quinta-feira, 28 de maio de 2026

58 ANOS DEPOIS

 58 ANOS DEPOIS

Amigos,

No dia 27 de maio de 1968, dei bon-jour a uma jovem finlandesa, na calçada da rua Vaugirard, Quartier Latin, Paris. A saudação dura até hoje, 58 anos de vida a dois. Uma filha e duas netas. 32 livros publicados. 70 hectares de Cerrado perpetuados no Patrimônio Nacional do Distrito Federal.
Paris é tão imortal quanto o plaaneta que nos abriga na imensidão do Cosmo.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

DIA MUNDIAL DOS MUSEUS!

 DIA MUNDIAL DOS MUSEUS!

Cada ser humano é um museu vivo, atual, ambulante, aberto.
Nem sempre é visitado para ser conhecido como ele é!
Olhe as fotos da infância e as da velhice. Lembre de seus primeiros passos. Toque suas mãos generosas.
Leia o que descrevem seus olhos. Caminhe com ele no interior de seus passos e perceba o sentido de suas pegadas.
Somos todos museus ambulantes, atuais, abertos.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

CHUVAS DE ABRIL ▬ ANOS 2012 a 2026

 

CHUVAS DE ABRIL ▬ ANOS 2012 a 2026

BIOCOMUNIDADE SÍTIO NEVES – BR 060 – KM 26 – DF -

Em milímetros ─ 1 mm = 1 litro/m2    

 MÊS                                      MM/MÊS           TOTAL/ANO/ MM

 2012                                         212,4          2.260,0

2013                               –          554,5           2.255,6

2014                               –          371,9           1.677,5

2015                               –          292,2           1.642,7

2016                               -               8,0           1.921,7

2017                               ─             56,7          1.478,7

2018                               –           111,3           1.760.5

2019                               –           180,1           1.069.3

2020                               ─          149,2           1.787,8

2021                                ─           62,2           1.710.8

2022                               ─            74,5            1.279,2 

2023                               ─            73,4            1.323.4 

2024                               ─            52,0            1.770,9

2025                                          116,6            1.044,0

2026                                          52,6                 639,1 (até 30.4.26)

 Durante 156 meses (13 anos), registro e publico os volumes de chuva, captados pelo pluviômetro autorizado pela Agência Nacional de Águas, na área da Bacia Hidrográfica do Ribeirão das Lajes. Nos últimos 13 anos, as águas do período chuvoso têm sido de altos e baixos volumes. ABRIL de 2026 foi mês de escassas chuvas, no Distrito Federal. A média diária de chuvas no mês de abril foi de 1,7 litros por m2. De 2021 a 2026 o berço das águas sentiu as mudanças climáticas e a recarga dos aquíferos foi prejudicada. As tempestades arrasadoras e letais em várias regiões do país, pouco ajudam a recarregar os aquíferos em razão da generalizada deflorestação e aumento das áreas urbanas que implodem os ecossistemas. É lamentável que mais da metade do bioma Cerrado esteja sendo desvirtuado. A regeneração de uma área, para o bom funcionamento de uma floresta, requer mais de 50 anos.Nos últimos seis anos, a redução das chuvas de abril alerta os administradores da água no DF sobre o risco de desaparecerem as nascentes e os mananciais que ainda resistem à saga da indústria imobiliária e dos invasores inescrupulosos.  Nos próximos seis meses a baixa umidade causará doenças respiratórias agravadas com as queimadas tradicionais. A rede hospitalar, já insuficiente no DF, deverá ampliar sua capacidade de prevenção e de atendimento à população.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

MEMORÁVEL DIA DE CRECHE

 MEMORÁVEL DIA DE CRECHE

NA BIOCOMUNIDADE SÍTIO NEVES
O dia em que Laura e Felipe conheceram o Cerrado.
Eles entraram no Cerrado e o Cerrado entrou neles.
A árvore viu o menino.
O menino não viu a árvore.
O menino viu a borboleta.
A borboleta pousou no menino.
A flor do Bate-caixa olhou a menina.
A menina cheirou a flor.
O menino pisou na pedra grande,
A pedra grande não se mexeu.
As piabas do riacho dançaram alegres.
Laura e Felipe deram migalhas de pão
E as piabas beijaram-lhe as mãos.
O menino caminhou na água.
A água lavou o menino.
O menino entrou na floresta.
A floresta entrou no menino.
A menina abraçou a árvore.
A árvore sorriu e o passarinho voou.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

REFAZIMENTO DO CERRADO

 

REFAZIMENTO DO CERRADO – 21 DE ABRIL DE 1960

66 ANOS DEPOIS 2026

Eugênio Giovenardi, Filósofo, Sociólogo, Escritor.

