. Nossas casas não são à prova de contaminação diurna e noturna.

Quinto ponto. Luz/temperatura.

No período seco, entre maio e setembro, com clima frio ressequido, associado aos ventos do outono e do inverno, o consumo de água de todos os seres vivos aumenta, para repor a perda hídrica do organismo. São meses de proliferação de doenças respiratórias. As queimadas costumeiras, a fumaça e as cinzas cobrem os espelhos de água e a vegetação, penetram nas residências e se alojam nos pulmões de humanos e não humanos. Nesse período, se opera direta ou indiretamente, pela ação humana uma dupla contaminação nos organismos vivos em todas as águas desprotegidas e na inspiração do ar poluído. Água é vida! Água contaminada gera doenças fatais.

 

O Estado tem o poderio e o poder. O Estado é uma nação de pessoas. O Estado é um pai que manda, permite, controla, reprime, julga, condena, absolve. A cara do pai muda, mas a do Estado, não. Mudam, para bem ou para mal, os que administram o Estado.


segunda-feira, 13 de abril de 2026

SIM, SOMOS TODOS

 SIM, SOMOS TODOS

Quem se responsabiliza ética, moral e sabiamente pela morte de inocentes nas três guerras fratricidas atuais, comandadas por Russia-Putin versus ucranianos, Israel-Netanyahu versus palestinos e libanezes e Hamaz - vice-versa, EEUU-Trump versus Irã, na contra-mão da ONU, paralisada e despoderizada diante de seus financiadoes?
Sim, somos todos humanamente responsaveis pelos mortos, mutilados, órfãos, viúvos e viúvas. Somos todos judeus e americanos; somos todos russos, e palestinos, hamazinos e ucranianos preocupados com o petróleo, o dólar e a bolsa de valores. Somos todos respons[aveis pela paz da fraternidade humana.
Quem perde, diante da irresponsabilidade humana é a vida, a biodiversidade, a beleza física do planeta Terra!
Pitura de Tiziiano, lembrou que a Renascença - a esperança infantil - é o começo do longo caminho para a paz.

domingo, 29 de março de 2026

BATISMO DE PLANTAS

 

BATISMO DE PLANTAS

No dia 28 de marçco de 2026, no Sítio Neves, realizou-se o batismo e identificação  de 35 entes arbóreos  produtores de comida para aves, insetos e animais vegetarianos. As 35 entidades representam milhares de sua espécie que são intrépidos fornecedores de alimentos a outros entes vegetarianos, como abelhas, moscas, borboletas e pássaros hóspedes do Sítio Neves. A presença frequente de um bugio autoritário e resmunguento comprova que o refúgio escolhido é seguro e tem alimento suficiente para reproduizr sua família.

O oficiante da celebração da identificação e batismo dos entes vegetais foi o experiente biólogo Marcelo Kuhlmann.

 Tradição, Significado e Práticas

O batismo e nomeação de plantas é uma prática que une seus nomes e funções de maneira interativa e interdependente a todos os entes vivos humanos e não humanos para celebrar a vida. É um ritual em que a planta recebe o nome  que lhe foi atribuido por estudiosos ou conhecedores das funções interativas de suas propriedades relativas à sutentação e reprodução de outras espécies. Acompanha seu crescimento saudável e fortalece o vínculo entre pessoas e a natureza. O ato de nomear as plantas é uma forma de reconhecimento e respeito, atribuindo-lhe identidade própria e promovendo conexão afetiva com elas.

A idendificação e registro físico, plaquetas afixadas ao tronco, são momentos de  respeito, introspecção, valorização e diálogo com o meio ambiente onde se manifesta a teia da vida. A identificação e registro das plantas é uma celebração de vida e de esperança, reforçando o papel dos indivíduos vegetais, como seres vivos, essenciais  ao equilíbrio emocional e bem-estar físico de todos os entes humanos e não humanos.

Receberam a certidão de batismo os seguintes individuos:

 ARAÇÁ, BACUPARI, BATE-CAIXA, FAVEIRA, EMBIRUÇU, COQUINHO-CATOLÉ, PAU-DE-ARARA, CANELA -DE- EMA, IPÊ-AMARELO, IPÊ-VERDE, CARVOEIRO, BOLSINHA-DE-PASTOR, MATA-CACHORRO, PEQUI, JATOBÁ-DO-CERRADO, LIXEIRINHA, MAMA-CADELA, MANDIOCÃO, MARMELADA-DE-CAVALO, TUCANEIRO, PAU-TERRA, PAU-SANTO, PAU-DOCE, PAU-DE-LEITE, PAU-BOSTA, MURICI-ROSA, CANELA-DE-VELHO, MANGABA, AMARGOSINHO, PIMENTA-DE-MACACO, INGÁ-DE-METRO, PIXIRICA, PAU-DE-SOBRE, VASSOURA-DE-BRUXA.

