terça-feira, 15 de agosto de 2023

CONCESSÃO DE SERVIDÃO AMBIENTAL E RPPN

 CONCESSÃO DE SERVIDÃO AMBIENTAL E RPPN

Ontem, dia 14 de agosto de 2023, recebi do Diretor Presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram - SEMA) a informação de concessão da Servidão Ambiental Voluntária ou Reserva Particular do Patrimônio Natural para o Sítio das Neves, 70 ha de Cerrado em regeneração, ao longo de 49 anos. É a primeira concessão voluntária no DF, desde a inauguração de Brasília. Dei mais da metade de minha vida a serviço da natrueza, do ecossistema, da fantástica biodiversidade do Cerrado. Orgulho-me de dar ao IHG/DF essa contribuição de integração, relaçao e interdependência entre as vidas humanas e não humanas neste espaço geográfico, onde a monumentalidade da natureza abriga generosamente a monumentalidade do ser humano. CONHECI O CERRADO, OUVI AS ÁRVORES, PROTEGI OS MANANCIAIS, RESPEITEI A VIDA.
O CERRADO QUER PAZ!
Flores e água, uma canção da natureza. (Foto: Eugenio Giovenardi - SÍTIO DAS NEVES.

segunda-feira, 31 de julho de 2023

CHUVAS DE JULHO

 

CHUVAS DE JULHO  ANOS 2013 a 2023  

Em milímetros ─ 1 mm = 1 litro/m2

 

ANOS      MÊS ▬             TOTAL ANO/ MM

2012 −           ******                        ******

2013 –          3.0                 2.255,6

2014 –          0.0                 1.677,5

2015 –          0.0                 1.642,7

2016 -           0.0                 1.921,7

2017 -           0.0                 1.478,7

2018 –          0.0                  1.760.5

2019 –          0.0                  1.069.3

2020 −          0.0                  1.787,8

2021 –           0.0                  1.710.8

2022 –           0.0                  1.279,2 

2023 -            0.0                     680.3  (Neste ano)

 

SÍTIO DAS NEVES, BR 060, KM 26, DF, EM REGENERAÇÃO DESDE 1974. Uma área degradada como a do Sítio das Neves, segundo especialistas em recuperação do Cerrado, leva 50 anos para se regenerar. O Sítio das Neves, Cerrado maltratado pela urbanização e ocupação desordenada e métodos antiecológicos, está completando 50 anos nesse processo lento, gradual e efetivo de regeneração, A felicidade vegetal ilumina o ambiente. As curicacas, as saracuras, as seriemas, os tucanos e os sabiás garantem as sinfonias das manhãs e dos entardeceres.

 SOU IRMÃO DAS ÁRVORES. ELAS VIVEM EM MIM E FALAM COMIGO.

Aos que seguem o movimento das águas pluviais durante o ano, ofereço os dados pluviométricos do mês de julho dos últimos 11 anos. Volumes coletados pelo pluviômetro, instalado no Sítio das Neves pela Agencia Nacional de Aguas (ANA), refletem a situação pluviométrica de parte da Bacia do Descoberto e Micro Bacia do Ribeirão das Lajes, DF. No Sítio das Neves, a vegetação e as nascentes mantêm boa umidade do solo e do ar, detêm três terços da água da chuva, contribuem para a recarga dos aquíferos e regulam o curso dos dois córregos que nascem na área.

O acumulado de chuvas, até este mês de julho de 2023, é de 680.3 mm/ ou litros por m2, na região da microbacia do Ribeirão das Lajes. O Sítio das Neves não foi agraciado com chuvas, no mês de julho.

Como se observa no quadro, a região do DF, no mês de julho de 2013, excepcionalmente recebeu 3.0 mm de chuvas. As temperaturas frias e a baixa umidade fazem parte do descanso do Cerrado, mas também o apavoram com queimadas e um gradativo aumento de queima de combustível fóssil pelo intenso uso de automóveis. A falta de um sistema inteligente de captação das águas pluviais, para infiltração no solo, provoca o rebaixamento das águas subterrâneas do DF. Nas áreas densamente florestadas, como o Sítio das Neves, as árvores e os murundus (cupins) administram com grande sabedoria a captação, a retenção e a infiltração das águas captadas da chuva.

