CONCESSÃO DE SERVIDÃO AMBIENTAL E RPPN
COMENTÁRIOS SEMANAIS SOBRE MEIO AMBIENTE, POLÍTICA, LITERATURA E OUTRAS SUTILEZAS DO COTIDIANO.
terça-feira, 15 de agosto de 2023
CONCESSÃO DE SERVIDÃO AMBIENTAL E RPPN
segunda-feira, 31 de julho de 2023
CHUVAS DE JULHO
CHUVAS DE JULHO ▬ ANOS 2013 a 2023
–
Em milímetros ─ 1 mm = 1
litro/m2
ANOS
MÊS ▬ TOTAL ANO/ MM
2012
− ******
******
2013 –
3.0 2.255,6
2014 –
0.0 1.677,5
2015 –
0.0
1.642,7
2016
-
0.0 1.921,7
2017
- 0.0
1.478,7
2018 –
0.0 1.760.5
2019
–
0.0 1.069.3
2020 − 0.0 1.787,8
2021 – 0.0
1.710.8
2022
– 0.0 1.279,2
2023 - 0.0 680.3 (Neste ano)
SÍTIO DAS NEVES, BR 060, KM 26, DF, EM REGENERAÇÃO DESDE 1974.
Uma área degradada como a do Sítio das Neves, segundo especialistas em
recuperação do Cerrado, leva 50 anos para se regenerar. O Sítio das Neves,
Cerrado maltratado pela urbanização e ocupação desordenada e métodos
antiecológicos, está completando 50 anos nesse processo lento, gradual e
efetivo de regeneração, A felicidade vegetal ilumina o ambiente. As curicacas,
as saracuras, as seriemas, os tucanos e os sabiás garantem as sinfonias das
manhãs e dos entardeceres.
SOU IRMÃO DAS ÁRVORES.
ELAS VIVEM EM MIM E FALAM COMIGO.
Aos que seguem o movimento das águas pluviais durante o ano,
ofereço os dados pluviométricos do mês de julho dos últimos 11 anos. Volumes
coletados pelo pluviômetro, instalado no Sítio das Neves pela Agencia Nacional
de Aguas (ANA), refletem a situação pluviométrica de parte da Bacia do
Descoberto e Micro Bacia do Ribeirão das Lajes, DF. No Sítio das Neves, a
vegetação e as nascentes mantêm boa umidade do solo e do ar, detêm três terços
da água da chuva, contribuem para a recarga dos aquíferos e regulam o curso dos
dois córregos que nascem na área.
O acumulado de chuvas, até este mês de julho de 2023, é de 680.3 mm/ ou litros por m2,
na região da microbacia do Ribeirão das Lajes. O Sítio das Neves não foi
agraciado com chuvas, no mês de julho.
Como se observa no quadro, a região do DF, no mês de julho de
2013, excepcionalmente recebeu 3.0 mm de chuvas. As temperaturas frias e a baixa
umidade fazem parte do descanso do Cerrado, mas também o apavoram com queimadas
e um gradativo aumento de queima de combustível fóssil pelo intenso uso de automóveis.
A falta de um sistema inteligente de captação das águas pluviais, para
infiltração no solo, provoca o rebaixamento das águas subterrâneas do DF. Nas
áreas densamente florestadas, como o Sítio das Neves, as árvores e os murundus
(cupins) administram com grande sabedoria a captação, a retenção e a
infiltração das águas captadas da chuva.
Os ecossistemas que mantêm vegetação densa resistem melhor às
variações do tempo e às severas mudanças climáticas. A preservação das
nascentes e o incentivo ao florestamento nativo são ações prioritárias para a
lenta regeneração dos ecossistemas, a captura e retenção de carbono no subsolo.
Esta função do Cerrado só acontece se mantida a floresta original. Os 70 ha do
Sítio das Neves não emitem carbono de efeito estufa, pois os retêm no solo. As
árvores estão felizes e transmitem felicidade a quem as respeita.
Imagem de drone, árvores vistas de cima. Sítio das Neves, julho 2023., Mês de colher camomila, também dita marcela ou macela.
segunda-feira, 24 de julho de 2023
Quincuagésimo aniversário de casamento
22 de julho de 1968
sexta-feira, 14 de julho de 2023
ALTO PARAÍSO VISITA SÍTIO DAS NEVES
ALTO
PARAÍSO DE GOIÁS
VISITA
O SITIO DAS NEVES, NO DF.
MAS
PODE FALTAR EM SUA CASA.
Água
não vai faltar no planeta enquanto existir o mar e as árvores, mas pode não
estar acessível em muitos lugares onde existam seres vivos humanos e não
humanos.
Preservar
as florestas é garantir água para todos.
Captar
e deter águas da chuva em áreas urbanas e rurais é demonstração de inteligência
humana e de instinto natural de não humanos.
A
mão humana é extremamente hábil, mas muitas vezes contraria a capacidade
intelectual de que dispõe para agir com sabedoria.
