SIM, SOMOS TODOS
O OBSERVADOR
COMENTÁRIOS SEMANAIS SOBRE MEIO AMBIENTE, POLÍTICA, LITERATURA E OUTRAS SUTILEZAS DO COTIDIANO.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
SIM, SOMOS TODOS
domingo, 29 de março de 2026
BATISMO DE PLANTAS
BATISMO DE PLANTAS
No dia 28 de marçco de 2026, no Sítio Neves, realizou-se o batismo e identificação de 35 entes arbóreos produtores de comida para aves, insetos e animais vegetarianos. As 35 entidades representam milhares de sua espécie que são intrépidos fornecedores de alimentos a outros entes vegetarianos, como abelhas, moscas, borboletas e pássaros hóspedes do Sítio Neves. A presença frequente de um bugio autoritário e resmunguento comprova que o refúgio escolhido é seguro e tem alimento suficiente para reproduizr sua família.
O oficiante da celebração da
identificação e batismo dos entes vegetais foi o experiente biólogo Marcelo
Kuhlmann.
O batismo e
nomeação de plantas é uma prática que une seus nomes e funções de maneira
interativa e interdependente a todos os entes vivos humanos e não humanos para
celebrar a vida. É um ritual em que a planta recebe o nome que lhe foi atribuido por estudiosos ou
conhecedores das funções interativas de suas propriedades relativas à sutentação
e reprodução de outras espécies. Acompanha seu crescimento saudável e fortalece
o vínculo entre pessoas e a natureza. O ato de nomear as plantas é uma forma de
reconhecimento e respeito, atribuindo-lhe identidade própria e promovendo
conexão afetiva com elas.
A idendificação
e registro físico, plaquetas afixadas ao tronco, são momentos de respeito, introspecção, valorização e diálogo com
o meio ambiente onde se manifesta a teia da vida. A identificação e registro das
plantas é uma celebração de vida e de esperança, reforçando o papel dos
indivíduos vegetais, como seres vivos, essenciais ao equilíbrio emocional e bem-estar físico de
todos os entes humanos e não humanos.
Receberam a certidão de batismo os seguintes individuos:
sexta-feira, 20 de março de 2026
NÓS E ELES – SOMOS CONTEMPORÂNEOS INTEMPORAIS
NÓS E ELES – SOMOS
CONTEMPORÂNEOS INTEMPORAIS
Tópico
de meu próximo livro, previsto para junho, 28.
Toda vez que se fala de
crise climática, a conversa gira em torno de números alarmantes, seguidos de um
percentual. Milhares de hectares ou quilômetros desmatados e queimados, toneladas
de carbono, tantos graus de aquecimento, local e global, cidades arrasadas,
mortes prematuras. Propõem-se metas numéricas de emissões de carbono. Enumeram-se
as fontes renováveis de energia. Tudo isso é dito e escrito para os sapiens
que leem e ouvem as ameaças e resultados dos incontroláveis fenômenos físicos –
tempestades, raios, tornados, furacões ou guerras fratricidas – como se afetassem
exclusivamente a espécie humana.
As informações e os
riscos são reais e diariamente relatados. A quem esses dados preocupantes são
dirigidos e sobre quem desabam os efeitos desses fenômenos físicos? Telhados
voam. Casas, estradas, pontes, cidades destruídas, árvores centenárias
arrancadas, sistemas elétricos interrompidos, aeroportos fechados e muitas
mortes humanas lamentadas, entre os 8,5 bilhões de habitantes nos quatro cantos
do planeta. Mas há outras mortes soterradas
por esses fenômenos que ficam sem menção. Os esquecidos dos terremotos,
maremotos, incêndios naturais, ou provocados pelas guerras entre humanos, são
milhares de vidas não humanas eliminadas da biodiversidade. Poucos perguntam: ¨e
os não humanos, animais e vegetais? Como são lembrados eles nos destroços de um
furacão? Para que ou a quem servem os humanos? Para que ou a quem servem os não
humanos? ¨
A teia da vida engloba
todos os seres vivos. A biodiversidade é o mais fascinante milagre da natureza
e constitui a mais preciosa riqueza do planeta. Na tragédia ecológica recente,
no RGS, dezenas de aviários e pocilgas, além de currais foram levados pelo
vento e pelas águas das inundações e com eles milhares de vidas domesticadas. Mas
nada se mencionou sobre milhares ou milhões de animais terrestres desprevenidos
que vivem em sistemas de produção de alimentos nas áreas atingidas, no centro desses
setores que mais emitem gases de efeito estufa e em áreas densamente
urbanizadas. Os dados são da Food and Agriculture Organization
(FAO) da ONU, 2025. E quase nenhuma política climática considera o
bem-estar desses bilhões de seres que compõem a biodiversidade global.
