TECNOLOGIA – BUROCRACIA – (IN)EFICIÊNCIA
GRIL.
É tema recorrente
na imprensa falada, escrita e televisionada a denúncia impotente de ocupações
irregulares de ecossistemas, muitas vezes com o apoio ou incapacidade dos
órgãos públicos de fiscalização ou orientação de grupos imobiliários que
oferecem facilidade para perfuração de poços artesianos. A grilagem é o
comportamento brasiliense tradicional invasivo, à revelia da lei e afronta o
sistema de controle e vigilância da administração pública do Governo do
Distrito Federal. Um jogo conturbado de invasão, construção clandestina e consequente
remoção de estruturas levantadas por invasores.
O DF Legal criou
a Secretaria Executiva de Inteligência para ¨ampliar a capacidade de identificar
os responsáveis por invasões denunciadas pela população e entidades
ambientalistas¨.
Fotos de
satélite poderiam cobrir toda a extensão dos 5.822 km2 do Distrito Federal para
detecção e avaliação de áreas indevidamente ocupadas. Diante das imagens, os
orientadores dos órgãos administrativos levariam sugestões, propostas e requisitos
definidos no Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), sabiamente indicado para a ocupação
de ecossistemas e proteção do Cerrado.
A ferramenta
LIDAR (Light Detection and Ranging), utilizada na Amazônia, oferece tecnologia
adequada com detalhes que mostram a forma como o solo e a água são usados, para
manter a vegetação nativa cumprindo sua tarefa. Pode sugerir mudanças no uso de
poços artesianos para não interferir nos aquíferos e limitar a vazão das
nascentes e oferecer táticas de detecção das águas pluviais para recarga dos lagos
interiores. Esta atuação inteligente evitaria conflitos administrativos e
orientaria a proteção de áreas sensíveis como são os ecossistemas do Cerrado. O
papel da Polícia Civil deve ter ação auxiliar e não ser o principal interventor
para demolir barracos e multar invasores.
Estabelecer um
sistema de harmonia, interdependência e interação com a natureza é essencial
para a saúde e felicidade de quem ocupa e usa o solo e a água. Enriquece o ecossistema com a enternecedora convivência
da biodiversidade vegetal e animal.
A ciência atual possui
ferramentas tecnológicas que permitem conhecer a história de ações humanas, em
detalhes impressionantes e estimulantes, ocorridas há mais de 3.000 anos. Por
certo, dará maior eficiência aos atos e decisões técnicas e burocráticas de
nossa era antropocênica. Proteger a rede da vida no planeta Terra é função de
humanos e não humanos para garantir a paz. O planeta Terra tem leis físicas que o dirigem
e o protegem, há bilhões de anos, e não se responsabiliza pela autodestruição da
espécie humana.
OS GEOGLIFOS NA AMAZÔNIA
BRASILEIRA
Levantamento com
a ferramenta LIDAR, (Light Detection and Ranging) é uma tecnologia de
sensoriamento remoto ativo que mede distâncias e cria modelos tridimensionais
de alta precisão por meio de pulsos de luz laser. já utilizada nas florestas
milenares do México. O sistema de detecção LIDAR revelou geoglifos ocultos nas florestas
do sudoeste da Amazônia brasileira. Uma
forma de escrita geométrica no solo cujo significado cultural remonta aos hieróglifos
egípcios.
Geoglifos são
grandes estruturas geométricas escavadas no solo, formadas por valetas e
muretas que cobrem áreas de 1 a 3 hectares, com profundidades de fossos de até
5 metros. Datam de mais de mil anos. numa área de 4.597 km2, nos arredores da cidade
de Rio Branco e Boca do Acre.
A revista Nature,
do mês de julho, confirma que foram detectados por pesquisadores da
Universidade de Helsinque, Finlândia, 432 locais terraplanados em área habitada
pela extinta civilização Aquiry. Esses geoglifos amazônicos, presume-se,
funcionavam como centros cerimoniais, políticos e de encontro público. O auge
da civilização Aquiry, é estimado entre 100 e 300 anos (d.C.), com uma
população de 3 milhões de pessoas, numa área de 183 mil km2 (duas vezes a área
do Estado de Santa Catarina). O arqueólogo Martti Pärssinen, do Instituto
Ibero-americano da Finlândia, sediado em Madri, colabora com a equipe
brasileira da Universidade do Amazonas e é um dos autores do trabalho com as
novas datações dos geoglifos acreanos. (Revista
Fapesp, Edição 186, agosto 2003).