As
árvores e todos nós hóspedes do Sítio das Neves agradecemos a visita fraterna
dos anjos e anjas incentivadores da regeneração dos ecossistemas de Alto
Paraíso.
Valdivino
Pereira do Rosário - motorista
Ivonete
Rodrigues de Souza – Sec. Munic. de Agric.
Nayara
Gomes de Amorim – Agroeco
Edson
Pereira da Silva - Agroeco
Altenice
Bispo – Agroeco - sementes
Marconey
Correia da Silva – Vereador Munic.
Emily
Borges - veterinária
Elaine
Blumer - professora
Claudia
Lulkin – Nutricionista, Sec. de Educação
Gustavo
Leon – Artista – documentarista.
quarta-feira, 28 de junho de 2023
MEUS 89 ANOS
MEUS 89 ANOS
O caminho me levou aos 89,
Passo a passo, amando a vida
E todas as vidas, com liberdade,
Respeitando com precaução
A velocidade da via.
Aos 89 anos, compreendo que a vida é o alvo. Vida vegetal, vida
animal, vida sapiente. A vida surge da água e toma a forma de um ser capaz de
se reproduzir. Cuidar das águas é, portanto, garantir a sobrevivência de todos
os seres segundo suas espécies. O essencial, então, é estar vivo. O importante
é manter a vida. O caminho da vida, como um rio, é feito passo a passo, gota a
gota. “Golpe a golpe, verso a verso”, disse o poeta. O caminho se abre fácil ou
difícil ao avançar. É o que percebo convivendo, por 49 anos, com as vidas do singelo
Sítio das Neves, hoje regenerado, no coração do Cerrado, no Planalto Central do
Brasil. Interajo, como hóspede na biocomunidade, com todos os seres vivos de
todas as espécies. Sinto em mim a vida deles. Estou rodeado de vidas e cada
vida tem seu caminho. Gostar da própria vida é colher felicidade. No meio do
caminho há pedras e flores. Mais flores que pedras. Flores sobre pedras.
Dediquei largos anos a compreender e a aceitar os limites da
enigmática contradição do agir irrefreável do homo sapiens que, para viver, destrói vidas. Entristeço-me com o
comportamento humano. Em 300 mil anos, o sapiens ainda não compreendeu nem
aceitou os limites dessa contradição. Minha intuição é que o fascínio da
tecnologia e os arroubos da inteligência artificial sem limites provocarão amargos
tempos à espécie sapiente. Viver é preciso! Viver!
Registro meu testemunho. Amo as árvores porque as vejo nascer,
sorrir, cantar, dançar ao sol e ao vento, abrigar ninhos de pássaros, dar
sombra ao tamanduá solitário e repousar à noite admirando estrelas. Amo as
árvores porque elas protegem as águas que garantem a vida. Se alguém lembrar de
mim, quando minhas cinzas estiverem ao pé da Guapeva, à beira do Córrego da
Mata Azul, no Sítio das Neves, diga apenas: ele amou as árvores!
PARA
VOVÔ
Senhor
Tempo grandioso
Como
ele é valoroso.
Misteriosa
arte fina
Simplesmente
engenhoso.
Tem
minuto infinito
Tem
milênios num piscar
É como
o mar em uma gota
Sendo
uma gota do mar.
Laura
Giovenardi Goretti (Senhor Tempo)
segunda-feira, 26 de junho de 2023
CHUVAS DE JUNHO 2023
CHUVAS DE JUNHO ▬ ANOS 2013 a 2023
–
Em milímetros ─ 1 mm = 1 litro/m2
2012
− ******
******
2013 –
23.8 2.255,6
2014 –
7.0 1.677,5
2015 –
0.0
1.642,7
2016
-
0.0 1.921,7
2017
- 0.0
1.478,7
2018 –
0.0 1.760.5
2019
–
0.0 1.069.3
2020 − 0.0 1.787,8
2021 –
39.0
1.710.8
2022
– 0.0 1.279,2
2023 - 0.0 680.3
(Neste ano)
SÍTIO DAS NEVES, BR 060, KM 26, DF, EM REGENERAÇÃO DESDE 1974.
SOU IRMÃO DAS ÁRVORES. ELAS VIVEM EM MIM E FALAM COMIGO.
Aos que seguem o movimento das águas pluviais durante o ano,
ofereço os dados pluviométricos do mês de junho dos últimos 11 anos. Volumes
coletados pelo pluviômetro, instalado no Sítio das Neves pela Agencia Nacional
de Aguas (ANA), refletem a situação pluviométrica de parte da Bacia do
Descoberto e Micro Bacia do Ribeirão das Lajes, DF. No Sítio das Neves, a
vegetação e as nascentes mantêm boa umidade do solo e do ar, detêm três terços
da água da chuva, contribuem para a recarga dos aquíferos e regulam o curso dos
dois córregos que nascem na área.
O acumulado de chuvas, neste ano, é de 680.3 mm/ ou litros por m2,
na região da microbacia do Ribeirão das Lajes. O Sítio das Neves não foi
agraciado com chuvas, no mês de JUNHO..
