quinta-feira, 17 de outubro de 2013

ECOLOGIA: CATECISMO DA AUSTERIDADE OU NOVA FORMA DE PROSPERIDADE – II PARTE

Nota: Aos frequentadores desta página, apresento a segunda parte do texto com o mesmo título. A terceira parte: UMA NOVA FORMA DE PROSPERIDADE, completará o texto.


Os defensores do equilíbrio natural das coisas (Lucrécio, De rerum natura, séc. I a.C.), os promotores de uma ecologia inteligente e compreensiva não só têm a árdua tarefa de disseminar informações científicas, ideias e propostas para a sociedade indiferente ou voltada francamente para extorquir da natureza o que lhe aprouver, como ainda defender-se das acusações e inverdades contra eles lançadas.
Nesta segunda parte, serão incluídas informações que não constam dos relatórios divulgados pelo IPCC ( Sigla em inglês – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) por não serem de interesse imediato dos Estados e Nações que contribuem financeiramente para a realização dos estudos e pesquisas sobre o aquecimento global do planeta.
Em primeiro lugar, a ecologia deve ser considerada como um todo unitário e complexo. A ecologia compreende o exame cuidadoso da casa (oikos,Gr.) na qual habitam todos os seres vivos. Esta casa denomina-se Natureza. Nela estão os seres inanimados ou a matéria inanimada, os seres animados ou matéria viva e, entre os seres animados, a espécie humana ou matéria consciente. Todos os seres vivos são compostos dos mesmos elementos: hidrogênio e carbono. A espécie humana, em milhões de anos de evolução, foi a única que desenvolveu, no músculo cerebral, a consciência do eu. Além de reconhecer-se como ser vivo e distinguir milhares de outros seres vivos, é capaz de reconhecer exemplares da mesma espécie e comunicar-se com eles. Não há que esquecer, a espécie humana traz, em seu organismo, o DNA humilde da primeira molécula do pântano original.
Os seres vivos são dotados das mesmas características evolutivas de sobrevivência e reprodução. O elo que une a todos é a vida. A continuidade da vida depende das condições climáticas e ambientais favoráveis à sobrevivência e à reprodução de espécies vivas. Este é o ponto mais delicado e frágil de nossa casa, de nosso habitat comum. Nenhum ser vivo é privilegiado a ponto de reclamar prioridade na sobrevivência e reprodução. O clima é ao mesmo tempo doador e receptor de vidas e estabelece uma corrente de interdependência de todos os seres. Quando um fenômeno natural, como vulcão ou terremoto, destrói parte dos seres vivos de uma região, suas consequências se alastram a todo o sistema natural. Há uma diminuição temporária da biodiversidade e um encolhimento da biocomunidade local de consequências sistêmicas. Sua recuperação pode demorar séculos ou milênios.
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Os seres vivos de uma mesma espécie, em sua expansão e dominação espacial, em uma determinada região, podem provocar consequências semelhantes a fenômenos naturais de grandes dimensões. A biodiversidade das regiões nórdicas, com a incidência massiva de coníferas, é bem menor do que a do Cerrado brasileiro ou da Cordilheira Andina. E apenas sobrevivem nelas as que se adaptaram a frios prolongados, a dias curtos compensados com alguns meses de dias longos, durante os quais elas recuperam as energias gastas durante o inverno. A espécie humana participa da sobriedade da oferta de alimentos desse clima e faz, como as plantas, suas provisões durante o curto verão.
A biodiversidade, pouco conhecida, nas profundezas dos oceanos é infinitamente maior do que a de nossos rios devastados pela poluição urbana e rural. É dos oceanos que nos vem a chuva e a oferta de alimentos.

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Há, pela natureza das coisas, relações estruturais, isto é, de composição orgânica, entre os seres vivos e entre eles e as condições favoráveis ou desfavoráveis do clima e suas modificações submissas às leis físicas. Existem, ao mesmo tempo, forças de atração que propiciam cooperação entre os seres vivos e competição existencial, por vezes cruel, para garantir a sobrevivência de uns em detrimento de outros. As vidas se alimentam de vidas. É a lei da natureza. Mas o equilíbrio entre a cooperação e a competição, com exceção dos efeitos do desencadeamento dos fenômenos naturais incontroláveis, pode ser rompido pela matéria consciente, pela espécie humana, pelo homo sapiens que se dá a si o direito de dominação sobre outras vidas, quando lhe cabe apenas o uso complementar dos bens da natureza para a continuidade da vida.
Os seres que têm mais aptidão para cooperar e competir resistem às condições climáticas adversas e se impõem sobre os demais. Neste ponto é que reside o perigo e entram as discussões sobre se é verdade que o crescimento numérico da população humana do planeta ameaça o equilíbrio da natureza. Há, pelo menos, 70 mil anos que a espécie humana encetou sua migração do continente africano para todas as regiões do planeta. E, com altos e baixos, se deu bem em todas elas. Criou idiomas, construiu culturas e civilizações, adaptou-se a diferentes biomas e climas, selecionou os alimentos necessários e suficientes para sua sobrevivência, domesticou animais que o auxiliam em alguns serviços e lhe dão comida, inventou utensílios, canalizou águas, dominou o fogo e se aventura em equipamentos tecnológicos, cada dia mais surpreendentes, mas sempre subordinados às leis físicas inalteráveis que lhe ditam os limites.

