O OBSERVADOR
COMENTÁRIOS SEMANAIS SOBRE MEIO AMBIENTE, POLÍTICA, LITERATURA E OUTRAS SUTILEZAS DO COTIDIANO.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
CURRICULO EUGÊNIO GIOVENARDI
CURRICULO - EUGÊNIO GIOVENARDI
Eugênio Giovenardi, 92 (1934), natural de Casca, RS. É filósofo pela Faculdade Particular de Ijuí (RS); teólogo pela Faculdade de Teologia de Porto Alegre, RS; sociólogo pela UFIGS, Licenciado pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialização em Desenvolvimento Cooperativo – College Coopérative – Instituto de Altos Estudos da Universidade de Paris – 1967/1969 – Pós graduado em Economia do Desenvolvimento pela Universidade Tecnológica de Loughborough, Inglaterra, 1971/1972. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, 2003, Em nome do sangue (romance).. Reside em Brasília, DF, desde 1972. Consultor aposentado da Organização Internacional do Trabalho (OIT/PNUD). Desde 1974, dedica-se à ecossociologia e regeneração do Cerrado. Agraciado pela Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano e do ECOMUSEU PEDRA FUNDAMENTAL por trabalhos prestados à Arte e Cultura do Planalto Central do Brasil, 2024. Agraciado, na categoria escritor e filósofo, com a medalha da Ordem ROSA BRANCA pelo Governo da Finlândia, em 2025. É acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico/Distrito Federal e da Academia de Letras do Brasil.
Casado com a jornalista e tradutora finlandesa
Hilkka Mäki, também agraciada pela Ordem Rosa Branca. Tem uma filha, Aino
Alexandra e duas netas, Luiza e Laura.
Blog – O OBSERVADOR – eugeobservador.blogspot.om
+55 61 9 9981 2807
CHUVAS DE SETEMBRO▬ ANOS 2012 a 2026
CHUVAS DE SETEMBRO▬ ANOS
2012 a 2026
BIOCOMUNIDADE SÍTIO NEVES – BR 060
– KM 26 – DF –
RESERVA PERPÉTUA DO PATRIMÔNIO
NACIONAL DESDE 2023
CHUVAS em milímetros ─ 1 mm = 1
litro/m2
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Mês |
SETEMBRO-2026 |
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7h |
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0,9 |
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80,0 |
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O mês de setembro
marca a passagem do equinócio da primavera, ocorrido no dia 22 às 21h05. Duração
do dia e da noite: Os momentos de claro e escuro – dia e noite - têm
durações quase iguais de 12hs. Neste ano, o mês de setembro de mostrou instável,
entremeando calor e frio, com chuvas irregulares na primeira quinzena, mais abundantes
na região sul do País
SETEMBRO DE 2013 A 2026
ANO
MM/MÊS TOTAL/ANO/
2012
---
2.260,0
2013
40.5 2.255,6
2014 31,8
1.677,5
2015 3 1,8 1.642,7
2016 39,3
1.921,7
2017
10,5 1.478,7
2018 32.5
1.760.5
2019 20.3
1.069.3
2020
14.7 1.787,8
2021
16,2 1.710.8
2022
63,5 1.279,2
2023 28,2 1.323.4
2024
00,0
1.770,9
2025 13,4
1.044,0
2026
80,0 789.8 (neste ano - até 30.9.26)
Durante 156 meses (13 anos), registro e público os volumes
de chuva, captados pelo pluviômetro autorizado pela Agência Nacional de Águas,
na área da Bacia Hidrográfica do Ribeirão das Lajes. No mês de setembro de 2024,
excepcionalmente, não choveu. Nesse ano, o berço das águas sentiu as mudanças
climáticas e a recarga dos aquíferos foi prejudicada. O aumento de
perfurações de poços artesianos na bacia do Ribeirão das Lajes, entre os
quilômetros 15 e 27, está provocando
redução ão das nascentes e do volume dos córregos que nele desembocam.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
SOPHIA KRONOS, DE PÉS NA ÁGUA.
SOPHIA KRONOS, DE PÉS NA ÁGUA.