 Imagens. Fotos de Marcelo Kuhlmann, Sítio Neves, RA/GAMA/ Engenho das Lajes, DF.

sexta-feira, 20 de março de 2026

NÓS E ELES – SOMOS CONTEMPORÂNEOS INTEMPORAIS

 

NÓS E ELES – SOMOS CONTEMPORÂNEOS INTEMPORAIS

                       Tópico de meu próximo livro, previsto para junho, 28.

 Nós, humanos, 8,5 bilhões, eles, não humanos, 80 bilhões, todos consumimos bens gratuitos do planeta Terra.

Toda vez que se fala de crise climática, a conversa gira em torno de números alarmantes, seguidos de um percentual. Milhares de hectares ou quilômetros desmatados e queimados, toneladas de carbono, tantos graus de aquecimento, local e global, cidades arrasadas, mortes prematuras. Propõem-se metas numéricas de emissões de carbono. Enumeram-se as fontes renováveis de energia. Tudo isso é dito e escrito para os sapiens que leem e ouvem as ameaças e resultados dos incontroláveis fenômenos físicos – tempestades, raios, tornados, furacões ou guerras fratricidas – como se afetassem exclusivamente a espécie humana.

As informações e os riscos são reais e diariamente relatados. A quem esses dados preocupantes são dirigidos e sobre quem desabam os efeitos desses fenômenos físicos? Telhados voam. Casas, estradas, pontes, cidades destruídas, árvores centenárias arrancadas, sistemas elétricos interrompidos, aeroportos fechados e muitas mortes humanas lamentadas, entre os 8,5 bilhões de habitantes nos quatro cantos do planeta.  Mas há outras mortes soterradas por esses fenômenos que ficam sem menção. Os esquecidos dos terremotos, maremotos, incêndios naturais, ou provocados pelas guerras entre humanos, são milhares de vidas não humanas eliminadas da biodiversidade. Poucos perguntam: ¨e os não humanos, animais e vegetais? Como são lembrados eles nos destroços de um furacão? Para que ou a quem servem os humanos? Para que ou a quem servem os não humanos? ¨

A teia da vida engloba todos os seres vivos. A biodiversidade é o mais fascinante milagre da natureza e constitui a mais preciosa riqueza do planeta. Na tragédia ecológica recente, no RGS, dezenas de aviários e pocilgas, além de currais foram levados pelo vento e pelas águas das inundações e com eles milhares de vidas domesticadas. Mas nada se mencionou sobre milhares ou milhões de animais terrestres desprevenidos que vivem em sistemas de produção de alimentos nas áreas atingidas, no centro desses setores que mais emitem gases de efeito estufa e em áreas densamente urbanizadas. Os dados são da Food and Agriculture Organization (FAO) da ONU, 2025. E quase nenhuma política climática considera o bem-estar desses bilhões de seres que compõem a biodiversidade global.

Todo mundo sabe que a pecuária industrial é uma grande fonte de emissões. No Brasil, ¾ (três quartos) de todas as emissões vêm do sistema alimentar. Governos criam acordos. Empresas anunciam metas. Mas os animais são tratados como números. Como "unidades emissoras". Como parte de uma equação de carbono, não como seres vivos.

Poucos ainda perguntam: "Em que condições esses entes vegetais ou animais vivem? A escala atual do uso do solo, para produzir alimentos ou cobri-lo com o manto impermeável da urbanização, será compatível com o planeta que se pretende salvar?¨ Enquanto essas perguntas não forem respondidas, o sistema segue inalterado. O aparecimento de vírus e bactérias parece indicar o desequilíbrio das interações e interdependências no conjunto das manifestações de sobrevivência e reprodução da complexa biodiversidade. O equilíbrio ou desequilíbrio das interações entre os seres da biodiversidade têm a ver com o uso inadequado do solo para produção de alimentos, do subsolo para exploração de minerais, da urbanização intensa e desertificadora que altera cursos de água e expulsa populações nativas dos ecossistemas milenares. Em consequência, afetam-se a direção dos ventos e a qualidade do ar. Desequilibram-se as temperaturas e os fenômenos físicos incontroláveis se produzem com mais irregularidade e intensidade.