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Quem pode resistir ao homo sapiens senão o homo sapiens? Quais são os limites da espécie humana? Os limites são dados pelas leis físicas e pelas leis biológicas que regem a vida de todos os seres. Aqui se dividem as interpretações. Uma, que o ser humano, com sua capacidade e desenvolvimento cerebral, é capaz de solucionar todos os problemas e dificuldades que ele mesmo cria. Portanto, não importa o que faz, como faz, quando faz e quanto faz. Outra, que o ser humano é limitado em sua criatividade cerebral e, embora possa usar e dispor dos elementos da natureza que lhe garantem a vida, não pode criar o ar, a água, a terra e o fogo. Esses elementos lhe são dados. Portanto, a sobrevivência e a reprodução da espécie humana e a de todas as formas de vida vinculam-se à interdependência de todos os seres vivos e dos elementos naturais essenciais à vida.
Os que se alinham à limitação do agir e do fazer da espécie humana e que propõem medidas inteligentes e conscientes de preservação da biodiversidade ampla e irrestrita, de defesa de todas as formas de vida e da necessidade de manter o equilíbrio para assegurar a existência de todas as energias vitais do planeta, são os ecologistas recrutados em todas as profissões. Implícito está, no conceito de interdependência, o limite de crescimento da população da espécie humana pelo fato de que ela é a única a pôr em risco o equilíbrio da natureza.
Os partidários do homem todo-poderoso, do homem empreendedor, desbravador e conquistador, apostam suas fichas na tecnologia sem limites, que conduz ao uso ilimitado das riquezas naturais, à devastação de florestas, esgotamento de reservas aquáticas, com a justificativa de que só o crescimento econômico infinito e a acumulação de riquezas podem satisfazer os desejos de felicidade humana. É a mística do crescimento praticada pelos adoradores do PIB.
A ecologia e os ecologistas são agraciados com qualificativos até zombeteiros: catastróficos, mercadores do medo, sectários de tendência totalitária, grupelho de fanáticos que pretendem criar um gulag verde. Os estudos do IPCC apontam, com 95% de certeza, que a mão humana é responsável por mudanças climáticas nas últimas décadas. Um estudo não é uma ameaça. Dizer que o aquecimento climático é uma realidade não significa apresentá-lo à consciência humana como uma arma para punir a espécie do homo sapiens.

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Para melhor despertar a consciência ecológica sobre a realidade climática presente e suas implicações para o futuro, será conveniente estabelecer o que pode afetar os seres vivos a curto prazo, próximos 20 ou 30 anos, e as possíveis circunstâncias que envolverão o planeta daqui a 100 anos. Nesse momento do tempo, nossos bisnetos ainda estarão vivos.
No curto prazo, a população mundial enfrenta frequentes fenômenos naturais exacerbados como furacões, tornados, tempestades, nevascas, secas, inundações. Nas áreas mais povoadas, à beira-mar, em zonas montanhosas, em urbanizações não protegidas contra essas grandes intempéries, as populações mais pobres são as mais atingidas. A desigualdade social, econômica e política mantém quase metade da população mundial em permanente situação de risco: escassez de água, de comida, de moradia, de mobilidade, de escolaridade, de lazer, de trabalho e de ócio criativos, de bem-estar e de outras facilidades (PatriciaVendramin, Réinventer le travail).
A desigualdade não só separa a população mundial em duas partes, a quem tem o supérfluo e a que não tem o suficiente, como cria dois cenários de consciência sobre as mudanças e as dificuldades climáticas para a sobrevivência, reprodução e usufruto dos bens da natureza. As nações ricas e os ricos dessas nações têm dificuldades de ou não se dispõem a aceitar a possibilidade de limitar o consumo de bens e serviços, pois podem comprá-los a qualquer custo. Os pobres das nações pobres ou potencialmente ricas são empurrados pela necessidade de obter, a qualquer custo ecológico e ambiental, os bens cada vez mais escassos e difíceis. Os ricos, porém, das nações pobres, ditas emergentes, habituados ao consumo obsessivo e esbanjador, aceitam com descaso medidas de proteção ambiental desde que não interfiram em sua forma de tratar a natureza como propriedade privada. “Ciência sem consciência é a ruína da alma”, dizia Rabelais. A ignorância e a negligência parecem ainda comandar os comportamentos não só da maioria da população rica ou pobre, mas especialmente dos governos, dos políticos, dos investidores que dirigem seus programas para maximizar lucros ou obter índices estatísticos que garantam sua permanência no poder.
Na espoliação da natureza essas duas forças antagônicas se unem para destruir florestas, esgotar mananciais aquíferos, poluir rios e mares. O crescimento da população mundial está prevista em 9 bilhões, para 2030. Mantidos os índices de poluição geral de 2013, cuja tendência não é de serem alterados no curto prazo, aumentará o grau de dificuldades a serem enfrentadas nas próximas décadas. Há que voltar aos anos 1970 quando já se propunha o princípio da precaução.
Se o aumento da temperatura média do planeta (hoje, ao redor de escasso 1ºC), propicia, a algumas regiões, condições favoráveis para produzir alimentos, há que tomá-las como situação transitória, pois ninguém assegura que ela se mantenha estável.