Anos passados, em visita às ilhas gregas, fiz longas caminhadas ao longo do Canal de Corinto, nas cercanias de Atenas. Visitei um conhecido canto de floresta que o sanitarista Hipócrates (460 a.C.) usava como clínica, ao ar livre e à beira de um córrego de águas cristalinas, para curar enfermos. Sophia Kronos, pés descalços, envolta numa veste talar transparente, recebia os visitantes, respondia perguntas e relatava fatos históricos de curas milagrosas, por imersão do corpo doente nas águas, que desciam da floresta.Perguntei-lhe sobre as orientações do famoso médico e a prática da imersão na água para curar enfermidades de que se queixavam os pacientes. A enfermeira-guia, Sophia, esparramou um sedutor sorriso pelo rosto e resumiu a teoria de Hipócrates sobre a cura hídrica:
¨Todos nós vivemos
mergulhados numa bolsa de água, durante nove meses, antes de ver a luz do Sol. Somos
feitos de água. A água é geradora de vida, ensinava Hipócrates. E a água, que
desce das florestas e se purifica ao bater-se nas pedras, é fonte de saúde, de
tranquilidade corporal, de sossego mental e equilíbrio social. Para acalmar uma
criança inquieta ou chorona, um dos remédios, sugeria nosso Hipócrates, é lhe
oferecer uma bacia, um tanque de água ou levá-la a um riacho. Água da floresta
é saúde¨, sorriu novamente a enfermeira Sophia.
Cuidar das águas
cristalinas do Cerrado é garantia de saúde, de tranquilidade corporal, de
sossego mental e equilíbrio social.
Imagem Imagem: Córrego da Mata Azul, Sitio Neves (Foto: Eugenio Giovenardi
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
PROGRAMA COMPENSAÇÃO AMBIENTAL
PROGRAMA COMPENSAÇÃO AMBIENTAL
A
compensação ambiental, exigida no licenciamento do uso do solo, é consequente à
supressão de vegetação nativa para plantio ou construção. É uma obrigação legal,
portanto, de conhecimento do executor da obra. Ela obriga o responsável a
recuperar áreas, plantar mudas ou apoiar unidades de conservação, para minorar
o dano ecológico causado pelo corte ou queima de árvores ou matas, uso indevido
da água, aplicação de produtos químicos poluentes.
Fui convidado
por Márcio Schuster, coordenador do grupo Conexão Fauna & Flora - projeto
de podcast gravado no Zoológico de Brasília - com o objetivo de debater a
preservação do Cerrado, a biodiversidade e a educação ambiental. Analisamos a
obrigação legal denominada compensação ambiental.
As
perguntas que se apresentam: quantos usuários, quantos mil hectares de
florestas abatidas e queimadas foram beneficiados, que tipo de árvores foram
plantadas, qual é o resultado ambiental da vegetação nativa sobre os
ecossistemas, quantos recursos do tesouro nacional foram empregados, qual o
valor das multas pagas e não pagas, quem é responsável pela aplicação e
avaliação da obrigação legal da compensação????
A Natureza é um sistema integrado
em que os elementos: solo, subsolo, água, ar, temperatura funcionam
interligados, interdependentes. A regeneração ambiental se produz, ao longo do
tempo, quando todos esses fatores caminham juntos. A compensação ambiental, sem
a formação de corredores vegetais inteligentes, que atuem sobre todos os
elementos do sistema natural, é um remendo na roupa rasgada. Fecha o buraco,
mas fica a cicatriz.
O Podcast, produzido no
Zoológico de Brasília, tem aguda simbologia. O Zoo é o solo adequado, traz água
do subsolo, alivia a temperatura, purifica o ar. Um ambiente de paz para humanos
e não humanos, vegetais e animais.
Os comentários serão
divulgados no Youtube, pela Conexão Fauna e Flora. (Participaram: Marcio
Schuster - Coordenador, Rayanne França – Mediadora, Professor Silvio Rocco, Chrys,
operador).
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
MAPEANDO EL CAMINO DE LOS RIOS VOLADORES
MAPEANDO EL CAMINO DE LOS RIOS VOLADORES
Resumen Ejecutivo
Los ríos voladores son flujos atmosféricos de humedad que se desplazan desde el Atlántico
tropical a través de la Cuenca Amazónica hasta las laderas de los Andes, impulsados por la
evapotranspiración de los bosques amazónicos. Los bosques (árboles y vegetación leñosa)
y los ecosistemas no forestales (sabana, pastizales y otros) del suroeste de la Amazonía
-especialmente en Perú y Bolivia- dependen de este mecanismo para más del 70% de su
precipitación anual. La deforestación a lo largo de estas rutas interrumpe el reciclaje de
humedad, reduciendo las lluvias en regiones cuyas poblaciones no tienen ninguna influencia
sobre las decisiones de uso del suelo que determinan su abastecimiento hídrico.
