SOPHIA KRONOS, DE PÉS NA ÁGUA.
Anos passados, em visita às ilhas gregas, fiz longas caminhadas ao longo do Canal de Corinto, nas cercanias de Atenas. Visitei um conhecido canto de floresta que o sanitarista Hipócrates (460 a.C.) usava como clínica, ao ar livre e à beira de um córrego de águas cristalinas, para curar enfermos. Sophia Kronos, pés descalços, envolta numa veste talar transparente, recebia os visitantes, respondia perguntas e relatava fatos históricos de curas milagrosas, por imersão do corpo doente nas águas, que desciam da floresta.Perguntei-lhe sobre as orientações do famoso médico e a prática da imersão na água para curar enfermidades de que se queixavam os pacientes. A enfermeira-guia, Sophia, esparramou um sedutor sorriso pelo rosto e resumiu a teoria de Hipócrates sobre a cura hídrica:
¨Todos nós vivemos
mergulhados numa bolsa de água, durante nove meses, antes de ver a luz do Sol. Somos
feitos de água. A água é geradora de vida, ensinava Hipócrates. E a água, que
desce das florestas e se purifica ao bater-se nas pedras, é fonte de saúde, de
tranquilidade corporal, de sossego mental e equilíbrio social. Para acalmar uma
criança inquieta ou chorona, um dos remédios, sugeria nosso Hipócrates, é lhe
oferecer uma bacia, um tanque de água ou levá-la a um riacho. Água da floresta
é saúde¨, sorriu novamente a enfermeira Sophia.
Cuidar das águas
cristalinas do Cerrado é garantia de saúde, de tranquilidade corporal, de
sossego mental e equilíbrio social.
Imagem Imagem: Córrego da Mata Azul, Sitio Neves (Foto: Eugenio Giovenardi