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Os relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), embora importantes e sérios por representarem um progressivo avanço no conhecimento das mudanças climáticas, nem sempre mostram tudo e é possível que escondam muito, pois a redação final inclui decisões de diferentes governos e países. Nos prazos mencionados não se introduzem situações que se vêm produzindo ou que se tornaram extremamente perigosas para a continuidade da vida no planeta.
Uma dessas exclusões dos relatórios, e que tem um peso enorme na emissão de gases de efeito estufa, se refere à crescente perfuração de poços pelo método de fragmentação hidráulica da rocha para produção de xisto betuminoso (gás e óleo). As consequências observadas revelam contaminação dos aquíferos, emprego de abundantes volumes de água, uso de produtos químicos que ajudam a esfrangalhar as rochas e causar a poluição do solo por escoamento de águas tóxicas.
Para ilustrar este perigo em andamento, em 2012, existiam 450.000 poços perfurados nos EEUU, 14 mil deles, em Nova Iorque. Nos EEUU, se perfuram anualmente, em média, 25 mil poços e, para 2020, se estima que o xisto betuminoso significará 20% do gás produzido. ("El efecto Dominó. El destino del agua en el siglo XXI, Alex Proud'Homme, 2012)
O derretimento dos gelos do Ártico, devido às mudanças climáticas naturais associadas à ação humana, libertará tal quantidade de gás metano que poderá pôr em cheque a vida na Terra. Segundo um comunicado de imprensa da NASA, ao longo de milhões de anos, o solo das geleiras (permafrost) do Ártico acumularam grandes reservas de carbono orgânico, volume estimado em 1.400 a 1.850 bilhão de toneladas métricas. Comparativamente, cerca de 350 bilhões de toneladas métricas de carbono foram emitidas a partir de toda a queima de combustíveis fósseis e das atividades humanas desde 1850. “As geleiras do Ártico são um gigante adormecido da mudança climática, o aquecimento das emissões de carbono já está disparando depósitos árticos de gás metano de superefeito estufa. Uma força incrível e verdadeiramente aterradora que ameaça iniciar uma reação em cadeia que, uma vez iniciada, poderia ser irrefreável. A humanidade está de pé à beira de um precipício e, se cair, será uma passagem de ida ao inferno”, conclui o informe da NASA. (Fonte: A geleira do Ártico – “O gigante adormecido da mudança climática”, NASA)
Não são poucos os motivos de preocupação para a sobrevivência dos seres vivos no planeta. As investigações do IPCC, os textos divulgados pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), pesquisadores de vários países membros de universidades de prestígio e instituições similares têm como responsabilidade a divulgação da ciência e do conhecimento. A ciência e o conhecimento devem levar a espécie humana a ter comportamentos que garantam a própria sobrevivência e reprodução e a de todas as formas de vida.
A ecologia não tem como finalidade punir, mas libertar a vida. Há que aumentar de maneira eficaz e eficiente o número de pessoas no mundo que saibam “ligar a justiça social à justiça ambiental e considerar que a ecologia é um dos instrumentos mais democráticos para melhorar a vida da espécie humana” (Noël Mamère, deputado verde, França). Nem é permitido esquecer que a vida da espécie humana depende de todas as formas de vida que se movem a seu redor.