Os ecossistemas que mantêm vegetação densa resistem melhor às variações do tempo e às severas mudanças climáticas. A preservação das nascentes e o incentivo ao florestamento nativo são ações prioritárias para a lenta regeneração dos ecossistemas, a captura e retenção de carbono no subsolo. Esta função do Cerrado só acontece se mantida a floresta original. Os 70 ha do Sítio das Neves não emitem carbono de efeito estufa, pois os retêm no solo. As árvores estão felizes e transmitem felicidade a quem as respeita.

 

Imagem de drone, árvores vistas de cima. Sítio das Neves, julho 2023., Mês de colher camomila, também dita marcela ou macela.



 

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Quincuagésimo aniversário de casamento

 22 de julho de 1968

Hilkka, Aino Alexandra, Luiza, Laura, Das Dores e eu festejamos nosso 54 (Quinquagésimo quarto) aniversário, lado a lado, à francesa,. Foi em Paris, maio de1968, que Hilkka e eu nos encontramos e nos conhecemos. Resistimos, passo a passo. golpe a golpe, verso a verso àos sinais da longa caminhada na direção do desconhecido, sem hora para chegar.
Somos gratos a todas as auroras que nos saudaram e nos indicaram os pontos luminosos da felicidade possível.
Paris, Bistrô, Le bon Coien,

sexta-feira, 14 de julho de 2023

ALTO PARAÍSO VISITA SÍTIO DAS NEVES

 

ALTO PARAÍSO DE GOIÁS

VISITA O SITIO DAS NEVES, NO DF.

 ÁGUA NÃO FALTARÁ NO MAR,

MAS PODE FALTAR EM SUA CASA.

Água não vai faltar no planeta enquanto existir o mar e as árvores, mas pode não estar acessível em muitos lugares onde existam seres vivos humanos e não humanos.

Preservar as florestas é garantir água para todos.

Captar e deter águas da chuva em áreas urbanas e rurais é demonstração de inteligência humana e de instinto natural de não humanos.

A mão humana é extremamente hábil, mas muitas vezes contraria a capacidade intelectual de que dispõe para agir com sabedoria.

As árvores e todos nós hóspedes do Sítio das Neves agradecemos a visita fraterna dos anjos e anjas incentivadores da regeneração dos ecossistemas de Alto Paraíso.

Valdivino Pereira do Rosário - motorista

Ivonete Rodrigues de Souza – Sec. Munic. de Agric.

Nayara Gomes de Amorim – Agroeco

Edson Pereira da Silva - Agroeco

Altenice Bispo – Agroeco - sementes

Marconey Correia da Silva – Vereador Munic.

Emily Borges - veterinária

Elaine Blumer - professora

Claudia Lulkin – Nutricionista, Sec. de Educação

Gustavo Leon – Artista – documentarista.

 

quarta-feira, 28 de junho de 2023

MEUS 89 ANOS

 

MEUS 89 ANOS

O caminho me levou aos 89,

Passo a passo, amando a vida

E todas as vidas, com liberdade,

Respeitando com precaução

A velocidade da via.

 

Aos 89 anos, compreendo que a vida é o alvo. Vida vegetal, vida animal, vida sapiente. A vida surge da água e toma a forma de um ser capaz de se reproduzir. Cuidar das águas é, portanto, garantir a sobrevivência de todos os seres segundo suas espécies. O essencial, então, é estar vivo. O importante é manter a vida. O caminho da vida, como um rio, é feito passo a passo, gota a gota. “Golpe a golpe, verso a verso”, disse o poeta. O caminho se abre fácil ou difícil ao avançar. É o que percebo convivendo, por 49 anos, com as vidas do singelo Sítio das Neves, hoje regenerado, no coração do Cerrado, no Planalto Central do Brasil. Interajo, como hóspede na biocomunidade, com todos os seres vivos de todas as espécies. Sinto em mim a vida deles. Estou rodeado de vidas e cada vida tem seu caminho. Gostar da própria vida é colher felicidade. No meio do caminho há pedras e flores. Mais flores que pedras. Flores sobre pedras.

