RESERVA SÍTIO NEVES
O OBSERVADOR
COMENTÁRIOS SEMANAIS SOBRE MEIO AMBIENTE, POLÍTICA, LITERATURA E OUTRAS SUTILEZAS DO COTIDIANO.
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
domingo, 18 de outubro de 2026
O LAMENTO DA ÁRVORE
O LAMENTO DA ÁRVORE
No dia em que o
Homem-serra esqueceu que,
numa tarde
abrasadora, dormiu à sombra de um Jatobá,
ouvi, entristecido,
o Lamento da Árvore, que transplantei
há 20 anos.
Nasci sem ser plantada, num lugar
quieto do Cerrado.
Ainda novinha, mão amiga me levou
para crescer na cidade.
Adaptei-me ao barulho de
automóveis,
Levantei seis braços, tomei sol e
chuva.
Fiz sombra a uma Crista-de-galo
com flores vermelhas.
Alguns anos passaram, meus galhos
cresceram.
Dei abrigo ao Saruê. O bentevi e o
sabiá se aninharam.
De madrugada eles cantavam, antes
do Sol nascer.
Da janela, uma voz me dava bom-dia
E sua mão tocava minhas folhas.
Noites longas, de olhos abertos
Olho a Lua e as estrelas que
passam de vagar.
Durante o dia, minhas folhas
recolhiam a poeira do ar.
Um dia, de súbito, o homem-serra,
de rosto vermelho,
Montado numa escada de ferro,
decepa meu braço que olhava o
nascer do Sol,
depois amputa, sem rubor, o braço
que olhava o pôr do Sol.
Sem pena, cortou o terceiro braço
que admirava o Norte.
Indiferente, foi ao braço que
mirava o Sul e o derrubou.
Insatisfeito, estraçalhou o galho
central que contava estrelas.
Mutilada viva, chorei! Minhas
lágrimas rolaram pelo tronco
E caíram sobre as flores da Iris-roxa
que floresce em outubro.
Murmurei, trêmula, ao Homem-serra de rosto
vermelho:
- Uma árvore é só uma árvore, faz
bem a humanos e não humanos.
- A árvore, Homem-serra, também
tem alma.
17 de outubro de 2026
UMA PERGUNTA FATAL!
HILKKA, O TEMPO PASSA!
Muitos anos de vida
VOCÊ ESTÁ PARA NOSSA FELICIDADE!
UMA PERGUNTA
FATAL!
Aos 34 anos, recebi uma pergunta fatal:
Vous n´est-pas d´accord?
Essa pergunta mudou minha história.
Era dia 25 do mês de maio de 1968, em Paris.
Atravessei o Jardim de Luxemburgo e ganhei a
Rue Vaugirard, no Quartier Latin. Vi uma jovem encostada ao muro da calçada e,
diante do rumor da Rue Saint Michel e sirenes policiais, fiz a ela um gesto
negativo com a cabeça.
Olhou-me ela, e me fez a pergunta fatal: ─
Vous n´est-pas d´accord?
Você não está de acordo?
Não eram os estudantes do Movimento de Maio
de 1968 que me contrariavam. Aos 34 anos, eu acabava de sair da selva obscura
de dogmas, de verdades impositivas e do medo da liberdade.
Havia vislumbrado um tentador caminho da
liberdade de pensar, de ser e de viver o milagre da vida. A jornalista percebeu
ou intuiu meu subliminar desacordo existencial.
Obrigado, Hilkka Mäki! Bodas de Lapis-lazuli.
Nossos 57 anos de caminhada, com nossa filha Aino Alexandra, nossas netas Luiza
e Laura, salvamos da destruição impiedosa, em pleno Cerrado do Distrito
Federal, um pedacinho do planeta, para desfrutar da paz humana, das vidas não
humanas, da serena alegria das árvores, do sorriso das flores e do tagarelar de
aves.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
CURRICULO EUGÊNIO GIOVENARDI
CURRICULO - EUGÊNIO GIOVENARDI
Eugênio Giovenardi, 92 (1934), natural de Casca, RS. É filósofo pela Faculdade Particular de Ijuí (RS); teólogo pela Faculdade de Teologia de Porto Alegre, RS; sociólogo pela UFIGS, Licenciado pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialização em Desenvolvimento Cooperativo – College Coopérative – Instituto de Altos Estudos da Universidade de Paris – 1967/1969 – Pós graduado em Economia do Desenvolvimento pela Universidade Tecnológica de Loughborough, Inglaterra, 1971/1972. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, 2003, Em nome do sangue (romance).. Reside em Brasília, DF, desde 1972. Consultor aposentado da Organização Internacional do Trabalho (OIT/PNUD). Desde 1974, dedica-se à ecossociologia e regeneração do Cerrado. Agraciado pela Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano e do ECOMUSEU PEDRA FUNDAMENTAL por trabalhos prestados à Arte e Cultura do Planalto Central do Brasil, 2024. Agraciado, na categoria escritor e filósofo, com a medalha da Ordem ROSA BRANCA pelo Governo da Finlândia, em 2025. É acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico/Distrito Federal e da Academia de Letras do Brasil.