(Colaboração informativa: Licenciado Eng. Agrônomo, Jaime Llosa Larrabure, peruano).

terça-feira, 8 de outubro de 2013

ÚTIL E DOLOROSA

Foto: Jiboia abraçando filhote de pato.(Sítio da Neves, DF)

A interdependência dos seres vivos é necessária à preservação da vida. É também útil e, muitas vezes, cruel e dolorosa.
Um predador faminto comeu, nessa noite passada, os quatro patinhos que nasceram há poucos dias. Essa violência resultante da fome tem origem na devastação do cerrado praticada pela mão humana. Não há, nos arredores de meu Sítio das Neves, comida suficiente para determinadas espécies de carnívoros e onívoros.
Os galinheiros e pateiros têm que ser protegidos para salvar parte da criação. Uma das soluções práticas é fazer creches e gaiolas confortáveis para proteger os pequenos. Os grandes, bem ou mal se safam.
Damos pouca atenção ao fato de que os bichos e as árvores sabem, têm bússola precisa e memória acurada. As árvores sabem quando é tempo de desfolhar-se para poupar energias; quando é tempo de revestir-se de folhas para transformar carbono em oxigênio; quando é tempo de florescer para dar frutos e produzir sementes não só para reproduzir-se como para alimentar outras vidas; quando dirigem suas raízes para os veios de água e esparramam os galhos para os quatro pontos cardeais com o fim de obter todos os ângulos da luz do sol.
Há bichos que têm memória exata de onde possam achar a comida fácil se uma vez lá a encontraram. O local preferido pelas patas para pôr e chocar seus ovos foi descoberto há anos por raposas e lagartos.
Ontem, lembrei-me da possibilidade de uma pata choca ser levada para a toca da raposa. Bem cedo, fui constatar se os patinhos já estavam rompendo a casca dos ovos para verem a luz. A pata não estava mais no ninho. Na madrugada, a raposa levou a pata e deixou os ovos para seu amigo lagarto. Penas soltas davam o rastro da direção para onde foi arrastada.
Estamos rodeados de sabedoria vegetal e animal.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

NOVO BAIRRO DO DF!


Li a matéria no CB, relacionada com a DF-140 e os 900 mil habitantes que serão instalados ali, em dez anos, dizem. Não acredito em datas dadas pelo governo. É uma área grande, 17 mil há, que foge à capacidade de planejamento dessa turma congregada em torno de interesses econômicos e políticos públicos e privados, nada democráticos. Penso até que o projeto já está pronto e esse seminário convocado é apenas para legitimar o que se chama de participação da sociedade civil.
O que me embaraça é a mediocridade desse pau-mandado que dirige a Sedhab. Palavras dele: "O que estamos fazendo no DF é inédito. Estamos planejando uma região toda, por isso o seminário é importante para estabelecer as diretrizes de ocupação".
Dos 17 mil ha, 12,5 mil ha são edificáveis.
Como é que a Sedhab vai planejar a região toda se existem na área 350 proprietários, Luiz Estevão com 2,6 mil ha e a Terracap com 20% da área?
Se colhessem a experiência do projeto La Villette (Norte de Paris) com 25 ha, primeiro: fariam a desapropriação global da área; segundo: definição de 60% de área verde para oxigenação do espaço, lazer e proteção ambiental; terceiro: demarcação dos cursos de água, nascentes, matas ciliares, etc. quarto: urbanização do espaço com todos os serviços necessários, principalmente o que permite a mobilidade da população para todas as direções, próximas e distantes.
Como é que o Instituto Chico Mendes pode se pronunciar sobre as terras de Luiz Estevão se paga aluguel de um imóvel que pertence ao senador cassado?
"A sua opinião é muito importante para nós!"
Os nomes que figuram na lista de autoridades do seminário em questão me desanimaram.
São os mesmos de Águas Claras e Noroeste.

É de arrepiar o cidadão. O projeto é um fato consumado. Vivemos numa ditadura democrática, administrativa e econômica.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

MOBILIZAR


 
A linguagem oficial dos governos estabelecidos, seja qual for a modalidade, precisa ser decodificada em todas as possíveis significações como se fora um hieróglifo. Ela é, por sua natureza e origem, derivada do poder de ligar e desligar. É sibelina. Pode significar uma coisa e outra. Quer dizer sim e não ao mesmo tempo, ou apenas gerar uma expectativa positiva ou negativa para justificar uma ou outra em algum momento posterior.
Em geral, as informações oficiais, especialmente as estatísticas, não podem ser tomadas ao pé dos números. As margens de aproximação da realidade são muito mais amplas do que as propostas pela fórmula e metodologia usadas. Os governos tratam as populações pela média dos números coletados. Decidem pela média. Às vezes, cortam a realidade por cima. Outras, por baixo. É a maneira de conduzir o cérebro da população a aceitar o que dizem, graças à ampla repetição que todos os meios de informação fazem desses números e às múltiplas interpretações que agregam aos percentuais, hoje, obrigatórios.
É tanta a variação e tantas as probabilidades de que os números atinjam este ou aquele grupo da população, esta ou aquela área da economia e da cultura que fica a dúvida sobre que ou de qual região ou país se está falando. Ou de qual realidade se trata.