Produzir e consumir, a relação entre esses dois atos se dá entre a procura instintiva e impulsiva do ser vivo para sobreviver e se reproduzir. A oferta disponível e gratuita da natureza se apresenta em diversificadas formas para humanos e não humanos. A oferta de bens produzidos por técnicas e tecnologias originadas da ação inventiva da espécie sapiente é também compartilhada por humanos e não humanos.

Captura ou coleta constituem a primeira relação natural de subsistência. A segunda é induzida pela oferta artificialmente criada, não gratuita, para satisfazer desejos provocados, aliados culturalmente às necessidades de sobrevivência. A oferta produzida pela intervenção humana está relacionada com a substituição de vegetação nativa por espécies modificadas, desflorestação, uso intensivo de água, criação e abate de animais domesticados. As vítimas da oferta de proteínas de origem animal ou vegetal são milhares de espécies arbóreas, lenhosas e gramíneas protetoras do solo ou milhões de espécies animais, ocultas ou desconhecidas e as destinadas ao abate.

A relação produção/consumo, especificamente de seres humanos, tende a se intensificar com o aumento regional ou global da população humana, hábitos e costumes culturais dos diferentes povos e das condições climáticas variantes do planeta Terra. O consumo direto de alimentos per capita, calculado em um kg diário, em 1970, era de 3.7 bilhões de quilos/dia. Aplicando o mesmo critério, o consumo de alimentos, em 2026, é de 8,5 bilhões de quilogramas/dia.        

Segundo informações da FAO (Food and Arigricultural Organization) estima-se uma população de seres consumidores não humanos em mais de 80 bilhões que se alimentam da diversificada oferta disponível da natureza. Ao grito do diretor da ONU, Antonio Guterres, decretando a ¨falência hídrica do planeta¨, há que se temer a não menos verdadeira ¨falência do solo e do subsolo¨, agressiva e intensamente utilizados pelos processos de exploração agrícola e mineral e da urbanização devastadora para sustentar a espécie sapiens em detrimento da biodiversidade.

Os que herdarão os débitos e pagarão as dívidas geradas por nosso uso imprudente da riqueza natural do  planeta ainda não nasceram.



sexta-feira, 13 de março de 2026

PRESIDENTE DA FINLÂNDIA CONFERE COMENDA A EUGÊNIO E HILKKA

 

Eugênio Giovenardi recebe Comenda da Ordem da Rosa Branca do Presidente da Finlândia

Notícia publicada no Correio Braziliense (27.2.2026),

por João Pedro Zamora, jornalista estagiário.

 

Ambientalista é o primeiro escritor brasileiro a receber prêmio na história. "Foi uma bela surpresa. Hilkka e eu nos sentimos acolhidos ", disse o também escritor.

O sociólogo, ambientalista e escritor Eugênio Giovenardi e a esposa, Hilkka Mäkki-Giovenardi, jornalista e tradutora, foram condecorados na Embaixada da Finlândia com a Comenda da Ordem da Rosa Branca. Esta comenda é concedida para recompensar méritos civis de cidadãos nacionais ou estrangeiros, e que represente um feito de boas relações para com a Finlândia. A comenda foi concedida pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb, Grão-mestre da Ordem. O evento se tornou ainda mais especial por conta de que Giovenardi é o primeiro escritor brasileiro, na história, a receber essa honraria, que já premiou, no passado figuras como a princesa Ana, do Reino Unido e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Giovenardi é conhecido tanto por suas obras como escritor (32 livros publicados) e por seus trabalhos no campo do ambientalismo, como a transformação do Sítio Neves, em primeira reserva do patrimônio nacional, em caráter perpétuo, no DF, e sua atuação no desenvolvimento rural colombiano em meio às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Por outro lado, Hilkka Mäki, finlandesa, é notória por seus trabalhos de tradução de obras literárias brasileiras para o finlandês, garantindo acesso a autores como Jorge Amado, (Tenda dos milagres, Dona Flor e seus dois Maridos, Gato malhado e Andorinha Sinhá), Érico Veríssimo (Incidente em Antares), Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas), para mais leitores estrangeiros.