Dediquei largos anos a compreender e a aceitar os limites da enigmática contradição do agir irrefreável do homo sapiens que, para viver, destrói vidas. Entristeço-me com o comportamento humano. Em 300 mil anos, o sapiens ainda não compreendeu nem aceitou os limites dessa contradição. Minha intuição é que o fascínio da tecnologia e os arroubos da inteligência artificial sem limites provocarão amargos tempos à espécie sapiente. Viver é preciso! Viver!  

Registro meu testemunho. Amo as árvores porque as vejo nascer, sorrir, cantar, dançar ao sol e ao vento, abrigar ninhos de pássaros, dar sombra ao tamanduá solitário e repousar à noite admirando estrelas. Amo as árvores porque elas protegem as águas que garantem a vida. Se alguém lembrar de mim, quando minhas cinzas estiverem ao pé da Guapeva, à beira do Córrego da Mata Azul, no Sítio das Neves, diga apenas: ele amou as árvores!

                          PARA VOVÔ

Senhor Tempo grandioso

Como ele é valoroso.

Misteriosa arte fina

Simplesmente engenhoso.

 

Tem minuto infinito

Tem milênios num piscar

É como o mar em uma gota

Sendo uma gota do mar.

 

Laura Giovenardi Goretti (Senhor Tempo)

segunda-feira, 26 de junho de 2023

CHUVAS DE JUNHO 2023

 

CHUVAS DE JUNHO  ANOS 2013 a 2023  

Em milímetros ─ 1 mm = 1 litro/m2

 ANOS      MÊS ▬             TOTAL ANO/ MM

2012 −           ******                        ******

2013 –        23.8                 2.255,6

2014 –          7.0                 1.677,5

2015 –          0.0                 1.642,7

2016 -           0.0                 1.921,7

2017 -           0.0                  1.478,7

2018 –          0.0                  1.760.5

2019 –          0.0                  1.069.3

2020 −          0.0                  1.787,8

2021 –         39.0                  1.710.8

2022 –           0.0                  1.279,2 

2023 -            0.0                     680.3  (Neste ano)

 

SÍTIO DAS NEVES, BR 060, KM 26, DF, EM REGENERAÇÃO DESDE 1974. SOU IRMÃO DAS ÁRVORES. ELAS VIVEM EM MIM E FALAM COMIGO.

Aos que seguem o movimento das águas pluviais durante o ano, ofereço os dados pluviométricos do mês de junho dos últimos 11 anos. Volumes coletados pelo pluviômetro, instalado no Sítio das Neves pela Agencia Nacional de Aguas (ANA), refletem a situação pluviométrica de parte da Bacia do Descoberto e Micro Bacia do Ribeirão das Lajes, DF. No Sítio das Neves, a vegetação e as nascentes mantêm boa umidade do solo e do ar, detêm três terços da água da chuva, contribuem para a recarga dos aquíferos e regulam o curso dos dois córregos que nascem na área.

O acumulado de chuvas, neste ano, é de 680.3 mm/ ou litros por m2, na região da microbacia do Ribeirão das Lajes. O Sítio das Neves não foi agraciado com chuvas, no mês de JUNHO..

Como se observa no quadro, a média de chuvas dos meses de junho, nos ONZE anos registrados, foi de 6.3 mm ou litros por m2. Como indica o quadro, em 8 anos não houve chuva (a irregularidade ocorreu em 2021). Nos últimos anos, chuvas no mês de junho são bem-vindas, mas excepcionais. Entre  os dias 16-18, houve chuvas localizadas no DF, mas pouco contribuíram para a recarga dos aquíferos. Nos meses de junho sem chuva, agravados pela grande área urbana impermeabilizada e por falta de um sistema inteligente de captação das águas pluviais para infiltração no solo, a tendência é o rebaixamento das águas subterrâneas do DF. Nas áreas densamente florestadas, como o Sítio das Neves, as árvores e os murundus (cupins) administram com grande sabedoria a captação, a retenção e a infiltração das águas da chuva.