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Por exemplo, o preço do tomate na localidade de Engenho das Lajes (DF) estava a dois reais o quilo e, na mesma época no Pão de Açúcar, a sete reais. Esses números eram reais ao comprador de um e outro lugar. Mas, no Pão de Açúcar, comprava-se, antes, a três reais quando, no Engenho das Lajes, adquiria-se o tomate a dois reais o quilo.
O aumento da inflação, no país, assustou todos os compradores de tomate. Todas as especulações, explicações e justificativas foram dadas e repetidas por todos os meios de informação. Criou-se a paranoia da inflação do preço do tomate. Era e é comum ouvir-se “tudo aumentou” e, ao mesmo tempo, as autoridades que detêm os cálculos estatísticos dizem que o ímpeto inflacionário se enfraqueceu. De repente, o preço do tomate baixou.
Foram, assim, plantados no cérebro da população os critérios que dirigem o pensar político e econômico. O tomate serviu de eixo condutor de decisões do consumidor. Enquanto isso e ao mesmo tempo, o preço do material escolar e das anuidades do ensino privado aumentou mais do dobro da inflação anunciada pelo governo. Mas os pais não podem trocar anualmente de colégio como se troca de legume ou se deixa de o comprar. A deseducação começa na ambiguidade nunca esclarecida: lei da oferta e da procura (também dita “mercado”) ou lucro do negócio rentável do ensino privado. Aceita-se o aumento do preço do tomate e da anuidade escolar sem saber quais os critérios e as razões que justifiquem um e outro. Cria-se um sentimento de impotência, de apatia, de indignação.
É um processo deliberado de deseducação e desorientação que afeta todos os critérios de decisão, de participação e de comportamento da população. Há que se rebelar contra isso!


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Outro exemplo de perversão da pedagogia é a informação sobre custos de socorro e atendimento hospitalar de acidentados do trânsito. Os 42 mil mortos no trânsito, anualmente, estão computados nos 211 milhões de reais que o governo diz gastar com atendimento hospitalar ou se referem apenas aos feridos? É só o governo que põe dinheiro para atendimento das vítimas? Supõe-se que os familiares também arquem com despesas de hospital, fisioterapia, psicólogos, psicoterapias, e até psicanalistas. Os custos desse desastre da mobilidade são muito maiores dos anunciados. Trata-se, então, de mobilizar a sociedade organizada, a sociedade civil para compreender esse desatino que beira ao suicídio coletivo. Quem pertence à sociedade civil organizada? O governo faz parte da sociedade civil? Se faz, tem que ser mobilizado e sair da letargia. Destacar uma quantia de dinheiro para tal ou qual serviço não significa mobilizar-se. A mobilização implica pensar. E esta atividade cerebral parece quase inexistente na administração pública.
Se o governo favorece a compra de automóveis, se contenta com o bom desempenho da indústria automotora e permite velocidades de 120 km/h, está sendo conivente com os acidentes de trânsito. Não é, portanto, nenhum favor conceder 211 milhões de reais para socorrer vítimas de acidentes.
Os motoristas de automóveis, que não obedecem às leis de trânsito, que deixam mortos e feridos, pertencem à sociedade civil organizada? Como mobilizá-los ou mobilizar-se contra eles?
Devemos aceitar o processo deseducativo do governo e da sociedade civil organizada ou mobilizar os espíritos livres e independentes para protestarem contra a desordem estimulada pelos governos e pela desídia da sociedade organizada?

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Parece que os ingredientes da educação oferecidos pela receita dos governos se restringem a emprego – renda – consumo, cuja meta finalística é a chamada cidadania ou autoestima. Todos seremos iguais perante o consumo de bens: carros, casa, telefone celular, água, energia, viagem aérea. Os outros itens da igualdade – cultura, educação básica universal, capacidade de pensar, criticar, julgar, decidir, participar, saúde, transporte público democrático, lazer – ficam ao sabor da retórica partidária e da cooptação das pessoas para aprovar tão somente a igualdade do consumo de bens materiais.
Chega-se, então, ao pico da igualdade quando toda a população sabe discutir as vantagens e desvantagens de comprar esta ou aquela marca de automóvel movido a combustível fóssil extraído dos poços de Libra nos fundos do pré-sal. Teremos uma sociedade organizada sobre rodas em alta velocidade e funerais subsidiados pelos impostos democraticamente pagos.
As consequências se manifestam no contumaz índice de analfabetismo, no abandono às aulas, na busca de qualquer emprego ou bico que dê ao jovem a chave de entrada no consumo. Uma grande massa de trabalhadores se manifesta pela via do inconsciente coletivo comandado por sindicatos, por políticos populistas, pela imprensa difusa que lhes dá as pautas dos direitos legais. Na prática não sabem como funciona esse processo burocrático em que se misturam uma complexa legislação, mudança de regras, decretos governamentais, escritórios de advogados e de contabilidade, múltiplos órgãos públicos, bancos arrecadadores e empresas contratantes.