Em entrevista ao Correio, Eugênio Giovenardi relatou a experiência de receber a comenda. "Foi uma bela surpresa. Hilkka e eu nos sentimos acolhidos e ficamos felizes de ajudar a firmar ainda mais uma boa relação entre Brasil e Finlândia. Apenas o trabalho em conjunto pode nos ajudar a preservar o meio ambiente para as próximas gerações que ainda não nasceram¨, contou ele.

Texto editado

 Fotos:  Eugênio Giovenardi e Hilkka Mäki, condecorados pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb, recebem a comenda das mãos do embaixador Antti Kaski, na residência da Embaixada da Finlândia, em Brasília, no dia 25 de fevereiro de 2026.





quinta-feira, 5 de março de 2026

SERRINHBA -- DF -- UM CRIME SEM CASTIGO

 

SERRINHA – DF – UM CRIME SEM CASTIGO

 

O crime mais hediondo que está sendo praticado pelos administradores dos três poderes do GDF e pelos deputados distritais – todos têm nome, CPF e CEP – é a destruição catastrófica do ecossistema da área Serrinha/DF e a eliminação impiedosa da biodiversidade generosa de milhões de vidas que ali se abrigam e multiplicam a milhares e milhares de anos.

A centena de nascentes que brotam dos aquíferos está condenada a desaparecer pela força da inépcia, da insânia política, da ignorância e da improbidade dos responsáveis pela preservação do que resta do mais generoso bioma do Hemisfério Sul do planeta Terra.

Nada mais cruel e perigoso do que o poder soberbo de administradores irresponsáveis que não admitem a própria cegueira.

Dizem os especialistas sensatos que é preciso acionar o freio de arrumação nos três poderes da República. Alerto que, na freada, muitas abóboras vão cair e apodrecer na sargeta das ambições frustradas.

 

domingo, 1 de março de 2026

Chuvas de fevereiro, 2026

 

CHUVAS DE FEVEREIRO  ▬  ANOS 2012 a 2026

BIOCOMUNIDADE SÍTIO NEVES – BR 060 – KM 26 – DF -

Em milímetros ─ 1 mm = 1 litro/m2    

 MÊS                                      MM/MÊS           TOTAL/ANO/ MM

 

2012                                         212,4           2.260,0

2013                               –          132,7            2.255,6

2014                               –          173,0            1.677,5

2015                               –          223,2             1.642,7

2016                               -           288,0             1.921,7

2017                               ─          203,8            1.478,7

2018                               –           165,1             1.760.5

2019                               –           238,7            1.069.3

2020                               ─          276,4             1.787,8

2021                                ─         417,2              1.710.8

2022                               ─           200,3              1.279,2 

2023                               ─           245,2             1.323.4 

2024                               ─           311,5             1.770,9

2025                                            82,6             1.044,0

2026                                          160,1                 428,5 (até 28.2.26)

 

Durante 156 meses (13 anos), registro e publico os volumes de chuva, captados pelo pluviômetro autorizado pela Agência Nacional de Águas, na área da Bacia Hidrográfica do Ribeirão das Lajes. Nos últimos 13 anos, as águas do período chuvoso têm sido de altos e baixos volumes. Fevereiro de 2025 foi mês de escassas chuvas, em Brasília. As tempestades arrasadoras e letais em várias regiões do país, pouco ajudam a recarregar os aquíferos em razão do generalizado desmatamento e crescimento da urbanização pela implosão dos ecossistemas. Lembrem-se de Ubá e Juiz de Fora, MG! É lamentável que mais da metade do bioma Cerrado esteja sendo desvirtuado. A regeneração de uma área, para o bom funcionamento de uma floresta, leva mais de 50 anos.

A Biocomunidade Sitio Neves (700.000 m2) registrou, ao longo do mês de fevereiro, 160,1 mm ou litros por m2, perfazendo o total do mês em 112.000.000 litros.  Na área, graças à intensa vegetação nativa, cerca de 90% são retidos no solo e subsolo. A função da vegetação nativa é manter a vazão das nascentes no período de estiagem, quando a umidade do ar baixa a menos de 30%. Nos quatorze fevereiros, a irregularidade das chuvas e as tempestades incontroláveis indicam que a mudança do clima não é apenas um alerta. É uma realidade!  Muitas espécies de plantas, ao contrário da espécie humana sapiens, vêm se adaptando a essas mudanças, atrasando a floração e a frutificação.