 

LAGO PARANOÁ E OUTROS LAGOS

Alerta sobre as águas do Lago Paranoá.

Das águas cristalinas da Missão Cruls

ao depósito de águas usadas e contaminadas.

 

Cientistas e ecologistas experientes anunciam alertas, há mais de 50 anos (Conferência de Estocolmo, 1972), sobre as manifestações dos fenômenos físicos de alto poder destruidor que afetam todos os seres vivos.  Espera-se pela tragédia? Ou é possível e urgente um diálogo inteligente com a natureza das coisas? Alguns aspectos desses alertas podem ser enfatizados, para melhor compreensão dos consumidores humanos em suas múltiplas e diferentes atividades necessárias à manutenção da vida. O tempo da natureza não é o tempo de uma espécie viva. É o tempo incomensurável da manutenção da teia do milagre inexplicável da vida.

Minhas observações, ao longo de 52 anos, atinentes à regeneração de uma área degradada de 70 hectares de Cerrado, no Distrito Federal, somam-se aos alertas de especialistas e a explicações dadas por órgãos oficiais. Reter sabiamente, no solo, as águas da chuva é um dos segredos da regeneração dos ecossistemas. Água é o elemento essencial para manutenção da vida. É a prioridade das prioridades. Não há pão sem água. O Lago Paranoá e outras represas que oferecem água potável sofrem a influência de quatro elementos essenciais à vida, à saúde e à reprodução da biodiversidade. Esses elementos não são devidamente relacionados ao se examinar o grau de contaminação das águas. Grandes estruturas, como as represas, construídas pelo engenho humano, para acumular águas em benefício de todos os seres vivos, podem ser enganosas porque mostram volumes aparentemente inesgotáveis.

A natureza, compreendida pela ecologia, se expressa pela linguagem dos ecossistemas que se apresentam com elementos interligados, interativos e interdependentes: solo, subsolo, água, ar, temperatura. Qualquer atividade humana que altere o estado natural do solo repercute sobre todos os elementos do ecossistema e afeta a teia da vida de todos os seres vivos que nele vivem.

A generosidade do bioma Cerrado, como caixa d´água do Brasil, palco da interiorização da capital do país, foi surpreendida pelo ímpeto da migração e crescimento da população. O bioma e os ecossistemas locais que abrigavam, na década de 1950, 12 mil habitantes, no curso de 66 anos, sofrem o impacto abrupto e continuado de três milhões de pessoas. O aumento da população, a intensa urbanização, o manejo descontrolado do território e o desnudamento de terras para exploração agrícola, agravado por queimadas sazonais, alteraram a fisionomia geológica e geográfica regional. Em consequência, romperam-se gravemente as relações interativas e interdependentes do solo, da água, do ar e da temperatura.

Primeiro ponto. Ocupação e uso do solo.

Os especialistas, ouvidos pela BBC News Brasil, foram unânimes em afirmar que, além das medidas para frear o aquecimento do planeta, será necessário pensar em planos de resiliência climática — ou seja, como adaptar moradias, bairros, cidades inteiras e campos de produção de alimentos a eventos como secas, tufões, tornados, inundações, ondas de calor, entre outros.

“No caso do Rio Grande do Sul, precisaremos pensar nos padrões de ocupação e nos tipos de estruturas que permitirão a gente conviver com essas cheias”, antevê engenheiro ambiental Pedro Frediani Jardim. “É o que já se está repensando. Nossos sistemas de proteção contra enchentes ou construção de pontes sobre rios, terão que ser reestudados com garantias de manutenção”, conclui ele.  

O volume de água das represas, em metros cúbicos, medido apenas com réguas estáticas, sem uso de sensores de alta precisão, tanto no Lago Paranoá, quanto na do Rio Descoberto e outros reservatórios situados no Distrito Federal, pode não corresponder à realidade. A extensão física do contorno e do espelho d’água não reflete o real volume do líquido armazenado. O assoreamento dos lagos e rios está sem controle. O estuário Guaíba, no contorno de Porto Alegre e da Lagoa dos Patos (RS), mostrou o resultado do acúmulo de terra levada pelos rios que descem da Serra Gaúcha.