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Surpreendeu-me a ignorância de trabalhador que contratei para auxiliar-me na defesa da Área de Proteção Permanente de meu Sítio. A família de cinco pessoas possui 4 telefones celulares, moto, carro e bicicleta. Manipulam os rudimentos dessas tecnologias e não têm a mínima ideia de como funciona o processo de contratação de sua força de trabalho no que tange à lei. Sabem da existência e dos efeitos práticos do INSS e do FGTS, mas ignoram como isso se processa e se controla. Cada vez que visitam esses órgãos para consulta é como entrar um quarto escuro. Quando precisar receber os benefícios da proteção do Estado, estará só e perdido numa fila de banco oficial. Não se trata apenas desse trabalhador. Contam-se aos milhares se não milhões.
Essas circunstâncias e situações não aparecem nas estatísticas oficiais. Elas nos dizem apenas que tantos por cento dizem que frequentam a escola, mas pouco se sabe o que aprendem ali. Os critérios de igualdade são impostos ao cérebro do inconsciente coletivo para que se restrinja à felicidade de comprar e consumir até o último dos produtos inúteis, desnecessários e prejudiciais à saúde individual e à convivência social.

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A opinião pública é dominada por políticos medíocres, tidos como sinalizadores dos rumos do pensamento democrático, ético, moral e, ao mesmo tempo, são acusados de corrupção, de leniência administrativa e enriquecimento não explicado.
É deprimente observar e sentir que outros cidadãos com ideias e propostas alternativas à sadia construção da civilização são barrados por mecanismos cartoriais, truques dos tribunais de justiça que também estão a serviço de espertos, de raposas do zoo político e dos falastrões desenfreados.

Concluo que o Estado ou o conceito de Estado não conseguiu, nesses 500 anos de infância nacional, congregar educadores para a administração pública. Por isso, a educação nunca foi levada a sério e seremos por muitas décadas o país do mais ou menos com um povo alegre e cordial.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

ECOLOGIA: CATECISMO DA AUSTERIDADE OU NOVA FORMA DE PROSPERIDADE


I PARTE

A revista Nature publicou, em julho de 2012, um artigo assinado por 22 pesquisadores no qual alerta que os ecossistemas do planeta poderiam sofrer um colapso total até o final deste século (2100). Em fins de setembro de 2013, novo relatório do IPCC, confirma com 95% de certeza de que as condições climáticas estão sendo afetadas pela população humana, especialmente a que utiliza tecnologias movidas ao uso de combustível fóssil. O aumento de CO2, na proporção atual, pode levar à extinção de formas de vida reduzindo a biodiversidade e ameaçando a própria existência da espécie humana.
As tímidas medidas assumidas pela sociedade humana em todas as regiões do globo para obter resultados satisfatórios e comprovados merecem reflexões permanentes.
Múltiplas causas se associam a esse possível desfecho alarmante: pressão demográfica, perda da biodiversidade, elevada taxa de extinção de espécies, aumento das emissões de CO2. Esse conjunto de causas altera substancialmente as condições de existência, de sobrevivência e reprodução dos seres vivos.

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Esse grito estridente da possibilidade de uma catástrofe ecológica suficiente para exterminar bilhões de vidas, em tão pouco tempo, suscitou, entre especialistas de diferente orientação política e econômica, reações de incredulidade, de menosprezo e até de zombaria. A ecologia que defende o uso racional e igualitário de todas as riquezas do planeta foi interpretada como “o novo catecismo da austeridade”.
O fato de os ecologistas não apresentarem uma única saída para evitar o desfecho fatal e apelarem para o bom senso da humanidade com o fim de encontrar, em cada região e em cada situação medidas que levem a resultados universais, é tido como a maior fraqueza de seus argumentos. Daí uma ladainha de questões a eles proposta identificando-os como apóstolos do apocalipse, apologistas de uma nova religião orientada pela fé na eficácia de hábitos comedidos. O catecismo desses homens virtuosos – alegam – condena o consumo de combustíveis poluentes, o uso de energias sujas e destruidoras de florestas, prega ascetismo, privações e até prefere a fome e a pobreza dos países subdesenvolvidos para salvar a deusa Natureza.
Num tema tão complexo, há lugar para todos os argumentos, para todos os interesses, para todas as tendências. Aí vêm algumas perguntas provocativas que tendem a humilhar os proponentes de uma nova forma de prosperidade que propicie a convivência humana e integre a espécie humana na biocomunidade do planeta.