Os ecossistemas que mantêm vegetação densa resistem melhor às variações do tempo e às severas mudanças climáticas. A preservação das nascentes e o incentivo ao florestamento nativo são ações prioritárias para a regeneração dos ecossistemas, captura e retenção de carbono no subsolo. Esta função do Cerrado só acontece se mantida a floresta original. Os 70 ha do Sítio das Neves, há mais de 22 anos, não emitem carbono de efeito estufa, pois os retêm no solo. As árvores estão felizes e transmitem felicidade a quem as respeita.

OS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NINÃ, neste ano, estão ativos e já causaram e continuarão causando dificuldades nas regiões do sul e nordeste. esses fenômenos se mostram mais ativos de sete em sete anos, tempo que permitiria ao poder público e à sociedade prepararem-se para enfrentar a fúria dos ventos e a densidade das chuvas.

 

Imagem: o lixo continua exposto ao longo das rodovias do DF e em contêineres abertos ao longo das superquadras do Plano Piloto e bairros de Brasília.



sexta-feira, 16 de junho de 2023

MURUNDUS

 

MURUNDUS

 

Deambulando pelo Sítio das Neves, nas partes altas e baixas, tenho notado grandes formações de murundus sobre o solo e casas de cupins presos ao tronco de árvores ou em galhos mais altos. Os do chão servem de mesa aos tatus e tamanduás. Os ninhos suspensos em árvores alimentam caturritas e outros pássaros.

Uma de minhas contribuições ao processo de regeneração da área degradada pelo fogo, pisoteio de bovinos, corte de árvores para transformá-las em carvão, consistiu em construir pequenas barragens nas grotas e canais de esgotamento que se formaram durante centenas de anos, para contenção e detenção de águas da chuva.

Nas áreas mais altas, onde a disponibilidade de pedras era quase nula, passei a usar, como os castores, madeira seca e folhas de catolé como base da barragem e sobre ela uma camada de terra de cupim em blocos para preservar a vida dos insetos. A intuição precedeu ao conhecimento que se consolidou com a observação dos resultados. Sobre essas barragens e ao redor delas cresceu a vegetação, graças à detenção das águas por mais tempo.

Os cupins se tornaram meus sócios, tanto na captação de águas da chuva, quanto na regeneração vegetal. Não teriam os murundus outras funções, especialmente os que povoam as cercanias das áreas em que brotam nascentes de água perenes ou intermitentes? Depois de uma queimada, em ambos lados da BR 060, aparecem inúmeros murundus expostos ao Sol cáustico de setembro e outubro. Qual seria o segredo da sobrevivência dos cupins ao fogo? Estariam eles protegidos pela espessa camada que reveste suas casas graças à mistura da baba que produzem e a umidade que eles mantêm no interior? A vegetação densa, os arbustos frutíferos como os mirtilos, cajuzinhos (Anocardium humile), marolo (Annona classiflora), mama-cadela, árvores endêmicas do Cerrado e manacás floridos teriam a ver com a existência de murundus nas cabeceiras dos mananciais?

Busquei a ajuda de biólogos para comprovar as funções dos cupins relacionadas à água. Consultei pesquisas realizadas sobre o tema. Minha intuição estava no caminho da ciência, da pesquisa e do conhecimento. Os ambientes povoados por murundus “funcionam como grandes esponjas, retendo águas da chuva, filtrando-a e liberando-a lentamente para abastecer os corpos d’água na estação seca”, relata a bióloga Bruna Helena Campos, Universidade Estadual de Campinas (Unicampo).

Devo agradecimentos aos cupins, meus sócios, que me despertaram para a sabedoria embutida na silenciosa natureza, cujo princípio básico não escrito, mas explícito, é unir todos os seres vivos para a manutenção da vida no planeta Terra. Quanto agrotóxico foi despejado sobre os murundus pelo homo erectus, faber e sapiens. Ficamos sem água da fonte e com a água dos rios, o solo e o ar contaminados.