Como se observa no quadro, a média de chuvas dos meses de junho,
nos ONZE anos registrados, foi de 6.3 mm
ou litros por m2. Como indica o quadro, em 8 anos não houve chuva (a irregularidade ocorreu em 2021). Nos últimos
anos, chuvas no mês de junho são bem-vindas, mas excepcionais. Entre os dias 16-18, houve chuvas localizadas no DF,
mas pouco contribuíram para a recarga dos aquíferos. Nos meses de junho sem
chuva, agravados pela grande área urbana impermeabilizada e por falta de um
sistema inteligente de captação das águas pluviais para infiltração no solo, a
tendência é o rebaixamento das águas subterrâneas do DF. Nas áreas densamente
florestadas, como o Sítio das Neves, as árvores e os murundus (cupins) administram
com grande sabedoria a captação, a retenção e a infiltração das águas da chuva.
Os ecossistemas que mantêm vegetação densa resistem melhor às
variações do tempo e às severas mudanças climáticas. A preservação das
nascentes e o incentivo ao florestamento nativo são ações prioritárias para a
regeneração dos ecossistemas, captura e retenção de carbono no subsolo. Esta
função do Cerrado só acontece se mantida a floresta original. Os 70 ha do Sítio
das Neves, há mais de 22 anos, não emitem carbono de efeito estufa, pois os
retêm no solo. As árvores estão felizes e transmitem felicidade a quem as
respeita.
OS FENÔMENOS EL NIÑO E LA NINÃ, neste ano, estão ativos e já
causaram e continuarão causando dificuldades nas regiões do sul e nordeste.
esses fenômenos se mostram mais ativos de sete em sete anos, tempo que
permitiria ao poder público e à sociedade prepararem-se para enfrentar a fúria
dos ventos e a densidade das chuvas.
Imagem: o lixo continua exposto ao longo das rodovias do DF e em
contêineres abertos ao longo das superquadras do Plano Piloto e bairros de
Brasília.
sexta-feira, 16 de junho de 2023
MURUNDUS
MURUNDUS
Deambulando pelo Sítio das Neves, nas partes altas e
baixas, tenho notado grandes formações de murundus sobre o solo e casas de
cupins presos ao tronco de árvores ou em galhos mais altos. Os do chão servem
de mesa aos tatus e tamanduás. Os ninhos suspensos em árvores alimentam
caturritas e outros pássaros.
Uma de minhas contribuições ao processo de regeneração da
área degradada pelo fogo, pisoteio de bovinos, corte de árvores para
transformá-las em carvão, consistiu em construir pequenas barragens nas grotas
e canais de esgotamento que se formaram durante centenas de anos, para
contenção e detenção de águas da chuva.
Nas áreas mais altas, onde a disponibilidade de pedras era
quase nula, passei a usar, como os castores, madeira seca e folhas de catolé
como base da barragem e sobre ela uma camada de terra de cupim em blocos para
preservar a vida dos insetos. A intuição precedeu ao conhecimento que se
consolidou com a observação dos resultados. Sobre essas barragens e ao redor
delas cresceu a vegetação, graças à detenção das águas por mais tempo.
Os cupins se tornaram meus sócios, tanto na captação de
águas da chuva, quanto na regeneração vegetal. Não teriam os murundus outras
funções, especialmente os que povoam as cercanias das áreas em que brotam
nascentes de água perenes ou intermitentes? Depois de uma queimada, em ambos
lados da BR 060, aparecem inúmeros murundus expostos ao Sol cáustico de
setembro e outubro. Qual seria o segredo da sobrevivência dos cupins ao fogo?
Estariam eles protegidos pela espessa camada que reveste suas casas graças à
mistura da baba que produzem e a umidade que eles mantêm no interior? A
vegetação densa, os arbustos frutíferos como os mirtilos, cajuzinhos (Anocardium humile), marolo (Annona classiflora), mama-cadela,
árvores endêmicas do Cerrado e manacás floridos teriam a ver com a existência
de murundus nas cabeceiras dos mananciais?
Busquei a ajuda de biólogos para comprovar as funções dos
cupins relacionadas à água. Consultei pesquisas realizadas sobre o tema. Minha
intuição estava no caminho da ciência, da pesquisa e do conhecimento. Os
ambientes povoados por murundus “funcionam como grandes esponjas, retendo águas
da chuva, filtrando-a e liberando-a lentamente para abastecer os corpos d’água
na estação seca”, relata a bióloga Bruna Helena Campos, Universidade Estadual
de Campinas (Unicampo).
Devo agradecimentos aos cupins, meus sócios, que me
despertaram para a sabedoria embutida na silenciosa natureza, cujo princípio
básico não escrito, mas explícito, é unir todos os seres vivos para a
manutenção da vida no planeta Terra. Quanto agrotóxico foi despejado sobre os
murundus pelo homo erectus, faber e
sapiens. Ficamos sem água da fonte e com a água dos rios, o solo e o ar
contaminados.