Este white paper traza las rutas estacionales de los ríos voladores que abastecen las áreas
sensibles de Perú y Bolivia, mapea los riesgos de deforestación que amenazan estos flujos,
evalúa la vulnerabilidad de las economías y de los ecosistemas del suroeste amazónico ante
una posible ruptura de este sistema y presenta seis recomendaciones para los formuladores
de políticas en Perú, Bolivia y la comunidad internacional, especialmente en Brasil.
I. Rutas estacionales y riesgos de deforestación
El transporte de humedad hacia el suroeste de la Amazonía ocurre por tres rutas estacionales
distintas. Con base en datos de reanálisis ERA5 y en la integración inversa de líneas de
corriente, este estudio mapea cada ruta y las superpone con información sobre riesgo de
deforestación, categorías de tenencia de la tierra e infraestructura planificada, identificando
los tramos donde la continuidad del transporte de humedad es más vulnerable.
La ruta de la estación seca es la más crítica. Ya atraviesa áreas ampliamente deforestadas
en el sur de Pará, está fragmentada por varios tramos de bosques públicos no destinados
y cruza directamente la carretera federal BR-319, cuya inminente pavimentación podría
desencadenar hasta 5 millones de hectáreas de deforestación adicional. Como este es el
período en que el reciclaje de humedad por la vegetación es más determinante, se trata del
corredor de mayor riesgo. La ruta de la estación de transición recorre extensas áreas de
bosques públicos no destinados en el oeste de la Amazonía que, aunque hoy están bajo
menor presión, carecen de protección jurídica capaz de evitar su futura conversión. La ruta
de la estación lluviosa atraviesa regiones con una protección relativamente sólida y enfrenta
riesgos más limitados en el corto plazo. Sin embargo, antes de llegar a Perú y Bolivia, las
tres rutas convergen en Acre, donde varios proyectos viales -incluida una posible conexión
internacional con Pucallpa, en Perú- pueden comprometer el transporte de humedad a lo
largo de todo el año.
II. Exposición del suroeste de la Amazonía a la sequía
La sequía amazónica de 2023–2024 -la más severa jamás registrada- ilustra lo que una
reducción sostenida en la funcionalidad de los ríos voladores puede representar. Sus causas
fueron múltiples, pero evidencia la magnitud de la exposición en cuatro sectores:
• Agricultura: la producción de soya en Santa Cruz, en Bolivia, cayó un 75%; la cosecha
de papa en Puno, en Perú, disminuyó de 998.000 a 596.000 toneladas en un solo año;
5
AMAZON CONSERVATION
MAPEANDO EL CAMINO DE LOS RIOS VOLADORES
el cultivo de arroz en Beni y la agricultura familiar en Madre de Dios fueron gravemente
afectados. La fuerte dependencia de la agricultura de secano, con acceso limitado al riego,
hace que la región sea particularmente vulnerable a la variabilidad de las precipitaciones.
• Bosques y medios de vida rurales: la producción de castaña amazónica -base económica
de las comunidades forestales en Madre de Dios y Pando, que sustenta directamente a
unas 27.000 personas solo en Perú- es altamente sensible a la sequía. Donde los medios
de vida forestales siguen siendo viables, la presión por deforestación tiende a disminuir;
donde colapsan, esa presión tiende a aumentar.
• Ecosistemas y especies: los Andes Tropicales se encuentran entre las regiones más
biodiversas del planeta, con entre el 25% y el 50% de muchos grupos taxonómicos
presentes exclusivamente allí. Incluso pequeñas reducciones en la disponibilidad de
humedad pueden desencadenar grandes respuestas ecológicas: mortalidad generalizada
de árboles, cambios en los regímenes de fuego y liberación de carbono en zonas húmedas
andinas que funcionan como importantes sumideros de carbono.
• Sistemas fluviales recíprocos: los ríos voladores también alimentan sistemas fluviales
que regresan a Brasil. Cerca del 60% del caudal del río Madeira se origina en afluentes
bolivianos y peruanos. Durante la sequía de 2023–2024, el Madeira alcanzó su nivel más
bajo en 122 años, interrumpiendo la navegación en Porto Velho, reduciendo la generación
hidroeléctrica y aislando comunidades. Las consecuencias de la deforestación en Brasil,
por lo tanto, repercuten de vuelta en el propio Brasil.