No Distrito Federal, durante seis meses, milhares de metros cúbicos de água das chuvas são levados diretamente ou por dutos subterrâneos aos córregos e lagos. Além de inundar locais sem esgotamento adequado, as águas encontram caminho livre nas áreas urbanizadas, densamente impermeabilizadas, para arrastar aos córregos que alimentam os lagos, milhares de metros cúbicos de terra, mesclados com detritos vegetais e dejetos sólidos.

Segundo ponto. Filtragem das Águas

O grau de pureza da água do Lago Paranoá, demonstrado por sistemas de filtragem, ainda que considerados eficientes, não reflete a realidade da contaminação por fatores externos que se agregam ao volume diário recebido de águas usadas pela população. As águas que descem ao Lago, com vazão indefinida, provêm de córregos desprotegidos e contaminados em sua origem. Os múltiplos bueiros de esgotamento, de difícil manutenção e limpeza, despejam águas usadas nos lagos e represas provenientes de milhares de imóveis de habitação e trabalho, de restaurantes, escolas, hospitais e postos de gasolina. Vive-se num ecossistema enfermo.

Os dados da Caesb ou da Adasa estimam volumes médios por unidade residencial ou per capita, mas não indicam o fabuloso volume de líquido diário que abastece o Lago Paranoá e outros reservatórios. A média de consumo de água por habitante brasiliense, estimada por órgãos de controle hídrico, incluídos todos os serviços urbanos necessários à população, é de 160 litros. Por diferentes dutos, provenientes de banheiros residenciais, cozinhas, lavanderias, hotéis, hospitais, restaurantes, postos de gasolina e outros serviços de limpeza urbana são despejados no Lago Paranoá, diariamente, não menos de 800.000.000 de litros de água infectada de lixo líquido e sólido. A vazão das nascentes do Distrito Federal foi calculada, no período da construção de Brasília, em 9.300 litros, por segundo, o equivalente a 820.800.000 litros/dia. O déficit de água, no DF, é evidente. Milhares de poços artesianos, além do reuso das águas do Lago e da importação dispendiosa de milhares de metros cúbicos da Represa Corumbá IV (GO), complementam a oferta hídrica para diferentes demandas de três milhões de pessoas na cidade e no campo.

Terceiro ponto: Mananciais.

Nascentes e poços artesianos se complementam, mas conflitam. As nascentes morrem quando a vegetação nativa, cuja função é reter as águas da chuva, é eliminada. Os poços artesianos esgotam os aquíferos próximos às nascentes, quando a perfuração não é acompanhada de estudos geológicos para localização dos lagos interiores. No período chuvoso, que se estende por seis meses, as águas contaminadas, que não descem pelos bueiros, desembocam diretamente nos córregos e represas. Bilhões de litros (ou quilos) de água da chuva lavam milhares de prédios e milhões de folhas de árvores cobertas de poeira tóxica. Quilômetros de ruas em declive e áreas de estacionamentos arrastam ao Lago Paranoá, em toda sua vasta extensão, sem controle de filtros, areia, paus e pedras, lixo líquido e sólido, resíduos pulverizados de pneus, óleos lubrificantes deixados nas pistas por milhares de carros. A morfologia da cidade está desenhada, imprudentemente, para expulsar as águas da chuva.

Quarto ponto. Ar/vento.

Desmatamento prévio para exploração agrícola ou projeção da arquitetura urbana, altura e disposição dos prédios, influem e alteram a direção dos ventos. Os ventos não só levantam poeira como espalham elementos tóxicos e os depositam sobre o espelho do Lago ou são respirados pela população, sem filtros de purificação. A contaminação do ar chega sobre toda a extensão do Lago. Doenças respiratórias se infiltram em humanos e não humanos. Nossas casas não são à prova de contaminação diurna e noturna.

Quinto ponto. Luz/temperatura.

No período seco, entre maio e setembro, com clima frio ressequido, associado aos ventos do outono e do inverno, o consumo de água de todos os seres vivos aumenta, para repor a perda hídrica do organismo. São meses de proliferação de doenças respiratórias. As queimadas costumeiras, a fumaça e as cinzas cobrem os espelhos de água e a vegetação, penetram nas residências e se alojam nos pulmões de humanos e não humanos. Nesse período, se opera direta ou indiretamente, pela ação humana uma dupla contaminação nos organismos vivos em todas as águas desprotegidas e na inspiração do ar poluído. Água é vida! Água contaminada gera doenças fatais.