Todo mundo sabe que a
pecuária industrial é uma grande fonte de emissões. No Brasil, ¾ (três
quartos) de todas as emissões vêm do sistema alimentar. Governos criam
acordos. Empresas anunciam metas. Mas os animais são tratados como
números. Como "unidades emissoras". Como parte de uma equação de
carbono, não como seres vivos.
Poucos ainda perguntam:
"Em que condições esses entes vegetais ou animais vivem? A escala atual do
uso do solo, para produzir alimentos ou cobri-lo com o manto impermeável da
urbanização, será compatível com o planeta que se pretende salvar?¨ Enquanto
essas perguntas não forem respondidas, o sistema segue inalterado. O
aparecimento de vírus e bactérias parece indicar o desequilíbrio das interações
e interdependências no conjunto das manifestações de sobrevivência e reprodução
da complexa biodiversidade. O equilíbrio ou desequilíbrio das interações entre
os seres da biodiversidade têm a ver com o uso inadequado do solo para produção
de alimentos, do subsolo para exploração de minerais, da urbanização intensa e
desertificadora que altera cursos de água e expulsa populações nativas dos
ecossistemas milenares. Em consequência, afetam-se a direção dos ventos e a
qualidade do ar. Desequilibram-se as temperaturas e os fenômenos físicos incontroláveis
se produzem com mais irregularidade e intensidade.
Produzir e consumir, a
relação entre esses dois atos se dá entre a procura instintiva e impulsiva do
ser vivo para sobreviver e se reproduzir. A oferta disponível e gratuita da
natureza se apresenta em diversificadas formas para humanos e não humanos. A
oferta de bens produzidos por técnicas e tecnologias originadas da ação
inventiva da espécie sapiente é também compartilhada por humanos e não humanos.
Captura ou coleta
constituem a primeira relação natural de subsistência. A segunda é induzida pela
oferta artificialmente criada, não gratuita, para satisfazer desejos provocados,
aliados culturalmente às necessidades de sobrevivência. A oferta produzida pela
intervenção humana está relacionada com a substituição de vegetação nativa por
espécies modificadas, desflorestação, uso intensivo de água, criação e abate de
animais domesticados. As vítimas da oferta de proteínas de origem animal ou
vegetal são milhares de espécies arbóreas, lenhosas e gramíneas protetoras do
solo ou milhões de espécies animais, ocultas ou desconhecidas e as destinadas
ao abate.
A relação produção/consumo,
especificamente de seres humanos, tende a se intensificar com o aumento
regional ou global da população humana, hábitos e costumes culturais dos diferentes
povos e das condições climáticas variantes do planeta Terra. O consumo direto
de alimentos per capita, calculado em um kg diário, em 1970, era de 3.7 bilhões
de quilos/dia. Aplicando o mesmo critério, o consumo de alimentos, em 2026, é
de 8,5 bilhões de quilogramas/dia.