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Como persuadir, perguntam, as nações subdesenvolvidas ou emergentes a reduzir drasticamente sua população? Como alinhar o nível de vida dos mais ricos sobre os mais pobres? Como convencer os países pobres a permanecer em tal situação e os países ricos a renunciar à abundância? Qual elite ditatorial será capaz de impor suas vontades a 7 bilhões de seres humanos?
Para enfatizar essas perguntas aparentemente incontestáveis, os críticos da ecologia prudente e precavida enumeram vantagens do aumento das temperaturas que podem ajudar a combater a fome, a pobreza, a doença e os crimes em massa considerados os quatro flagelos mais agudos da humanidade. Mencionam a cultura de vinhedos no sul da Inglaterra, graças às melhores condições atmosféricas; o cultivo de frutas e legumes em terras antes congeladas da Groenlândia, bem como a imigração de focas a suas águas territoriais que lhe dão carne e peles para o comércio internacional. Quantos países do Hemisfério Norte submetidos a rigorosos frios não se rejubilariam com invernos mais curtos e verões mais clementes?

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Ressaltando essas vantagens imediatas, reais e de efeitos comprováveis a curto prazo, os ecologistas são acusados de fazer das mudanças climáticas uma arma para punir o gênero humano e levá-lo a fazer penitência. Uma volta à Idade Média, quando se interpretavam os cataclismos, furacões e inundações como castigo de Deus ao orgulho da criatura humana culpada de atos desmedidos.
Nomes atuais como lord Stern, Al Gore, James Hansen, Nicolas Hulot, sir Martin Rees, Hans Jonas (A festa industrial acabou) são ridicularizados por sua ingenuidade diante de possibilidades remotas e de difícil comprovação.
O novo catecismo da austeridade, segundo os místicos do crescimento, preconiza a “sobriedade feliz”, o despojamento material com entusiasmo e aconselha transformar o abatimento da escassez em alegria espiritual. É preciso acostumar-se à raridade das coisas, convencer os afortunados a se empobrecer e assegurar aos pobres que eles têm o necessário e o suficiente. Os partidos verdes pregam a ideologia da nova austeridade ditada pela saúde do planeta e desprezam as leis do mercado. São contrários a todos os avanços tecnológicos. Não só recusam a queima de carvão, como também do gás natural, do petróleo. Investem contra as usinas nucleares, os trens de alta velocidade, as nanotecnologias, os aeroportos e se concentram na energia eólica e solar.

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Em contrapartida, os opositores da chamada religião ecológica lançam os deuses do progresso contra os atrasos da fé ambiental. Se os países ricos tivessem seguido o princípio da precaução dos anos 50, jamais teriam chegado à indústria aeronáutica ou agroalimentar, ao complexo atômico ou químico, às autoestradas e aos trens de alta velocidade.
Que é desejável um desenvolvimento compatível com o respeito ao ambiente, dizem, todo o mundo está de acordo. Mas que, em nome da mãe Terra, seja necessário abraçar a regressão voluntária, idolatrar a privação, mergulhar na religião do medo, suspeitar de toda inovação tecnológica demonstra obscurantismo puro e simples. Conclusão: não é o cuidado do planeta que domina, é o ódio contra a humanidade dissimulado sob as vestes do culto da Natureza.
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Apesar dessas reações que beiram à ecofobia,  ao fanatismo e à intolerância a respeito de propostas alternativas apresentadas nos últimos 200 anos por geógrafos, arquitetos, filósofos, escritores, antropólogos, sociólogos, biólogos, há que se insistir no diálogo, na conversação, na análise dos fenômenos físicos, na crítica aos comportamentos humanos e no exame dos efeitos do uso irracional e desmedido das riquezas naturais e de sua apropriação por minorias em detrimento de maiorias.
O cérebro humano é dotado de mecanismos capazes de descobrir os melhores caminhos que garantem a sobrevivência e a reprodução de todas as formas de vida, quando se adquire a consciência de que pertencemos à mesma natureza e que é necessário assegurar a interdependência de todos os seres vivos.
Um mundo diferente é possível tanto quanto foi possível edificar o que hoje temos.
“Contrariamente ao que pensam os opositores das teses ecológicas, a ecologia apela para uma nova revolução que traz consigo miríades de inovações e que demandam, ao mesmo tempo, inteligência e ciência”. (Pascal Canfin, Ministro do Desenvolvimento, França, 2013)