 

O Estado tem o poderio e o poder. O Estado é uma nação de pessoas. O Estado é um pai que manda, permite, controla, reprime, julga, condena, absolve. A cara do pai muda, mas a do Estado, não. Mudam, para bem ou para mal, os que administram o Estado.


segunda-feira, 13 de abril de 2026

SIM, SOMOS TODOS

 SIM, SOMOS TODOS

Quem se responsabiliza ética, moral e sabiamente pela morte de inocentes nas três guerras fratricidas atuais, comandadas por Russia-Putin versus ucranianos, Israel-Netanyahu versus palestinos e libanezes e Hamaz - vice-versa, EEUU-Trump versus Irã, na contra-mão da ONU, paralisada e despoderizada diante de seus financiadoes?
Sim, somos todos humanamente responsaveis pelos mortos, mutilados, órfãos, viúvos e viúvas. Somos todos judeus e americanos; somos todos russos, e palestinos, hamazinos e ucranianos preocupados com o petróleo, o dólar e a bolsa de valores. Somos todos respons[aveis pela paz da fraternidade humana.
Quem perde, diante da irresponsabilidade humana é a vida, a biodiversidade, a beleza física do planeta Terra!
Pitura de Tiziiano, lembrou que a Renascença - a esperança infantil - é o começo do longo caminho para a paz.

domingo, 29 de março de 2026

BATISMO DE PLANTAS

 

BATISMO DE PLANTAS

No dia 28 de marçco de 2026, no Sítio Neves, realizou-se o batismo e identificação  de 35 entes arbóreos  produtores de comida para aves, insetos e animais vegetarianos. As 35 entidades representam milhares de sua espécie que são intrépidos fornecedores de alimentos a outros entes vegetarianos, como abelhas, moscas, borboletas e pássaros hóspedes do Sítio Neves. A presença frequente de um bugio autoritário e resmunguento comprova que o refúgio escolhido é seguro e tem alimento suficiente para reproduizr sua família.

O oficiante da celebração da identificação e batismo dos entes vegetais foi o experiente biólogo Marcelo Kuhlmann.

 Tradição, Significado e Práticas

O batismo e nomeação de plantas é uma prática que une seus nomes e funções de maneira interativa e interdependente a todos os entes vivos humanos e não humanos para celebrar a vida. É um ritual em que a planta recebe o nome  que lhe foi atribuido por estudiosos ou conhecedores das funções interativas de suas propriedades relativas à sutentação e reprodução de outras espécies. Acompanha seu crescimento saudável e fortalece o vínculo entre pessoas e a natureza. O ato de nomear as plantas é uma forma de reconhecimento e respeito, atribuindo-lhe identidade própria e promovendo conexão afetiva com elas.

A idendificação e registro físico, plaquetas afixadas ao tronco, são momentos de  respeito, introspecção, valorização e diálogo com o meio ambiente onde se manifesta a teia da vida. A identificação e registro das plantas é uma celebração de vida e de esperança, reforçando o papel dos indivíduos vegetais, como seres vivos, essenciais  ao equilíbrio emocional e bem-estar físico de todos os entes humanos e não humanos.

Receberam a certidão de batismo os seguintes individuos:

 ARAÇÁ, BACUPARI, BATE-CAIXA, FAVEIRA, EMBIRUÇU, COQUINHO-CATOLÉ, PAU-DE-ARARA, CANELA -DE- EMA, IPÊ-AMARELO, IPÊ-VERDE, CARVOEIRO, BOLSINHA-DE-PASTOR, MATA-CACHORRO, PEQUI, JATOBÁ-DO-CERRADO, LIXEIRINHA, MAMA-CADELA, MANDIOCÃO, MARMELADA-DE-CAVALO, TUCANEIRO, PAU-TERRA, PAU-SANTO, PAU-DOCE, PAU-DE-LEITE, PAU-BOSTA, MURICI-ROSA, CANELA-DE-VELHO, MANGABA, AMARGOSINHO, PIMENTA-DE-MACACO, INGÁ-DE-METRO, PIXIRICA, PAU-DE-SOBRE, VASSOURA-DE-BRUXA.

 Imagens. Fotos de Marcelo Kuhlmann, Sítio Neves, RA/GAMA/ Engenho das Lajes, DF.