Segundo informações da FAO
(Food and Arigricultural Organization) estima-se uma população de seres consumidores
não humanos em mais de 80 bilhões que se alimentam da diversificada oferta disponível
da natureza. Ao grito do diretor da ONU, Antonio Guterres, decretando a
¨falência hídrica do planeta¨, há que se temer a não menos verdadeira ¨falência
do solo e do subsolo¨, agressiva e intensamente utilizados pelos processos de exploração
agrícola e mineral e da urbanização devastadora para sustentar a espécie sapiens
em detrimento da biodiversidade.
Os que herdarão os débitos
e pagarão as dívidas geradas por nosso uso imprudente da riqueza natural
do planeta ainda não nasceram.
sexta-feira, 13 de março de 2026
PRESIDENTE DA FINLÂNDIA CONFERE COMENDA A EUGÊNIO E HILKKA
Eugênio Giovenardi recebe Comenda da
Ordem da Rosa Branca do Presidente da Finlândia
Notícia publicada no Correio
Braziliense (27.2.2026),
por João Pedro Zamora, jornalista
estagiário.
Ambientalista é o primeiro escritor brasileiro a receber prêmio na história. "Foi uma bela surpresa. Hilkka e eu nos sentimos acolhidos ", disse o também escritor.
O sociólogo, ambientalista e escritor Eugênio Giovenardi e a esposa, Hilkka Mäkki-Giovenardi, jornalista e tradutora, foram condecorados na Embaixada da Finlândia com a Comenda da Ordem da Rosa Branca. Esta comenda é concedida para recompensar méritos civis de cidadãos nacionais ou estrangeiros, e que represente um feito de boas relações para com a Finlândia. A comenda foi concedida pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb, Grão-mestre da Ordem. O evento se tornou ainda mais especial por conta de que Giovenardi é o primeiro escritor brasileiro, na história, a receber essa honraria, que já premiou, no passado figuras como a princesa Ana, do Reino Unido e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
Giovenardi é
conhecido tanto por suas obras como escritor (32 livros publicados) e por seus
trabalhos no campo do ambientalismo, como a transformação do Sítio Neves, em primeira
reserva do patrimônio nacional, em caráter perpétuo, no DF, e sua atuação
no desenvolvimento rural colombiano em meio às Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).
Por outro lado,
Hilkka Mäki, finlandesa, é notória por seus trabalhos de tradução de obras
literárias brasileiras para o finlandês, garantindo acesso a autores como Jorge
Amado, (Tenda dos milagres, Dona Flor e seus dois Maridos, Gato malhado e Andorinha
Sinhá), Érico Veríssimo (Incidente em Antares), Machado de Assis (Memórias
póstumas de Brás Cubas), para mais leitores estrangeiros.
Em entrevista
ao Correio, Eugênio Giovenardi relatou a experiência de receber a comenda.
"Foi uma bela surpresa. Hilkka e eu nos sentimos acolhidos e ficamos
felizes de ajudar a firmar ainda mais uma boa relação entre Brasil e Finlândia.
Apenas o trabalho em conjunto pode nos ajudar a preservar o meio ambiente para
as próximas gerações que ainda não nasceram¨, contou ele.
Texto editado
quinta-feira, 5 de março de 2026
SERRINHBA -- DF -- UM CRIME SEM CASTIGO
SERRINHA – DF – UM CRIME
SEM CASTIGO
O
crime mais hediondo que está sendo praticado pelos administradores dos três
poderes do GDF e pelos deputados distritais – todos têm nome, CPF e CEP – é a
destruição catastrófica do ecossistema da área Serrinha/DF e a eliminação impiedosa
da biodiversidade generosa de milhões de vidas que ali se abrigam e multiplicam
a milhares e milhares de anos.
A
centena de nascentes que brotam dos aquíferos está condenada a desaparecer pela
força da inépcia, da insânia política, da ignorância e da improbidade dos
responsáveis pela preservação do que resta do mais generoso bioma do Hemisfério
Sul do planeta Terra.
Nada
mais cruel e perigoso do que o poder soberbo de administradores irresponsáveis
que não admitem a própria cegueira.