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

QUALIDADE DA ÁGUA


Foto 1: fogo destrói nascentes



As atenções dos organismos da administração pública brasileira se voltam, com razão e propriedade, para preservar a qualidade das águas que servem ao uso humano e de outras formas de vida. Como o Brasil é conhecido por sua abundancia de água onde há pouca população e menos água e de baixa qualidade nas proximidades das metrópoles e regiões densamente habitadas, tem-se uma atitude de quase indiferença sobre a quantidade da água disponível. E, mais que tudo, ignorância geográfica sobre as nascentes de água.
Poucas vezes e raros são os especialistas em hidrologia e geografia que relacionam a quantidade de água disponível e a demanda crescente em vista da expansão demográfica. Com timidez se anota, quase pedindo perdão aos ouvintes, a real e física incapacidade de suporte de um espaço para abrigar número de habitantes cuja densidade esgota definitivamente as energias naturais disponíveis. A tendência generalizada dos especialistas é minimizar os índices de crescimento demográfico e maximizar a capacidade humana e sua curiosidade tecnológica para contornar futuras dificuldades no acesso à água.
É bom lembrar que, pela média do consumo humano e sua necessidade essencial, pequena ou grande, cada pessoa precisa de 110/120 litros de água por dia. É uma cota pessoal. Mas em volta da pessoa há outras atividades que exigem o uso da água. Cálculos aritméticos simples dão a cifra do imenso volume de água que uma cidade como Brasília que abriga quase três milhões de habitantes. Outro aspecto pouco levado em consideração pelos órgãos de planejamento urbano e administração dos serviços públicos é o ingresso anual de novos habitantes na área urbana, por nascimento ou imigração, e o impacto sobre a quantidade e a qualidade da água. Segundo informações da Codeplan (DF), 40 mil novos habitantes por ano se somam aos existentes. Essa nova população anual afeta todos os órgãos vitais do corpo urbano: água, alimentação, escola, saúde, trabalho, mobilidade, moradia, lazer.
As atividades de produção de alimentos, especialmente na região do Planalto Central, consumem imenso volume de água e descarregam nos córregos e rios toneladas de elementos poluidores. Cálculos sobre o consumo de água de um bovino até chegar a seu ponto de abate indicam a proporção de 5 a 15 mil litros de água por quilo de carcaça. Mais uma vez, uma simples operação aritmética (peso x no de cabeças x litros de água) dá uma assombrosa soma de litros de água para um rebanho de mil cabeças. Milhões e bilhões de litros de água são engolidos pela população bovina do Brasil, estimada em mais de 190 milhões de cabeças. E esse rebanho deixa, no solo, outros bilhões de quilos de dejetos que acabam contaminando as águas de córregos e rios.
Um plano de gerenciamento da distribuição e uso da água representa a superestrutura de mecanismos, cuidados e ações humanas para garantir que seus efeitos sejam benéficos à saúde da população. A infraestrutura desse plano reside nos aspectos físicos, geográficos e geológicos das nascentes e em tudo o que ocorre a seu redor, incluída a capacidade natural de captação das águas da chuva para recarga dos aquíferos.
Conhecem-se, graças às fotos de satélites, todos ou quase todos os cursos d’água da região do Distrito Federal. Mas suspeito que haja centenas ou milhares de olhos d’água desaparecidos pela invasão agressiva do homem e seus processos produtivos e, outros tantos, ignorados.
Hoje em dia, raramente o uso da água pela espécie humana é feito colhendo-a na fonte. É do meio do rio que tiramos a água ou das represas que o detêm. As formas de manter a boa qualidade da água que brota pura da nascente são variadas. Mas, entre todas, por hábitos culturais da civilização moderna, confia-se naquelas de limpeza da água por processos químicos.
A ocupação do solo, seja pela expansão urbana, seja pela atividade produtiva, agrícola ou industrial, afeta a qualidade da água pela inumerável variedade de dejetos que chegam direta ou indiretamente aos córregos e rios.
As formas mais simples e menos onerosas para manter a qualidade da água foram ensinadas por gregos e romanos há milênios. Os aquedutos romanos monumentais colhiam as águas para uso da população, de longas distâncias, diretamente dos mananciais que jorravam das rochas.
O respeito à vegetação nativa ao redor das nascentes e cursos d’água, pequenos ou grandes, é a forma natural de preservar a qualidade da água. A ênfase necessária que se está dando ao enquadramento dos cursos d’água superficiais (classe 1 a 4), da menos poluída à mais imprópria, revela, em diferentes regiões, o grau de ignorância e irracionalidade do homo sapiens na densa ocupação do solo e no uso inadequado das águas. Perdeu-se a sabedoria natural e instintiva de servir-se da natureza.
Uma das consequências é, necessariamente, o custo crescente das tecnologias usadas pelos órgãos públicos para manter a qualidade desejável do uso da água pela população que a natureza oferece gratuitamente a todos os seres vivos.
Pagamos caro o que poderíamos ter de graça.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

DEPOIS DA VIAGEM

Amigos frequentadores deste Blog,
Estou de volta de um périplo por países do norte da Europa e escala em Paris.
Tenho visto, ouvido e lido, durante 45 dias, interessantes e importantes coisas sobre ecologia, ecofobia, proteção ambiental, recuperação de áreas degradadas, respeito à natureza, crescimento zero ou decrescimento gradativo da economia e da demografia.
Assim que o fuso horário se estabilizar, terei o prazer e o dever de conversar com quem já esta convencido de que estamos no caminho certo e atrair os reticentes para um pensamento alternativo rumo a um planeta acolhedor.
Em todas as partes, o homo sapiens se revela destruidor, mas há sempre o contraponto dos que usam o cérebro para pensar. Pensar faz bem à saúde do corpo e do planeta.