Casado com a jornalista e tradutora finlandesa
Hilkka Mäki, também agraciada pela Ordem Rosa Branca. Tem uma filha, Aino
Alexandra e duas netas, Luiza e Laura.
Blog – O OBSERVADOR – eugeobservador.blogspot.om
+55 61 9 9981 2807
CHUVAS DE SETEMBRO▬ ANOS 2012 a 2026
CHUVAS DE SETEMBRO▬ ANOS
2012 a 2026
BIOCOMUNIDADE SÍTIO NEVES – BR 060
– KM 26 – DF –
RESERVA PERPÉTUA DO PATRIMÔNIO
NACIONAL DESDE 2023
CHUVAS em milímetros ─ 1 mm = 1
litro/m2
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Mês |
SETEMBRO-2026 |
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Dia |
7h |
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1 |
0 |
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2 |
0,9 |
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3 |
3,7 |
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4 |
1,0 |
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5 |
7,7 |
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6 |
1,0 |
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7 |
18,7 |
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8 |
0 |
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9 |
16,0 |
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10 |
0 |
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11 |
0 |
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12 |
0 |
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13 |
0 |
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14 |
0 |
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15 |
0 |
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16 |
31,0 |
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17 |
0 |
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18 |
0 |
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19 |
0 |
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20 |
0 |
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21 |
0 |
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22 |
0 |
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23 |
0 |
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24 |
0 |
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25 |
0 |
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26 |
0 |
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27 |
0 |
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28 |
0 |
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29 |
0 |
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30 |
0 |
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80,0 |
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O mês de setembro
marca a passagem do equinócio da primavera, ocorrido no dia 22 às 21h05. Duração
do dia e da noite: Os momentos de claro e escuro – dia e noite - têm
durações quase iguais de 12hs. Neste ano, o mês de setembro de mostrou instável,
entremeando calor e frio, com chuvas irregulares na primeira quinzena, mais abundantes
na região sul do País
SETEMBRO DE 2013 A 2026
ANO
MM/MÊS TOTAL/ANO/
2012
---
2.260,0
2013
40.5 2.255,6
2014 31,8
1.677,5
2015 3 1,8 1.642,7
2016 39,3
1.921,7
2017
10,5 1.478,7
2018 32.5
1.760.5
2019 20.3
1.069.3
2020
14.7 1.787,8
2021
16,2 1.710.8
2022
63,5 1.279,2
2023 28,2 1.323.4
2024
00,0
1.770,9
2025 13,4
1.044,0
2026
80,0 789.8 (neste ano - até 30.9.26)
Durante 156 meses (13 anos), registro e público os volumes
de chuva, captados pelo pluviômetro autorizado pela Agência Nacional de Águas,
na área da Bacia Hidrográfica do Ribeirão das Lajes. No mês de setembro de 2024,
excepcionalmente, não choveu. Nesse ano, o berço das águas sentiu as mudanças
climáticas e a recarga dos aquíferos foi prejudicada. O aumento de
perfurações de poços artesianos na bacia do Ribeirão das Lajes, entre os
quilômetros 15 e 27, está provocando
redução ão das nascentes e do volume dos córregos que nele desembocam.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
SOPHIA KRONOS, DE PÉS NA ÁGUA.
SOPHIA KRONOS, DE PÉS NA ÁGUA.
Anos passados, em visita às ilhas gregas, fiz longas caminhadas ao longo do Canal de Corinto, nas cercanias de Atenas. Visitei um conhecido canto de floresta que o sanitarista Hipócrates (460 a.C.) usava como clínica, ao ar livre e à beira de um córrego de águas cristalinas, para curar enfermos. Sophia Kronos, pés descalços, envolta numa veste talar transparente, recebia os visitantes, respondia perguntas e relatava fatos históricos de curas milagrosas, por imersão do corpo doente nas águas, que desciam da floresta.Perguntei-lhe sobre as orientações do famoso médico e a prática da imersão na água para curar enfermidades de que se queixavam os pacientes. A enfermeira-guia, Sophia, esparramou um sedutor sorriso pelo rosto e resumiu a teoria de Hipócrates sobre a cura hídrica:
¨Todos nós vivemos
mergulhados numa bolsa de água, durante nove meses, antes de ver a luz do Sol. Somos
feitos de água. A água é geradora de vida, ensinava Hipócrates. E a água, que
desce das florestas e se purifica ao bater-se nas pedras, é fonte de saúde, de
tranquilidade corporal, de sossego mental e equilíbrio social. Para acalmar uma
criança inquieta ou chorona, um dos remédios, sugeria nosso Hipócrates, é lhe
oferecer uma bacia, um tanque de água ou levá-la a um riacho. Água da floresta
é saúde¨, sorriu novamente a enfermeira Sophia.
Cuidar das águas
cristalinas do Cerrado é garantia de saúde, de tranquilidade corporal, de
sossego mental e equilíbrio social.
Imagem Imagem: Córrego da Mata Azul, Sitio Neves (Foto: Eugenio Giovenardi