Dizem os especialistas sensatos que é preciso acionar o freio de arrumação nos três poderes da República. Alerto que, na freada, muitas abóboras vão cair e apodrecer na sargeta das ambições frustradas.
domingo, 1 de março de 2026
Chuvas de fevereiro, 2026
CHUVAS DE FEVEREIRO ▬ ANOS 2012 a 2026
BIOCOMUNIDADE SÍTIO NEVES
– BR 060 – KM 26 – DF -
Em milímetros ─ 1 mm = 1
litro/m2
MÊS
MM/MÊS TOTAL/ANO/ MM
2012 ─ 212,4 2.260,0
2013 –
132,7 2.255,6
2014 –
173,0 1.677,5
2015 –
223,2 1.642,7
2016 -
288,0 1.921,7
2017 ─ 203,8 1.478,7
2018 –
165,1 1.760.5
2019 –
238,7 1.069.3
2020 ─
276,4 1.787,8
2021 ─
417,2 1.710.8
2022 ─
200,3
1.279,2
2023 ─ 245,2
1.323.4
2024 ─
311,5
1.770,9
2025 ─ 82,6 1.044,0
2026 ─ 160,1 428,5 (até 28.2.26)
Durante 156 meses (13 anos), registro e publico os
volumes de chuva, captados pelo pluviômetro autorizado pela Agência Nacional de
Águas, na área da Bacia Hidrográfica do Ribeirão das Lajes. Nos últimos 13
anos, as águas do período chuvoso têm sido de altos e baixos volumes. Fevereiro
de 2025 foi mês de escassas chuvas, em Brasília. As tempestades arrasadoras e
letais em várias regiões do país, pouco ajudam a recarregar os aquíferos em
razão do generalizado desmatamento e crescimento da urbanização pela implosão
dos ecossistemas. Lembrem-se de Ubá e Juiz de Fora, MG! É lamentável que mais da metade do bioma Cerrado
esteja sendo desvirtuado. A regeneração de uma área, para o bom funcionamento
de uma floresta, leva mais de 50 anos.
A Biocomunidade Sitio Neves (700.000 m2) registrou, ao
longo do mês de fevereiro, 160,1 mm ou litros por m2, perfazendo o total do mês
em 112.000.000 litros. Na área, graças à intensa vegetação nativa, cerca de 90% são
retidos no solo e subsolo. A função da vegetação nativa é manter a vazão das
nascentes no período de estiagem, quando a umidade do ar baixa a menos de 30%. Nos quatorze fevereiros, a irregularidade das chuvas e
as tempestades incontroláveis indicam que a mudança do clima não é apenas um
alerta. É uma realidade! Muitas espécies
de plantas, ao contrário da espécie humana sapiens, vêm se adaptando a essas
mudanças, atrasando a floração e a frutificação.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
BIODIVERSIDADE E PAZ
BIODIVERSIDADE E PAZ
A
biodiversidade nas florestas, rios e mares, campos e desertos do planeta é o fundamento
sobre o qual se constrói a paz ambiental e universal. A vida é mensagem lida,
ouvida e sentida por todos os seres vivos. A cadência dos ciclos meteorológicos,
combinando temperaturas e alimentando criaturas vegetais e animais, entre
amores e dores, inspira felicidade e desejo de viver.
Sem
biodiversidade, sem a natural convivência, interação e interdependência de
todos os seres vivos não pode haver paz. Quando os mais fortes impõem seu poder
sobre a biodiversidade perde-se o diálogo, a comunicação e a compreensão da
teia da vida formada e tecida por todos os seres vivos humanos e não humanos.
E
quando uma das espécies, Sáurio ou Sapiens, por um equívoco de comportamento ou
de decisão, impõe seu poder sobre a biodiversidade, amputando-a ou destruindo-a
para sobreviver, não haverá paz e, fatalmente, a espécie desaparecerá. São as coisas
e os fatos da natureza.
A
paz humana depende da biodiversidade no planeta!