III. Recomendaciones
Este documento presenta seis recomendaciones a gobiernos, financiadores de la
conservación e instituciones regionales:
• Exigir evaluaciones de impacto ambiental y estratégico para proyectos viales que
consideren el transporte atmosférico transfronterizo de humedad. Los procesos de la
BR-319 y la BR-364 están en curso. Cualquier desarrollo vial debe incluir evaluaciones de
impacto transfronterizo que consideren los efectos socioecológicos sobre Perú y Bolivia,
la creación de áreas protegidas a lo largo de los corredores y medidas estrictas contra
la apertura de carreteras secundarias, algo especialmente urgente ante la propuesta de
flexibilizar el licenciamiento ambiental en Brasil.
• Incorporar el transporte atmosférico de humedad como criterio explícito para
la creación de áreas protegidas y para el financiamiento de la conservación. Los
marcos actuales de planificación no capturan los servicios hidrológicos transfronterizos.
Un sexto criterio, basado en la contribución a la funcionalidad de los ríos voladores
-operacionalizado mediante las “Zonas Críticas de Humedad Atmosférica”- debe orientar
la designación de cerca de 50 millones de hectáreas de Bosques Públicos No Destinados
(FPND, la sigla en portugués), donde ocurre hoy entre el 26% y el 30% de la deforestación
amazónica. Mecanismos como ARPA, el Fondo Amazonía y el Tropical Forests Forever
Fund deben integrar este criterio en sus decisiones de asignación.
• Acelerar la restauración forestal a gran escala en el este de la Amazonía brasileña,
con foco en los corredores degradados de las estaciones seca y de transición. El sur
de Pará es prioritario. Programas como Restaura Amazônia y la meta del PLANAVEG de
restaurar 12 millones de hectáreas para 2030 representan un paso inicial importante,
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AMAZON CONSERVATION
MAPEANDO EL CAMINO DE LOS RIOS VOLADORES
pero las inversiones deben ampliarse, dirigirse a corredores hidrológicos esenciales e
integrarse con las políticas climáticas y de uso del suelo.
• Desarrollar marcos de gobernanza regional que reconozcan la responsabilidad
asimétrica de Brasil sobre el sistema de humedad atmosférica. Brasil controla cerca
del 60% de la Cuenca Amazónica y prácticamente todo el flujo de los ríos voladores que
abastecen a Perú y Bolivia. La Declaración de Belém fue un avance, pero no estableció
metas cuantitativas por país ni responsabilidades diferenciadas. El progreso requiere
acuerdos bilaterales o multilaterales vinculantes -inspirados en modelos de gestión de
aguas transfronterizas- que definan las obligaciones de Brasil de mantener la cobertura
forestal en áreas críticas para el transporte de humedad.
• Desarrollar estrategias de adaptación climática basadas en ecosistemas en las áreas
sensibles del suroeste amazónico. Las soluciones de adaptación basadas en bosques,
ya probadas en Pando, Bolivia, deben ampliarse hacia el norte de Beni, Santa Cruz, La Paz
y departamentos equivalentes en Perú, desarrolladas en coordinación entre Brasil, Perú y
Bolivia, y diseñadas para considerar explícitamente el riesgo de reducción del transporte
atmosférico de humedad, además de otros factores de estrés climático.
• Invertir en una agenda dirigida de innovación tecnológica e investigación para
fortalecer la base de evidencia para políticas públicas. Las prioridades incluyen: modelar
cómo la restauración en el sudeste de la Amazonía mejoraría el transporte de humedad
en la estación seca; mejorar el mapeo de los corredores de humedad considerando
impactos acumulativos de la deforestación; proyectar cómo el cambio climático alterará
las rutas estacionales; expandir redes de monitoreo que conecten precipitación y caudal
en el sistema Amazonía–Andes; y fortalecer la capacidad de investigación en los países
amazónicos para sistemas de alerta temprana y planificación de adaptación.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
GRIL.AGEM DE TERRAS NO DISTRITO FEDERAL
TECNOLOGIA – BUROCRACIA – (IN)EFICIÊNCIA
GRIL.
É tema recorrente
na imprensa falada, escrita e televisionada a denúncia impotente de ocupações
irregulares de ecossistemas, muitas vezes com o apoio ou incapacidade dos
órgãos públicos de fiscalização ou orientação de grupos imobiliários que
oferecem facilidade para perfuração de poços artesianos. A grilagem é o
comportamento brasiliense tradicional invasivo, à revelia da lei e afronta o
sistema de controle e vigilância da administração pública do Governo do
Distrito Federal. Um jogo conturbado de invasão, construção clandestina e consequente
remoção de estruturas levantadas por invasores.
O DF Legal criou
a Secretaria Executiva de Inteligência para ¨ampliar a capacidade de identificar
os responsáveis por invasões denunciadas pela população e entidades
ambientalistas¨.
Fotos de
satélite poderiam cobrir toda a extensão dos 5.822 km2 do Distrito Federal para
detecção e avaliação de áreas indevidamente ocupadas. Diante das imagens, os
orientadores dos órgãos administrativos levariam sugestões, propostas e requisitos
definidos no Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), sabiamente indicado para a ocupação
de ecossistemas e proteção do Cerrado.
A ferramenta
LIDAR (Light Detection and Ranging), utilizada na Amazônia, oferece tecnologia
adequada com detalhes que mostram a forma como o solo e a água são usados, para
manter a vegetação nativa cumprindo sua tarefa. Pode sugerir mudanças no uso de
poços artesianos para não interferir nos aquíferos e limitar a vazão das
nascentes e oferecer táticas de detecção das águas pluviais para recarga dos lagos
interiores. Esta atuação inteligente evitaria conflitos administrativos e
orientaria a proteção de áreas sensíveis como são os ecossistemas do Cerrado. O
papel da Polícia Civil deve ter ação auxiliar e não ser o principal interventor
para demolir barracos e multar invasores.
Estabelecer um
sistema de harmonia, interdependência e interação com a natureza é essencial
para a saúde e felicidade de quem ocupa e usa o solo e a água. Enriquece o ecossistema com a enternecedora convivência
da biodiversidade vegetal e animal.
A ciência atual possui
ferramentas tecnológicas que permitem conhecer a história de ações humanas, em
detalhes impressionantes e estimulantes, ocorridas há mais de 3.000 anos. Por
certo, dará maior eficiência aos atos e decisões técnicas e burocráticas de
nossa era antropocênica. Proteger a rede da vida no planeta Terra é função de
humanos e não humanos para garantir a paz. O planeta Terra tem leis físicas que o dirigem
e o protegem, há bilhões de anos, e não se responsabiliza pela autodestruição da
espécie humana.
OS GEOGLIFOS NA AMAZÔNIA
BRASILEIRA
Levantamento com
a ferramenta LIDAR, (Light Detection and Ranging) é uma tecnologia de
sensoriamento remoto ativo que mede distâncias e cria modelos tridimensionais
de alta precisão por meio de pulsos de luz laser. já utilizada nas florestas
milenares do México. O sistema de detecção LIDAR revelou geoglifos ocultos nas florestas
do sudoeste da Amazônia brasileira. Uma
forma de escrita geométrica no solo cujo significado cultural remonta aos hieróglifos
egípcios.
Geoglifos são
grandes estruturas geométricas escavadas no solo, formadas por valetas e
muretas que cobrem áreas de 1 a 3 hectares, com profundidades de fossos de até
5 metros. Datam de mais de mil anos. numa área de 4.597 km2, nos arredores da cidade
de Rio Branco e Boca do Acre.
A revista Nature,
do mês de julho, confirma que foram detectados por pesquisadores da
Universidade de Helsinque, Finlândia, 432 locais terraplanados em área habitada
pela extinta civilização Aquiry. Esses geoglifos amazônicos, presume-se,
funcionavam como centros cerimoniais, políticos e de encontro público. O auge
da civilização Aquiry, é estimado entre 100 e 300 anos (d.C.), com uma
população de 3 milhões de pessoas, numa área de 183 mil km2 (duas vezes a área
do Estado de Santa Catarina). O arqueólogo Martti Pärssinen, do Instituto
Ibero-americano da Finlândia, sediado em Madri, colabora com a equipe
brasileira da Universidade do Amazonas e é um dos autores do trabalho com as
novas datações dos geoglifos acreanos. (Revista
Fapesp, Edição 186, agosto 2003).
